Que Histūüßźria √© essa?

 Por: Etiene Bou√ßas


HIST√ďRIA GERAL


V√°rias ideias m√łnstru√łsas nasceram durante a Segunda Guerra Mundial. Entre outras coisas, foi fundado em 1935 o projeto Lebensborn ("fonte da vida"), que era uma esp√©cie de “incubadora” de pessoas altas, fortes, loiras e de olhos azuis. 


Heinrich Himmler, chefe da SS, fundou a Associação Lebensborn para inundar o mundo com a raça ariana em poucos anos. Um dos bebês de Lebensborn é Frida Lingstad.


Sob esse esquema pervertido, casas especiais foram estabelecidas em toda a Alemanha e Europa ocupada, inclusive na Noruega, onde oficiais da SS "acasalavam" com mulheres selecionadas.


As crianças deveriam representar os "melhores exemplos da raça recém-criada" e receber a "melhor educação possível". Neste projeto, nasceu Frida Lingstad ou Annie-Fried, a cantora do grupo "ABBA".


FRIDA

Foi em 1943, tr√™s anos depois que os alem√£es invadiram a Noruega, que um sargento nazista de 24 anos chamado Alfred Haase foi colocado em Ballangen. Esta pequena cidade fica a 32 quil√īmetros do porto de Narvik, onde, por coincid√™ncia, a SS montou uma casa do projeto Lebensborn.


Quando Alfred Haase avistou Synni Lyngstad, ele decidiu ir atr√°s da jovem e colocar em pr√°tica as ideias do projeto de Himmler (os soldados eram instru√≠dos a escolher mo√ßas dentro dos padr√Ķes do projeto). Ele "seduziu" a mo√ßa de 18 anos dando-lhe um saco de batatas - um presente de imenso valor na Noruega durante a guerra, onde a comida era escassa. 


Haase, um confeiteiro na vida civil, disse que informou a Synni que era casado. "Acho que ela considerava nosso relacionamento como eu", acrescentou. "A guerra significava que as condi√ß√Ķes eram diferentes. Para muitos de n√≥s, era uma quest√£o de viver o hoje - amanh√£ podemos estar mortos."


O caso continuou até 1945 (um dos locais de encontro era a casa do projeto Lebensborn), quando Alfred foi enviado de volta para a Alemanha. Synni estava grávida quando ele partiu. Eles estavam destinados a nunca mais se encontrarem.


Ningu√©m em Ballangen tinha d√ļvidas sobre quem era o pai. Quando Synni passava na rua, as pessoas gritavam: 'Puta alem√£!' Os vizinhos se recusaram a ter qualquer contato com ela ou com sua m√£e vi√ļva, Agny. 

Pouco depois Agny fugiu para a Suécia, levando a bebê Frida com ela. Synni seguiu logo depois. Ela conseguiu um emprego como garçonete, mas morreu de insuficiência renal, com apenas 21 anos, quando Frida tinha dois anos.

Criada por sua av√≥, uma mulher distante e amargurada, Frida teve uma inf√Ęncia desamparada. Ela lembrou: "Eu n√£o tinha muitos amigos. Achava que tudo em mim estava errado - que n√£o havia nada em mim que valesse a pena ser amado."

Frida soube que ela era filha de um soldado alemão que se afogou quando seu navio afundou na viagem de volta à Alemanha. Foi só em 1977, quando Abba estava no auge de seu sucesso, que ela soube que seu pai ainda estava vivo.

No final da guerra, Alfred se estabeleceu perto de Stuttgart com sua esposa e dois filhos. Foi só depois que sua sobrinha, uma grande fã do Abba, leu uma entrevista com Frida na qual ela dizia ser filha ilegítima de um soldado alemão chamado Alfred Haase, que ele descobriu que ela era sua filha.


QUEDA DO TERCEIRO REICH 

Como era de se esperar, ap√≥s o desmembramento da Alemanha e a queda de Hitler, as coisas se complicaram para tudo relacionado ao nazismo. 

Na Noruega, essas crianças (incluindo Frida) eram rejeitadas pelo povo norueguês que agia sob a autoridade do estado norueguês do pós-guerra. Em 1945, o chefe do maior hospital psiquiátrico da Noruega afirmou que as mulheres que haviam "acasalado" com soldados alemães eram "deficientes mentais" e concluiu que 80 por cento de sua descendência devia ser "retardado".


ABSURDO SEM FIM

As crian√ßas foram vilipendiadas, ab*sadas, confinadas em institui√ß√Ķes mentais, espancadas, estupradas e tratadas como sub-humanas at√© os anos sessenta.

Essas crianças eram consideradas o "lixo que os nazistas deixaram para trás".


REPARA√á√ÉO 

Os sobreviventes, não conseguiram obter compensação do governo norueguês - que ainda se recusa a enfrentar totalmente esta terrível praga em sua reputação nacional.

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ARQUEOLOGIA - 2022


Se voc√™ esperava que os primeiros escribas da humanidade, quando come√ßaram a escrever com o alfabeto, registrassem algum tipo de sabedoria geracional ou uma mensagem importante destinada a ser transmitida atrav√©s dos tempos, voc√™ estaria errado. 


A frase completa decifr√°vel mais antiga em um alfabeto j√° encontrada, datada de 1.700 a.C, est√° inscrita em um min√ļsculo pente de marfim desenterrado em 2016 no s√≠tio arqueol√≥gico de Tel Lachish, no centro de Israel. As letras fracas dizem: “Que esta presa arranque os piolhos do cabelo e da barba”.


"As pessoas meio que riem quando voc√™ lhes diz o que a inscri√ß√£o realmente diz”, relata um dos arque√≥logos do projeto, Michael Hasel, da Universidade Adventista do Sul, no Tennessee. Mas a mensagem tamb√©m √© notavelmente relacion√°vel – especialmente para pais de crian√ßas pequenas.


"Nada parecido com isso foi encontrado antes. N√£o √© a inscri√ß√£o real de um rei… isso √© algo muito humano. Voc√™ est√° imediatamente conectado a essa pessoa que tinha esse pente”, escreveu Yosef Garfinkel, professor de arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusal√©m.


QUEM ESCREVEU?

As palavras foram escritas pelos antigos cananeus, um povo do Oriente Pr√≥ximo que desenvolveu o alfabeto mais antigo, um ancestral de nossas letras latinas modernas. 


Havia formas anteriores de escrita, com os hier√≥glifos cuneiformes da Mesopot√Ęmia e eg√≠pcios surgindo por volta de 3.200 a.C, mas esses eram sistemas baseados em imagens com centenas de letras. 


O desenvolvimento do alfabeto cananeu, com seu n√ļmero comparativamente pequeno de letras que correspondiam a sons b√°sicos falados, ou fonemas, foi um momento inovador na hist√≥ria humana. 


Como cada letra correspondia a um som, a leitura e a escrita tornaram-se mais f√°ceis de dominar, simplificando a comunica√ß√£o escrita para as massas da mesma forma que a imprensa ou a internet fizeram muitas gera√ß√Ķes depois.


Hoje em dia, as pessoas podem ler e escrever usando o sistema alfabético. Esta é realmente uma das conquistas intelectuais mais importantes da humanidade.


Esse novo tipo de escrita apareceu pela primeira vez por volta de 1.800 a.C — s√©culos antes de os fen√≠cios, muitas vezes creditados como inventores do alfabeto, come√ßarem a padronizar as formas das letras por volta de 1.100 a.C. 

Arque√≥logos j√° identificaram letras canan√©ias em artefatos antes, mas esta √© a primeira vez que algu√©m encontra uma frase completa no alfabeto. 

ESQUECIDO

A mensagem antiga no pente poderia facilmente ter passado despercebida. Os arqueólogos inicialmente confundiram o artefato diminuto com um osso porque estava coberto de sujeira e muitos de seus dentes estavam quebrados. E por meia década ficou guardado, esquecido até que a parasitologista e arqueóloga Madeleine Mumcuoglu, da Universidade Hebraica de Jerusalém, o colocou sob o microscópio pela primeira vez.

Examinando os dentes, ela encontrou vestígios de antigos piolhos, as membranas externas duras da espécie em seu estágio de ninfa. Foi neste momento que Madeleine percebeu que havia letras esculpidas em sua alça.

O pente foi enviado para Daniel Vainstub, pale√≥grafo da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, que decifrou a mensagem esquecida. 

O pente de dupla face tem seis dentes amplamente espaçados de um lado (todos agora quebrados) e 14 mais estreitos do outro para desembaraçar o cabelo e remover pequenos piolhos e ovos do couro cabeludo. Ele mede apenas 4 centímetros de comprimento, por 2 centímetros de largura.

Feito de marfim importado, teria sido um luxo caro na época de sua criação. Mas, como a inscrição deixa claro, mesmo a imensa riqueza não poderia proteger os antigos de pragas indesejadas.


Refer√™ncia 

Jerusalem Journal of Archaeology. 

doi.org/10.52486/01.00002.4

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   BREVE HIST√ďRIA DA DEMOCRACIA 

O que realmente significa democracia? 

O oposto da monarquia ("governo de um"), democracia (da palavra grega demokratia) significa governo do povo ou governo da maioria. Na prática, isso significa que o poder é detido por representantes eleitos ou pelo próprio povo.

 Quem inventou o conceito?

Tradicionalmente, acredita-se que o conceito de democracia tenha se originado em Atenas em 508 a.C, embora haja evid√™ncias que sugiram que sistemas democr√°ticos de governo possam ter existido em outras partes do mundo antes disso, embora em menor escala. 

Em Atenas, foi um nobre chamado S√≥lon que lan√ßou as bases para a democracia e introduziu uma nova constitui√ß√£o baseada no direito de propriedade. 

De acordo com isso, os atenienses foram divididos em quatro classes, com o poder pol√≠tico distribu√≠do entre eles. Os cargos mais altos foram para as pessoas cuja terra produzia 730 alqueires de gr√£os, enquanto a classe mais baixa era composta por trabalhadores que n√£o podiam ocupar cargos, mas que podiam votar na assembl√©ia. √Č importante ressaltar que, sob a constitui√ß√£o de S√≥lon, os cidad√£os nativos n√£o podiam ser escravizados por seus concidad√£os.


C
omo surgiu a democracia em Atenas? 

As reformas de Sólon eventualmente fracassaram quando as classes dominantes começaram a lutar entre si, levando Atenas à beira da guerra civil.

Deste surgiu um tirano – Peisistratos – que tomou o poder em 546 a.C. Ap√≥s sua m√łrte, os filhos de Peisistratos assumiram como governantes at√© serem derrubados em 510 a.C com a ajuda de Esparta. 

Quando a disputa de fac√ß√Ķes pelo poder estourou mais uma vez entre as fam√≠lias nobres atenienses, um homem chamado Cl√≠stenes conseguiu o apoio do povo comum propondo uma nova constitui√ß√£o. Essa nova constitui√ß√£o incluiu o estabelecimento de classifica√ß√£o, que via cidad√£os selecionados aleatoriamente para ocupar cargos no governo, em vez de alcan√ß√°-los por heran√ßa.

Qu√£o democr√°tica era realmente a democracia grega antiga? 

Dez novos grupos – ou tribos – foram criados como forma de quebrar a estrutura de poder existente com direitos pol√≠ticos e privil√©gios dependentes da tribo. Al√©m disso, todos os atenienses tinham o direito de participar e votar na ekklesia, uma assembleia que se reunia a cada dez dias. 

Um √≥rg√£o deliberativo conhecido como boule viu 500 pessoas selecionadas aleatoriamente (50 de cada tribo) se reunirem diariamente para discutir a legisla√ß√£o, que seria ent√£o acordada pelos cidad√£os na ekklesia. 

Qual o papel das mulheres na democracia ateniense? 

A democracia ateniense não se estendia às mulheres, que desempenhavam pouco papel na vida política do Estado e não tinham direito a voto. As meninas atenienses não eram formalmente educadas e seus direitos eram limitados.

A democracia ateniense sempre foi uma coisa boa? 

Possivelmente, o aspecto mais dram√°tico da democracia ateniense foi o ostracismo, que era comum entre 487-417 a.C. Se 6.000 eleitores fossem a favor, um cidad√£o ateniense poderia ser exilado por dez anos, uma t√°tica que era frequentemente usada para livrar a cidade de uma figura poderosa, mas talvez impopular.

Quais s√£o as diferen√ßas entre a democracia grega antiga e a democracia de hoje? 

Segundo os historiadores, existem tr√™s diferen√ßas entre o sistema de democracia de hoje e o dos antigos gregos: escala, participa√ß√£o e elegibilidade. Acredita-se que a popula√ß√£o da Atenas do s√©culo V a.C era de cerca de 250.000, mas apenas cerca de 30.000 eram cidad√£os atenienses plenos e, portanto, capazes de se beneficiar da nova constitui√ß√£o. Os restantes eram escrav√łs, mulheres, crian√ßas ou estrangeiros. Al√©m disso, apenas homens poderiam participar de um governo democr√°tico.

Como a democracia continuou depois da Gr√©cia antiga? 

Apesar de sobreviver √† derrota na Guerra do Peloponeso em 404 a.C, o experimento democr√°tico chegou ao fim em 322 a.C, com o fracasso da revolta grega contra o dom√≠nio maced√īnio ap√≥s a m√łrte de Alexandre, o Grande. Elementos da democracia depois de Atenas podem ser vistos no mundo romano no s√©culo III, na Escandin√°via no s√©culo VIII e nas comunas italianas dos s√©culos XI e XIII. Mas a democracia plena, como a conhecemos hoje, demorou muito para chegar.


Refer√™ncia 

ROPER, Brian S. The History Of Democracy.

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A hist√≥ria do Brasil √© marcada por mais de 300 anos de escravid√£o, sendo o √ļltimo pa√≠s da Am√©rica a promover a aboli√ß√£o. 
Esses séculos marcaram a sociedade brasileira, criando o pensamento de inferioriza as pessoas negras, um reflexo do período da escravidão.

E esse reflexo racista se enraizou na mentalidade da sociedade brasileira, criando os elementos do Racismo Estrutural.

Mas o que é Racismo Estrutural?

O Racismo Estrutural surge a partir da normaliza√ß√£o de h√°bitos, a√ß√Ķes, falas, situa√ß√Ķes entre outras a√ß√Ķes, que s√£o aceitas no cotidiano, mas, que geram, direta ou indiretamente, atos racistas, preconceituosos, segregacionistas contra a popula√ß√£o negra ou ind√≠gena.

No dia-a-dia, express√Ķes e atitudes “constroem” o Racismo Estrutural.

Desde piadas ou falas que associam determinadas pessoas a algo ruim ou que colocam pessoas em condi√ß√Ķes vexat√≥rias, tudo isso por causa da cor de sua pele, origem √©tnica ou como desconfiar da √≠ndole de uma pessoa devido as suas veste ou cor de pele.

Assim como na utiliza√ß√£o de eufemismos ou declara√ß√Ķes dirigidas a pessoas negras, como o uso da palavras “moreno”, “pessoa de cor ou mais escurinha”, evidenciando um desconforto na utiliza√ß√£o das palavras “negro” ou “preto” pelo estigma social.

Todas essas a√ß√Ķes fazem parte do Racismo Estrutural.

E essas a√ß√Ķes reverberam em v√°rias √°reas da sociedade e infelizmente s√£o tra√ßos comuns de uma sociedade, no caso brasileira, que tem mais tempo de conv√≠vio do com a escravid√£o do que sendo uma sociedade em que todos seus membros vivem com plena liberdade e igualdade (ou n√£o!).


Imagem: Vendedor de flores na porta de uma igreja, Jean-Baptiste Debret, Wikimedia Commons

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HIST√ďRIA DA MEDICINA 


Jane Todd Crawford deve ser celebrada, por ser a primeira mulher a sobreviver a uma cirurgia para remover um tum√łr no ov√°rio. Considerada gr√°vida de g√™meos aos 45 anos, Jane e seus m√©dicos descobriram que algo estava errado, j√° que sua data de parto supostamente ia e vinha sem nenhum sinal de nascimento. 

O médico Ephraim McDowell, foi chamado até o Condado de Green, em Wisconsin, Estados Unidos, para consultar o caso de Jane e tentar entender o que estava acontecendo.

O DIAGN√ďSTICO ASSUSTADOR

Ele diagnosticou Jane com um tumor no ov√°rio, uma senten√ßa de m√łrte no in√≠cio do s√©culo XIX. O m√©dico foi taxativo, avisou que nenhum tumor semelhante jamais havia sido removido com sucesso e qualquer tentativa de fazer isso provavelmente resultaria em sua m√łrte.

CORAJOSA

Mesmo assim, Jane optou por arriscar e passar pelo procedimento em vez de sofrer uma m√łrte dolorosa e prolongada por causa do tum√łr.

O m√©dico lhe disse que s√≥ realizaria a opera√ß√£o em seu consult√≥rio em Danville, Kentucky. Ent√£o Jane percorreu os 96 quil√īmetros mais dif√≠ceis de sua vida. Partiu no lombo de um cavalo de sua casa no Condado de Green at√© Danville e chegou no dia de Natal de 1809.

SEM ANESTESIA

Operando sem anestesia (ainda n√£o em uso), McDowell fez uma incis√£o de 22 cent√≠metros no abd√īmen e trabalhou por quase meia hora para remover o tumor, enquanto Jane era amparada pelos assistentes de Mcdowell e em meio a urros lancinantes de dor, cantava hinos religiosos. 

A cirurgia resultou na remo√ß√£o de um cisto de 1, 020 kg. Ela permaneceu na casa/consult√≥rio com McDowell por quase um m√™s enquanto se recuperava e p√īde voltar para casa (a cavalo) em janeiro de 1810. Ela e sua fam√≠lia logo se mudaram do estado e acabaram se estabelecendo em Indiana, onde Jane est√° enterrada. 

Ela viveu mais 32 anos após o procedimento e a cirurgia bem-sucedida abriu caminho para avanços futuros.


Bibliografia

PATRICK, Andrew. The Mother of Abdominal Surgery.

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 HIST√ďRIA GERAL 


O rei Charles III ostenta uma árvore genealógica tensa graças a um infame parente.

O monarca rec√©m-nomeado √© descendente de Vlad III, tamb√©m conhecido como Vlad Dr√°cula/Drakul (que significa 'o filho do drag√£o', em tradu√ß√£o livre), ou mesmo Vlad, o Empalador, que foi filho de Vlad II Dracul ('o drag√£o', fundador da dinastia) e pr√≠ncipe da Val√°quia. 

Vlad era conhecido por m4tar seus inimigos empaland√ł-√łs em estacas de madeira, iniciando uma m√łrte excruciante que √†s vezes podia levar at√© tr√™s dias. Suas a√ß√Ķes brut4is fizeram dele a suposta inspira√ß√£o para "Dr√°cula" de Bram Stoker. 

Em 1462, ap√≥s uma batalha, Vlad deixou um campo cheio de milhares de v√≠timas emp4ladas. Mais de 530 anos depois, em 1998, o rei Charles III descobriu suas liga√ß√Ķes com o governante romeno. 

O novo monarca informou ter descoberto que sua linhagem era relacionada √† de Dr√°cula, por meio da rainha consorte Mary, sua bisav√≥ materna. 

Uma √°rvore geneal√≥gica em The British Chronicles escrito por David Hughes apoia esta afirma√ß√£o. 

Quanto ao seu ancestral distante Vlad, o tem√≠vel governante √© visto como um her√≥i nacional at√© hoje devido √† sua defesa feroz, embora tir√Ęnica, contra os inimigos do pa√≠s. 

N√£o √© t√£o surpreendente que eles estejam relacionados, j√° que a linhagem da fam√≠lia real brit√Ęnica √© facilmente rastreada em toda a Europa - at√© a rainha e o pr√≠ncipe Philip eram primos em terceiro grau.


Referência

BECQUART, Charlotte. King Charles III is a descendant of Dracula and owns properties in Transylvania.

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 HIST√ďRIA, MEDICINA E CI√äNCIA - T√ČTANO


As vacinas est√£o na mente - e no bra√ßo de quase - todos, ent√£o deixe-me lembr√°-lo: essa imagem representa o est√°gio final do t√©tano,  que se manifesta por hipertonia mantida dos m√ļsculos masseteres (trismo e riso sard√īnico) e dos m√ļsculos do pesco√ßo (rigidez de nuca), ocasionando dificuldade de degluti√ß√£o (disfagia), que pode chegar √† contratura muscular generalizada (opist√≥tono); rigidez muscular progressiva, atingindo os m√ļsculos reto-abdominais (abdome em t√°bua) e o diafragma, levando √† insufici√™ncia respirat√≥ria; tamb√©m ocorrem crises de contraturas desencadeadas, em geral, por est√≠mulos luminosos, sonoros ou manipula√ß√£o do doente.

▪️Essa pintura do s√©culo XIX, foi feita pelo cirurgi√£o Charles Bell e hoje faz parte do acervo do Hall dos Cirurgi√Ķes, em Edimburgo.

Bell criou essa pintura em 1809, ap√≥s testemunhar os efeitos do t√©tano em soldados, os quais foram baleados na Batalha de Corunna, na Espanha, durante as Guerras Napole√īnicas.

▪️A imagem de 2019 foi feita em hospital p√ļblico na cidade de Caracas, Venezuela.

▪️A VACINA DO T√ČTANO (tetanus toxoid, TT). Um trabalho apresentado √† Academia de Ci√™ncias de Paris, em 1887, descrevia alguns dos sintomas do t√©tano, doen√ßa conhecida desde a Antiguidade e desde tal associado √† ferimentos, produzidos por cortes, arranh√Ķes, perfura√ß√Ķes ou mordidas de animais. "Ningu√©m h√° que desconhe√ßa esta mol√©stia terr√≠vel que encerra o doente em uma esp√©cie de t√ļmulo, e como que o obriga a assistir √† pr√≥pria agonia. Os m√ļsculos do peito, das costas, do pesco√ßo e da face contraem-se com crescente vi√łl√™ncia; a cabe√ßa atira-se para tr√°s, as mand√≠bulas apertadas n√£o deixam passar nem sequer um gemido; a degluti√ß√£o e consequentemente a alimenta√ß√£o tornam-se imposs√≠veis. S√≥ o olhar exprime as angustias e os sofrimentos do moribundo.”

Al√©m de abreviar vidas, o t√©tano desafiava o progresso da medicina, uma vez que a mais simples cirurgia carregava risco de contamina√ß√£o, o que impunha outros custos √† sa√ļde. Isso tudo mudou com a descoberta do fisiologista e microbiologista alem√£o Emil von Behring, que √† partir de 1890 obteve sucesso no desenvolvimento de uma antitoxina capaz de neutralizar os efeitos das toxinas da bact√©ria causadora do t√©tano. Em 1897, o microbiologista franc√™s Edmond Nocard, provou que a antitoxina poderia fornecer uma forma de imuniza√ß√£o. Na d√©cada de 1920, a vacina contra o t√©tano foi inventada e amplamente utilizada para a imuniza√ß√£o de soldados durante a Segunda Guerra Mundial. 


Refer√™ncia 

FITZHARRIS, Lindsay. Medicina dos Horrores.

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   H√Ā MUITO TEMPO...


Imagine o nascer do sol no √ļltimo dia da era mesoz√≥ica, 66 milh√Ķes de anos atr√°s. Raios de luz do sol passam pelos p√Ęntanos e florestas de con√≠feras ao longo da costa do que hoje √© a Pen√≠nsula de Yucat√°n, no M√©xico. Os mares quentes do Golfo do M√©xico fervilham de vida.

√Ä medida que este mundo perdido de dinossauros e insetos enormes grita e zumbe para a vida, um aster√≥ide do tamanho de uma montanha est√° se aproximando da Terra a cerca de 64 mil quil√īmetros por hora. 

Por alguns momentos fugazes, uma bola de fogo que parece muito maior e mais brilhante que o sol atravessa o c√©u. Um instante depois, o aster√≥ide colide com a Terra com um rendimento explosivo estimado em 10 bilh√Ķes de bombas at√īmicas de Hiroshima.

O impacto penetra na crosta terrestre a uma profundidade de v√°rios quil√īmetros, cavando uma cratera com mais de 185 quil√īmetros de di√Ęmetro e vaporizando milhares de quil√īmetros c√ļbicos de rocha. 

O EVENTO

O anel de pico se formou em quest√£o de minutos. Logo ap√≥s o impacto, rochas profundas de granito, fluindo como um l√≠quido, ricochetearam em uma torre central de 10 quil√īmetros de altura antes de desmoronar na crista circular. Em seguida, o anel de pico foi coberto por uma camada de rochas misturadas, chamada brecha, que cont√©m peda√ßos de rocha explodida e derretimento de impacto. Ent√£o, nas horas que se seguiram, tsunamis oce√Ęnicos despejaram enormes quantidades de sedimentos arenosos no buraco gigante da Terra. Outras deposi√ß√Ķes viriam lentamente, √† medida que a vida voltasse aos mares, e camadas de calc√°rio fossem constru√≠das nos milh√Ķes de anos seguintes.

O QUE √Č ANEL DE PICO?

O "anel de pico" da cratera - √© uma crista circular dentro da borda da cratera que √© caracter√≠stica das maiores crateras de impacto do sistema solar. 

Os astr√īnomos veem an√©is de pico na Lua, Marte e Merc√ļrio, mas nunca conseguiram amostrar (extrair amostra) um na Terra, agora conseguiram. Ao examinar de perto as rochas do anel de pico, eles esperam testar modelos de forma√ß√£o de crateras e determinar se a pr√≥pria cratera foi um dos primeiros habitats para a vida microbiana ap√≥s o impacto.

REVELANDO O PASSADO

Estudos anteriores lentamente revelaram detalhes do que aconteceu após o chamado impacto de Chicxulub, usando uma combinação de modelos de computador e as consequências geológicas encontradas em vários locais ao redor do mundo.

Mas os detalhes exatos do caos que se seguiu foram um mistério duradouro, que os cientistas esperavam resolver examinando atentamente a própria cratera de impacto.

POR√ČM...

Camadas de sedimentos haviam enterrado a cratera por milênios, o que impedia que ventos e água a deteriorassem, mas também a escondiam e a mantinham fora do alcance de ansiosos cientistas. Para realmente chegar a esse momento infame na história do nosso planeta, os pesquisadores precisavam perfurar a terra.

DESVENDANDO O MIST√ČRIO 

Os cientistas chegaram ao marco zero para um dos cataclismos mais famosos do mundo. Escavando a estrutura de impacto respons√°vel pelo desaparecimento dos dinossauros, a equipe de pesquisadores alcan√ßou um de seus principais objetivos, com rochas trazidas de mais 670 metros abaixo do fundo do mar na costa da Pen√≠nsula de Yucat√°n. 

Essas amostras de n√ļcleo cont√™m peda√ßos da rocha original de granito que foi o alvo azarado da ira c√≥smica h√° 66 milh√Ķes de anos, quando o asteroide √©pico atingiu a Terra.

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 O CORA√á√ÉO DO IMPERADOR

Em um recept√°culo de vidro, armazenado  com extrema precau√ß√£o na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, na cidade do Porto, em Portugal, repousa, desde 1837, o cora√ß√£o de Dom Pedro I, ou Dom Pedro IV, para os portugueses.  Antes de falecer, o primeiro imperador do Brasil deixou em testamento a inten√ß√£o de que seu cora√ß√£o ficasse no Porto, cidade com a qual desenvolveu intensa rela√ß√£o, l√° vivendo durante os 13 meses (de julho de 1832 a agosto de 1833) em que a cidade foi sitiada em uma disputa de poder entre ele e seu irm√£o Dom Miguel I durante as chamadas Guerras Liberais (1828-1834).

O CORA√á√ÉO AVENTUREIRO 

Foi longo e conturbado o percurso que levou o √≥rg√£o doado ao Porto at√© ao monumento onde est√° desde 1837, na igreja da Lapa. Depois da m√łrte de D. Pedro, a sua mulher, D. Am√©lia de Leuchtenberg, fez encerrar o cora√ß√£o num escr√≠nio (uma esp√©cie de vaso ou guarda-joias) com duas tampas e entregou-o ao ajudante de campo do rei que o levou de Lisboa para o Porto, num navio. O cora√ß√£o chegou ao Porto em fevereiro de 1835, quase cinco meses ap√≥s a morte do monarca, foi “em prociss√£o da Ribeira para a Lapa” e “toda a cidade esteve presente”.

O cora√ß√£o chegou √† Lapa numa urna de madeira de mogno, dentro da qual estava um estojo (o original foi a √ļnica pe√ßa substitu√≠da, mas mant√©m-se na igreja) e, l√° dentro, um vaso de prata dourada com duas tampas. “Uma era uma esp√©cie de adorno e a outra, presa com parafusos, dava acesso ao cora√ß√£o, inserido em l√≠quidos conservantes desde a primeira hora”. Na altura, “os professores da escola m√©dico-cir√ļrgica entenderam que o cora√ß√£o ficaria melhor conservado num recipiente de vidro, por se tratar de material mais estanque do que a prata."

Seguiram-se “dois anos de espera” para a C√Ęmara do Porto e a Irmandade da Lapa “chegarem a acordo sobre o local onde devia ficar o monumento”, per√≠odo em que o cora√ß√£o “ficou na capela-mor √† guarda de um sentinela, porque havia receios de que fosse roubado”. 


POR QUE EST√Ā GUARDADO NA IGREJA?

O coração foi doado à cidade e não à igreja da Lapa, motivo pelo qual foi necessário que a rainha D. Maria II, filha de D. Pedro, resolvesse o dilema sobre o local onde devia ficar o legado.

COM QUEM VAI FICAR

Quando D. Pedro foi para o Porto, ficou no Pal√°cio dos Carrancas, mas era um local muito exposto. Teve que buscar um lugar  mais protegido. Mudou-se para a Rua de Cedofeita. A igreja mais pr√≥xima era a da Lapa e o seu fundador “era um brasileiro”. O "Rei Soldado", ia √† missa semanal, mas, segundo o historiador portugu√™s Ribeiro da Silva, h√° escritos de que ia ali √† missa todos os dias. Foi este o motivo que fez D. Maria II decidir que o cora√ß√£o ficasse na igreja da Lapa.

SIMBOLOGIA

O "Rei Soldado" doou seu coração como agradecimento pelo empenho e pelos sacrifícios suportados pelos cidadãos do Porto no combate ao absolutismo. O ato significou uma coisa importantíssima: o amor pela liberdade.

BREVE HIST√ďRICO 

D. Pedro I nasceu no Pal√°cio de Queluz a 12 de Outubro de 1798, recebendo o nome de Pedro de Alc√Ęntara Francisco Ant√≥nio Jo√£o Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim Jos√© Gonzaga Pascoal Serafim de Bragan√ßa e Bourbon, tendo falecido no mesmo pal√°cio, a 24 de Setembro de 1834, foi sepultado no Pante√£o de S. Vicente de Fora, sendo transladado para o Brasil em 1972, seus restos mortais foram levados para a cripta imperial, localizada no Parque da Independ√™ncia, em S√£o Paulo.

A INDEPEND√äNCIA 

O governo brasileiro, atrav√©s do embaixador George Prata, pediu o cora√ß√£o emprestado para a comemora√ß√£o dos 200 anos da independ√™ncia. O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ci√™ncias Forenses de Portugal e a C√Ęmara Municipal do Porto autorizaram o translado do √≥rg√£o. O √≥rg√£o chegar√° ao Pal√°cio do Planalto, em Bras√≠lia, onde ser√° recebido com “honras militares”.

Ap√≥s a cerim√īnia, o cora√ß√£o ser√° transportado para o Pal√°cio Itamaraty, onde permanecer√° em exibi√ß√£o “controlada” at√© as comemora√ß√Ķes do bicenten√°rio no dia 7 de setembro.


Refer√™ncia 

SERRÃO, Joaquim Veríssimo.

História de Portugal, Volume VII: A Instauração do Liberalismo (1807-1832), e

História de Portugal, Volume VIII: Do Mindelo à Regeneração (1832-1851)

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LEOGEN√ČTICA - DOGOR


Dogor pode ter morrido 18 mil anos atr√°s, mas seu corpo permaneceu perfeitamente preservado – at√© os "bigodes". 

Ele √© “amigo” por nome – Dogor em Yakutiano significa “amigo” – e can√≠deo por linhagem. Dogor e seu corpo, pele, dentes e vibrissas (bigodes) foram catapultados por 18 mil√™nios e renasceram do permafrost derretido em uma Sib√©ria aquecida. 

Este espécime quase perfeito foi desenterrado perto do rio Indigirka, a nordeste de Yakutsk. Embora inicialmente se acreditasse ser os restos antigos de um filhote de lobo, testes adicionais do espécime renderam resultados fascinantes.

D√öVIDA 

Embora a Su√©cia tenha o maior banco de DNA de can√≠deos extintos e modernos, o Centro Sueco de Paleogen√©tica, que conduziu o sequenciamento inicial do genoma do esp√©cime, foi inconclusivo – incapaz de determinar se o filhote era cachorro ou lobo. A pouca idade do achado dificulta a identifica√ß√£o. 

O QUE SE SABE

Uma análise mais aprofundada coloca as origens do filhote em um período de tempo em que se acredita que as linhagens dos cães se separaram de seus progenitores lobos cerca de 20 mil a 40 mil anos atrás, colocando Dogor bem no meio da matilha de transição.

O espécime pode muito bem ser um lobo ancestral. Se for um cachorro, no entanto, provavelmente representaria o mais antigo no registro arqueológico.

O cão antigo e o lobo não diferem muito. Na verdade, o cão é um lobo com atitudes mais tolerantes em relação aos humanos.

Antes de os pesquisadores descobrirem Dogor no verão de 2018, o fóssil mais antigo conhecido de um cão domesticado é do cão Bonn-Oberkassel, com cerca de 14.223 anos. Os restos incompletos deste antigo cão domesticado foram descobertos em uma pedreira de basalto perto de Bonn, na Alemanha, em 1910.

O QUE ELE COMEU?

O est√īmago de Dogor foi dissecado, durante o estudo, al√©m de galhos, terra e folhas, nele foi encontrado um fragmento de pele com pelos pequenos e com bordas bem lisas. Testes de DNA desse fragmento de pele do est√īmago do filhote, realizados no Centro Sueco de Paleogen√©tica supervisionado pelo professor Love Dalen, confirmaram que no est√īmago havia um fragmento de pele de um rinoceronte pr√©-hist√≥rico que vivia no mesmo local.

MAIS DESCOBERTAS 

Um exame mais aprofundado do filhote revelou que o esp√©cime √© um macho juvenil cuja idade √© exibida por dentes leitosos em ponta de flecha, uma caracter√≠stica distinta de um can√≠deo com menos de 2 meses de idade. 

Embora os especialistas n√£o tenham sido capazes de determinar a causa da morte, pesquisas sugerem que sua posi√ß√£o n√£o indicava ang√ļstia no momento da morte.

No segundo semestre de 2021, amostras de DNA de Dogor foram enviadas para an√°lise na Dinamarca, os resultados ainda n√£o foram publicados. 


Refer√™ncia 

DNA of pre-historic puppy, found in Yakutia, to be analyzed in Denmark.

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  UM POUCO DE HIST√ďRIA E LENDAS
 


Ao longo da hist√≥ria, as g√°rgulas tendem a ser mais comumente associadas a imagens de de€m√īnios e monstros alados e horr√≠veis. Alguns s√£o t√£o estranhamente impressionantes quanto aterrorizantes. H√° outros, por√©m, cuja particularidade n√£o est√° no horror, mas no car√°ter ir√īnico – destinado a provocar o esc√°rnio, o rid√≠culo e at√© o riso. 

O QUE A HIST√ďRIA CONTA

A história conta que o pedreiro envolvido na construção da Catedral de Freiburg, Alemanha, teve a garantia de que o salário que receberia seria compatível com a qualidade do trabalho que produziria. No entanto, após a conclusão do trabalho, o pedreiro foi recompensado por seu trabalho com uma quantia miserável que não chegou perto do que ele esperava. Foi sua insatisfação com essa remuneração que o motivou a esculpir a gárgula tosca em protesto. Ele

posicionou uma das g√°rgulas para parecer que estava a defecar na dire√ß√£o do edif√≠cio da C√Ęmara Municipal, os respons√°veis pelo pagamento de seu sal√°rio.

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ANÚBIS - O GUARDIÃO DOS M0RT0S
 


"Quando N√©ftis deu √† luz a An√ļbis, √ćsis tratou a crian√ßa como se fosse sua; pois N√©ftis √© o que est√° debaixo da terra e invis√≠vel,

√ćsis o que est√° acima da terra e vis√≠vel; e o c√≠rculo que os toca, chamado de horizonte, sendo comum a ambos, recebeu o nome de An√ļbis, e √© representado na forma de um c√£o; pois o c√£o pode ver com os olhos tanto de noite como de dia." 

Para os antigos eg√≠pcios, como era o caso de qualquer sociedade composta de humanos curiosos, o mundo era um lugar confuso e muitas vezes aterrorizante, repleto de destrui√ß√£o, m*rte e fen√īmenos inexplic√°veis. Para dar sentido a tal exist√™ncia, eles recorreram a hist√≥rias teleol√≥gicas. Dar uma hist√≥ria a um fen√īmeno o tornava menos horr√≠vel e tamb√©m os ajudava a entender o mundo ao seu redor. Sem surpresa, ent√£o, os antigos deuses eg√≠pcios permeavam todos os aspectos da exist√™ncia. Dada a abund√Ęncia de artefatos funer√°rios encontrados nas areias do Egito, √†s vezes parece que os antigos eg√≠pcios estavam mais preocupados com os assuntos da vida ap√≥s a morte do que com os assuntos da vida que vivenciavam no dia a dia. Isso √© ressaltado com mais destaque pelas pir√Ęmides, que capturaram a imagina√ß√£o do mundo durante s√©culos. 

Assim, n√£o √© surpresa que An√ļbis fosse um dos deuses mais importantes do pante√£o eg√≠pcio. A imagem de An√ļbis, com sua cabe√ßa voltada para baixo em julgamento impiedoso, continua a inspirar artistas ainda hoje. 

H√° algo sobre essa figura sombria que o fez resistir ao teste do tempo e lhe permitiu sobreviver enquanto tantos deuses e deusas ca√≠ram da mem√≥ria na sequ√™ncia de novas religi√Ķes que s√£o auxiliadas por um mundo mais interconectado. 

Talvez seja porque An√ļbis est√° associado √† m*rte, ou talvez seja porque a falta de refer√™ncias a ele no registro liter√°rio e arqueol√≥gico do Egito convida a m√ļltiplas interpreta√ß√Ķes. 

Tamb√©m pode ser devido a suas apari√ß√Ķes nas obras mais emotivas da arte eg√≠pcia antiga, notadamente as vinhetas de t√ļmulos que retratam a misteriosa jornada dos mortos, que atraem os espectadores a imaginar uma vis√£o sobrenatural e po√©tica da m*rte t√£o distante das concep√ß√Ķes modernas. Em certo sentido, An√ļbis √© terr√≠vel e majestoso.

Para os antigos eg√≠pcios, no entanto, An√ļbis evoluiu ao longo de mil√™nios e, embora sua imagem possa causar medo nos cora√ß√Ķes modernos, nos tempos antigos, sua apar√™ncia era um pouco reconfortante para aqueles que temiam os esp√≠ritos invis√≠veis que habitavam todas as coisas ao lado do Nilo. Assim como o c√£o √© hoje uma figura de prote√ß√£o contra a viol√™ncia e a transgress√£o, An√ļbis tamb√©m era uma figura cujo aspecto tem√≠vel era fonte de conforto para aqueles que seguiam o seu c√≥digo, garantindo que sua piedade fosse defens√°vel no Sal√£o de Justi√ßa no fim de suasvidas. 


Refer√™ncia 

CARABAS, Markus. Anubis: The History and Legacy of the Ancient Egyptian God of the Afterlif

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CINEMA - JOHNNY DEPP


Johnny Depp n√£o √© apenas uma grande estrela, mas sua escolha n√£o convencional de papeis no cinema o tornou um personagem fascinante e misterioso, agradando a p√ļblicos t√£o diversos quanto os papeis que ele desempenha. 

Com apari√ß√Ķes em filmes infantis e adultos, como Willy Wonka em a Fant√°stica F√°brica de Chocolate e Ed Wood, Johnny Depp tem um apelo entre gera√ß√Ķes no mercado de massa. Tra√ßando sua carreira desde sua estreia em A Hora do Pesadelo em 1984 at√© sua atua√ß√£o extravagante como a voz de Victor Van Dort em Noiva Cad√°ver e o sucesso espetacular da franquia Piratas do Caribe , mostram como o ator conquistou um nicho com sucesso para si mesmo como um artista s√©rio, um tanto sombrio e idiossincr√°tico, selecionando consistentemente personagens que surpreenderam a cr√≠tica e o p√ļblico. 

Outros aspectos da vida do ator incluem a sua carreira como m√ļsico.


Refer√™ncia 

GOODALL, Nigel. The Secret World of Johnny Depp: The Intimate Biography of Hollywood's Best Loved Rebel.

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 C√ĒMODO, O INSANO - IMP√ČRIO ROMANO 


C√īmodo recebeu o t√≠tulo de C√©sar j√° aos 5 anos de idade, o que equivalia a uma pr√©-nomea√ß√£o para governar o mundo. 

Aos 12 anos, ao constatar que a √°gua do banho n√£o estava suficientemente aquecida, ordenou que o criado respons√°vel fosse jogado na fornalha. 

Aos 17 anos, foi empossado co-imperador e reinou em conjunto com o pai Marco Aur√©lio durante tr√™s anos. 

Aos 19 anos, de acordo com o historiador Dion C√°ssio contempor√Ęneo de C√īmodo, o jovem tornou-se chefe de Estado por ter envenenado seu pai. De acordo com o filme "Gladiador", do diretor Ridley Scott, C√īmodo, interpretado por Joaquin Phoenix, asfixiou seu pai. Outros argumentam, no entanto, que seu pai pode ter morrido de uma doen√ßa contagiosa, possivelmente a peste. 

Independentemente de como, ou mesmo se, ele matou seu pai, ningu√©m contesta que, a partir do momento em que o jovem assumiu como soberano romano em 180 d.C., ele mandou e desmandou em Roma. 

No poder, ele se revelaria um megaloman√≠aco de marca maior. Tentou, entre outras coisas, mudar o nome de Roma para Comod√īnia, e substituir os nomes dos meses do ano pelos seus pr√≥prios – o que quase enchia um semestre, porque ele chamava C√©sar Marco Aur√©lio C√īmodo Antonino Augusto – e pelos t√≠tulos honor√≠ficos que recebia do Senado romano, como Invicto, F√©lix e Pio. 

Durante os 84 anos anteriores ao governo de C√īmodo, conhecido como o per√≠odo dos “Cinco Bons Imperadores”, Roma prosperou sob Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio e o pai de C√īmodo, o distinto “imperador fil√≥sofo”, Marco Aur√©lio, cujo culpa grave foi sua decis√£o desastrosa de nomear seu filho  incompetente e desequilibrado como seu co-imperador e sucessor. 

O novo imperador era obcecado por esportes – e por sexo. Junto com a esposa, Crispina, e a amante chamada Marcia, ele mantinha um har√©m de 600 concubinas, divididas igualmente entre mo√ßas e rapazes. 

Ele entregou a administra√ß√£o do imp√©rio √† sua amante e a v√°rios de seus corruptos favoritos. 

DIVINO?

C√īmodo queria muito ser aclamado como divino e assim, imitando o deus H√©rcules, passou a usar peles de le√£o e carregar um porrete (imagine a cena!). 

Ele gostava de beber, jogar, correr de bigas e ca√ßar, mas, acima de tudo, ele se via como um grande gladiador, fazendo suas estripulias na arena do Coliseu, m*tando feras e enfrentando gladiadores, embora haja s√©rias d√ļvidas quanto √† qualidade e √† motiva√ß√£o dos oponentes que eram escalados para medir for√ßas com o imperador. Como Herodiano escreveu: “Em seus combates de gladiadores, ele derrotava seus oponentes com facilidade, e n√£o fazia mais do que feri-los, pois todos se submetiam a ele, mas apenas porque sabiam que ele era o imperador, n√£o porque ele era verdadeiramente um gladiador.” 

O desvairado imperador esbanjou ouro sobre o povo e o ex√©rcito e os manteve distra√≠dos. Para pagar por sua generosidade, ele taxava pesadamente os ricos e, como resultado, passou a ser odiado por eles como um traidor de sua pr√≥pria classe senatorial. 

A hist√≥ria de seu reinado est√° repleta de relatos mon√≥tonos de €x€cu√ß√Ķes cru√©is. Retratos sucessivos em moedas romanas mostram C√īmodo degenerando de um adolescente af√°vel para um adulto perturbado e dissimulado. 

Quando sua amante, Marcia, descobriu seu pr√≥prio nome em sua lista dos que seriam €x€cutados, ela entregou a C√īmodo uma ta√ßa de vinho €nv€nenado. O vinho o drogou e o deixou doente, mas n√£o o m*tou. O trabalho foi conclu√≠do um pouco mais tarde por um de seus supostos amigos, um lutador chamado Narciso, que o €str@ngulou enquanto ele estava tomando banho na banheira. C√īmodo m*rreu em 31 de dezembro de 192 d.C, aos 31 anos.


Refer√™ncia 

TURNEY, Simon. Commodus: The Damned Emperors.

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 O PECADO - 1880

Autor: Heinrich Lossow

T√©cnica: √ďleo sobre tela (55x37cm)

Acervo: Particular, local indefinido.

Rococ√≥ 

[...] 

o impulso contra um mundo imposto

& a vertigem dele sobre o v√©rtice dela 


oh virgem vênus

recebe em

teu ventre

ave toda fr√™mito 


inomin√°vel dentre teus l√°bios santos

intraduz√≠vel na tua boca entre preces 


[...] 

cavalgo em ti P√©gaso 

trinca meu corpo tece meu brado

com o teu calor me faz perder a vergonha

& todas as estribeiras junto com as certezas

abro os braços

seguro no instante

esta grade que antes me prendia

& agora ret√©m meu salto 


[...]

A OBRA

Esta pintura faz alus√£o  ao " Bal√© das Castanhas", esse acontecimento chegou at√© n√≥s atrav√©s do relato de Burchard e deu-se no Vaticano, no Pal√°cio Apost√≥lico em 30 de outubro de 1501. A barra √© pesada, muito pesada. Vamos l√°. 

Cinquenta prostitutas dançaram diante dos convivas de César Bórgis e do Papa Alexandre VI - o papa Bórgia - após o jantar. A princípio vestidos, convidados e prostitutas, depois... todo mundo nu. As castanhas em questão estavam espalhadas entre os candelabros pelo chão e as prostitutas buscavam meios de colhê-las. A regra era: as prostitutas, nuas, engatinhando pelo chão... use a imaginação amigo leitor.

Depois disso, seguiu-se o "acasalamento", com pr√™mios para aqueles que conseguissem o maior n√ļmero de c√≥pulas. Foram muitas as festas bizarras. Conv√©m salientar que segundo os registros de Burchard, no "Bal√© das Castanhas", nem C√©sar, nem Lucr√©cia, nem Alexandre VI participaram. Eles apenas observavam as bacanais que promoviam. Antes que algu√©m questione a fonte, vale lembrar que Johann Burchard era bispo, cronista e mestre de cerim√īnias de Alexandre VI.

HEINRICH LOSSOW

Nasceu em 1843, em Munique, foi um ex√≠mio pintor e ilustrador de g√™neros alem√£es. Ele era um prol√≠fico porn√≥grafo em seu tempo livre. 

Independente de Dogmas e preconceitos, sua obra para época, era desafiadora e extremamente além de seu tempo.

Lossow tamb√©m foi um grande ilustrador de livros de William Shakespeare, Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller. 


Bibliografia 

BRIVEIRA, Rodrigo. O Pecado de Voar - ou li√ß√Ķes de voo para a virgem de Heinrich Lossow. 

HORTA, Maur√≠cio. Lux√ļria: Como ela mudou a Hist√≥ria do Mundo - S√©rie Sete Pecados da Hist√≥ria.

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 DESCOBERTAS IMPRESSIONANTES
 


Experi√™ncias de J.J. Thomson em 1897 levou √† descoberta de um bloco de constru√ß√£o fundamental da mat√©ria mais de cem anos atr√°s. 

EL√ČTRON 

O f√≠sico brit√Ęnico J.J. Thomson estava se aventurando no interior do √°tomo. No Laborat√≥rio Cavendish da Universidade de Cambridge, Thomson estava experimentando correntes de eletricidade dentro de tubos de vidro vazios. Ele estava investigando um quebra-cabe√ßa de longa data conhecido como "raios cat√≥dicos". Seus experimentos o levaram a fazer uma proposta ousada: esses raios misteriosos s√£o fluxos de part√≠culas muito menores que os √°tomos, na verdade s√£o min√ļsculos peda√ßos de √°tomos. Ele chamou essas part√≠culas de "corp√ļsculos" e sugeriu que elas poderiam constituir toda a mat√©ria dos √°tomos. 


Era surpreendente imaginar uma part√≠cula residindo dentro do √°tomo – a maioria das pessoas pensava que o √°tomo era indivis√≠vel, a unidade mais fundamental da mat√©ria. 


Foi preciso mais trabalho experimental de Thomson e outros para resolver a confus√£o. Ele descobriu que os raios s√£o compostos de el√©trons: part√≠culas muito pequenas e carregadas negativamente que s√£o de fato partes fundamentais de cada √°tomo. 


PR√ďTON

Em 1911, Ernest Rutherford, que realizou muitos experimentos para explorar a radioatividade, fez um experimento no qual descobriu que o √°tomo deve ter uma carga central positiva concentrada que cont√©m a maior parte da massa do √°tomo. Ele sugeriu que o n√ļcleo continha uma part√≠cula com carga positiva o pr√≥ton. √Ātomos de diferentes elementos t√™m diferentes n√ļmeros de pr√≥tons, dando aos seus n√ļcleos cargas diferentes. Isso significava que o n√ļcleo de hidrog√™nio (ele tem um pr√≥ton) era uma part√≠cula elementar. Rutherford o chamou de pr√≥ton, da palavra grega "protos", que significa "primeiro". 


NÊUTRON

Em 1932, James Chadwick, um físico inglês que havia trabalhado com Rutherford, detectou nêutrons e mediu sua massa em um jogo invisível de bilhar. Ele disparou os nêutrons em um bloco de parafina, que tem alta concentração de hidrogênio e, portanto, é rico em prótons. Alguns dos nêutrons colidiram com prótons na cera e os nocautearam. Chadwick poderia então detectar esses prótons e medir sua energia. Usando seu conhecimento de energia e momento, ele foi capaz de calcular a massa dos nêutrons a partir da faixa de energias dos prótons que eles derrubaram. Ele descobriu que sua massa era ligeiramente maior que a de um próton. Chadwick, como Rutherford, usou um método engenhoso para sondar o que não pode ser visto.


Refer√™ncia 

Who discovered electrons,protons, and neutrons? Universidade da Califórnia.

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OMO I - O MAIS ANTIGO F√ďSSIL HUMANO
 


Os humanos modernos surgiram no leste da √Āfrica pelo menos 38 mil anos antes do que os cientistas pensavam anteriormente.

Essa conclus√£o foi tirada de vest√≠gios de uma erup√ß√£o vulc√Ęnica colossal usada para datar os primeiros f√≥sseis indiscut√≠veis do Homo sapiens . 


Os restos mortais, apelidados de Omo I, foram descobertos no local Omo Kibish (f 2), perto do rio Omo, na Eti√≥pia, na d√©cada de 1960. Estimativas anteriores datavam os f√≥sseis humanos em cerca de 195 mil anos. Agora, uma nova pesquisa publicada em 12 de janeiro de 2022 na revista Nature conta uma hist√≥ria diferente – os restos s√£o mais antigos do que uma colossal erup√ß√£o vulc√Ęnica que abalou a regi√£o h√° cerca de 233 mil anos. A nova estimativa coloca os f√≥sseis ainda mais firmemente entre os mais antigos restos de Homo sapiens j√° descobertos na √Āfrica, perdendo apenas para esp√©cimes de 300 mil anos encontrados no s√≠tio de Jebel Irhoud no Marrocos em 2017. No entanto, os cr√Ęnios de Jebel Irhoud variam bastante em sua caracter√≠sticas f√≠sicas dos humanos modernos para alguns cientistas contestarem sua classifica√ß√£o como Homo sapiens. Isso significa que a nova descoberta marca a data√ß√£o incontest√°vel mais antiga dos humanos modernos na √Āfrica. 


"Ao contr√°rio de outros f√≥sseis do Pleistoceno M√©dio, que se acredita pertencerem aos est√°gios iniciais da linhagem do Homo sapiens, Omo I possui caracter√≠sticas humanas modernas inequ√≠vocas, como uma ab√≥bada craniana alta e globular e um queixo", explica o coautor do estudo Aur√©lien Mounier, paleoantrop√≥logo do Mus√©e de l'Homme em Paris, referindo-se √† ab√≥bada craniana globular como o espa√ßo onde o c√©rebro fica dentro do cr√Ęnio. 


COMO FOI FEITA A DATA√á√ÉO 

Os restos mortais fossilizados foram encontrados no vale do Rift da √Āfrica Oriental, uma zona onde a placa tect√īnica africana est√° em processo de divis√£o em duas placas menores, a placa somali e a placa n√ļbia. Apesar de descobrir os f√≥sseis h√° mais de 50 anos, os cientistas achavam dif√≠cil dar ao Omo I uma idade conclusiva. 


Os f√≥sseis n√£o possu√≠am artefatos de pedra ou fauna pr√≥ximos que pudessem ser datados, e as cinzas sob as quais foram enterrados eram muito finas para radiometria - um m√©todo que quantifica as quantidades de certos is√≥topos radioativos (vers√Ķes de um elemento com um n√ļmero diferente de n√™utrons em n√ļcleo) com taxas de decaimento conhecidas.

Para contornar esses problemas, os pesquisadores coletaram amostras de pedra-pomes do vulc√£o Shala a mais de 400 quil√īmetros de dist√Ęncia, triturando-as at√© que tivessem menos de um mil√≠metro de tamanho. Ao realizar uma an√°lise qu√≠mica na pedra-pomes encontrada no vulc√£o e compar√°-la com a camada de cinzas no sedimento acima de onde os f√≥sseis foram encontrados, os pesquisadores puderam confirmar que ambos compartilhavam a mesma composi√ß√£o qu√≠mica e, portanto, vinham do mesma erup√ß√£o. Descobriu-se que as amostras de pedra-pomes e a camada de cinzas t√™m aproximadamente 233 mil anos – o que significa que os f√≥sseis de Omo I encontrados abaixo das cinzas t√™m pelo menos a mesma idade ou mais.

"Primeiro, descobri que havia uma correspond√™ncia geoqu√≠mica, mas n√£o t√≠nhamos a idade da erup√ß√£o do vulc√£o Shala", relata a principal autora C√©line Vidal, vulcan√≥loga da Universidade de Cambridge. "Enviei imediatamente as amostras do vulc√£o para nossos colegas em Glasgow para que pudessem medir a idade das rochas. Quando recebi os resultados e descobri que o Homo sapiens mais antigo da regi√£o era mais velho do que se supunha anteriormente, fiquei muito empolgada." 

"Provavelmente n√£o √© coincid√™ncia que alguns dos primeiros ancestrais da humanidade viveram em um vale geologicamente ativo", explica Clive Oppenheimer, vulcanologista da Universidade de Cambridge. A atividade tect√īnica criou lagos que coletavam √°gua da chuva, n√£o apenas fornecendo √°gua doce, mas tamb√©m atraindo animais para ca√ßar; e os 7.000 km de Great Rift Valley – dos quais o Vale do Rift da √Āfrica Oriental √© apenas uma pequena parte – serviu como um enorme corredor de migra√ß√£o, para humanos e animais que corriam do (atual) L√≠bano, no norte, at√© Mo√ßambique no sul.


Apesar de ter encontrado a idade m√≠nima das amostras de Omo I, os pesquisadores ainda precisam encontrar uma idade m√°xima para ambos esses f√≥sseis e o surgimento mais amplo do Homo sapiens no leste da √Āfrica. Eles planejam fazer isso ligando mais cinzas enterradas a mais erup√ß√Ķes de vulc√Ķes ao redor da regi√£o, dando-lhes uma linha do tempo geol√≥gica mais firme para as camadas sedimentares em torno das quais os f√≥sseis da regi√£o s√£o depositados. “Nossa abordagem forense fornece uma nova idade m√≠nima para o Homo sapiens no leste da √Āfrica, mas o desafio ainda permanece para fornecer um limite, uma idade m√°xima, para seu surgimento, que se acredita ter ocorrido nesta regi√£o”, quem explica √© Christine Lane, geocronologista da Universidade de Cambridge. “√Č poss√≠vel que novas descobertas e novos estudos possam estender a idade de nossa esp√©cie ainda mais no tempo”. 


Refer√™ncia 

VIDAL, Céline M. et al. Age of the oldest known Homo sapiens from eastern Africa (2022).

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MASSACRE DOS INOCENTES - 1824


T√≠tulo original: Sc√®ne du massacre des Innocents
Autor: L√©on Cogniet 

T√©cnica: √ďleo sobre tela (104,3x92,5cm).
Acervo: Museu de Belas Artes de Rennes, Fran√ßa.

Uma mulher aterrorizada, tentando salvar o seu filho, impede-o de gritar ou chorar colocando-lhe a mão sobre a boca. Enquanto segura o filho envolto em suas roupas, a mulher apavorada, com os olhos dilatados e com os pés sujos, oferece a síntese do realismo pretendido.
O espectador √© o √ļnico que testemunha a cena em sua totalidade, diante da figura feminina que o contempla, com os olhos que vivificam o assombro, e a fragilidade do beb√™ em seu colo. Se ele chorar, a morte imaginada pela m√£e, ser√° concretizada. O espectador √© posto, portanto, n√£o como p√ļblico est√°tico e sim como aquele que precisa se aquietar para n√£o denunciar a presen√ßa da jovem. Ou o espectador √© justamente a presen√ßa da den√ļncia t√£o temida por aquele olhar desnudo da jovem m√£e.

OBRA
A primeira refer√™ncia que essa bel√≠ssima obra nos apresenta, √© o massacre de beb√™s em Bel√©m por Herodes. Apesar do contexto b√≠blico, √© um retrato doloroso e atemporal da amea√ßa da morte nas guerras, a obra ecoa pelas in√ļmeras v√≠timas de atentados e pelo horror que as mesmas sofrem pelo esquecimento. A obra de Cogniet transparece a impot√™ncia do espectador diante da morte e o elo universal com a personagem do quadro, uma mulher representativa de tantas outras.
Com efeito, o artista escolhe retratar a cena por meio de dois recortes: a cena que se passa por toda a cidade de Bel√©m, ao canto, com o desespero de uma m√£e correndo a fim de proteger seus dois beb√™s enquanto um soldado a persegue. E, no primeiro plano, a cena de mais uma m√£e que pode ser a pr√≥xima a ter o destino do segundo plano, tal como uma trama narrada em dois atos. Contudo, a uni√£o entre as cenas √© o olhar posto pelo artista. Podemos ser o soldado que descobriu m√£e e beb√™, a quem ambos temem. O olhar de resigna√ß√£o inocente do beb√™ indica que seu destino ser√° igual aos dos demais. Mas Cogniet preserva tamb√©m a segunda possibilidade, de o observador ser o olhar secreto, de quem deseja preservar as duas vidas, a √ļltima conex√£o humana destes personagens, ao mundo.

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ILUSTRAÇÃO - 1762


Est√° √© uma ilustra√ß√£o de 1762 de uma mulher afastando o diabo com a sua genit√°lia. A ilustra√ß√£o foi usada para acompanhar o poema "The Devil of Pope Fig Island" do poeta franc√™s do s√©culo XVII, Jean de la Fontaine. 

ASSUSTADORA 

Por muitos séculos o órgão genital feminino foi visto como impuro e assustador. A ilustração apresentada é uma evidência disso,

as pessoas pensavam que a vulva era t√£o horr√≠vel que poderia assustar o pr√≥prio diabo. Satan√°s podia lidar com os horrores do inferno e positivamente desfrutou de todo o pecado e maldade na terra, mas uma vagina p€lud@ era o suficiente para mand√°-lo embora. Vaginas assustadoras s√£o um tema muito recorrente ao longo da hist√≥ria. Hist√≥rias de "vaginas com dentes" est√£o por toda parte – como por exemplo, no hindu√≠smo. 

Foi somente na transi√ß√£o do s√©culo XIX para o XX que essa cren√ßa perdeu for√ßa. 

Refer√™ncia 

Plínio, História Natural.

HINDSON, Bet

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A SAND√ĀLIA DE TUTANC√āMON 


A descoberta da tumba de Tutanc√Ęmon por Howard Carter em 1922 √© uma das descobertas arqueol√≥gicas mais significativas de todos os tempos. Carter e sua equipe levaram 10 anos para limpar o conte√ļdo da tumba e entre os objetos encontrados estava uma grande cole√ß√£o de sapatos e sand√°lias. 

Este √© um dos muitos cal√ßados encontrados na tumba de tutanc√Ęmon, de aproximadamente 1323 a.C. 

As laterais s√£o cobertas por uma malha de quase 500 contas quadradas e redondas, o fechamento precisou de quase 400 an√©is de 2,5mm para serem fixadas juntas para formarem pequenos canos de 16 an√©is cada atrav√©s dos quais as cordas de couro passam. 

A colora√ß√£o original (mais v√≠vida) sofreu desgaste com o passar do tempo. Mas ainda √© poss√≠vel ver que as cores predominantes eram verde e o vermelho. O couro da sand√°lia foi muito provavelmente untado com gordura/√≥leo. 


Refer√™ncia 

VELDMEIJER, André J. Tutankamon'

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O HOLAND√äS VOADOR 

O oceano √© frequentemente objeto de in√ļmeras supersti√ß√Ķes e atividades paranormais. Muitos desses mitos foram retratados em filmes (cultura pop) e √≥peras.  Uma dessas lendas √© a do Holand√™s Voador, um navio fantasma not√≥rio por ser o press√°gio de m√° sorte. Como √© o caso dos mitos, existem muitas vers√Ķes diferentes da hist√≥ria. 

HIST√ďRIAS FASCINANTES 

Este mito se originou no s√©culo XVII e segue a hist√≥ria de um capit√£o chamado Van Der Decken, navegando pelo Cabo da Esperan√ßa, uma parte do mar famosa por suas tempestades e clima terr√≠vel. O capit√£o do navio promete atravessar o Cabo, mesmo que demore uma eternidade. Ao ouvir este juramento, o diabo amaldi√ßoa todo o navio junto com sua tripula√ß√£o para vagar pelo oceano para sempre. A √ļnica esperan√ßa de salva√ß√£o para o capit√£o e sua tripula√ß√£o √© que o capit√£o encontre algu√©m que realmente o ame. No entanto, essa tarefa √© quase imposs√≠vel, pois ele pode visitar a costa apenas uma vez a cada sete anos para encontrar aquele amor verdadeiro. 

Outra vers√£o da hist√≥ria inclui o capit√£o do navio praticando rituais sat√Ęnicos a bordo. Ele voluntariamente se corteja ao perigo de entrar no Cabo em condi√ß√Ķes clim√°ticas adversas, desafiando os deuses. Isso leva os deuses a ficarem com raiva dele, e ele √© jogado no olho da tempestade e condenado a navegar por todos os oceanos para sempre sem nunca chegar ao porto. 

H√° tamb√©m uma terceira vers√£o desse mito, segundo a qual um dos tripulantes do navio pediu ao capit√£o que voltasse do Cabo da Boa Esperan√ßa, mas o capit√£o matou o rebelde e jogou seu corpo no mar. O descaso do capit√£o pelo bem-estar de sua tripula√ß√£o fez com que todo o navio navegasse pelos oceanos por toda a eternidade junto com sua tripula√ß√£o. Reza a lenda que o navio ainda est√° no mar e tenta interagir com outros viajantes. √Č um navio verde e brilhante que de repente aparece do nada e desaparece misteriosamente. Acredita-se tamb√©m que aqueles que encontram o navio durante sua viagem encontram infort√ļnios horr√≠veis.


Refer√™ncia 

JACQUES, Brian. Castaways of the Flying Dutchman.

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O TRAJE DE MERGULHO MAIS ANTIGO DO MUNDO
 


Assemelhando-se a uma criatura de pesadelo, o "Velho Cavalheiro de Raahe" √©, de fato, o traje de mergulho mais antigo do mundo. Embora sua origem n√£o seja totalmente conhecida, o traje parece remontar √† Finl√Ęndia do s√©culo XVIII. 

O Velho Cavalheiro, tamb√©m conhecido como Wanha Herra, foi doado ao Museu Raahe pelo Capit√£o Johan Leufstadius (1829-1906), mestre marinheiro e armador, na d√©cada de 1860. Naquela √©poca, a cidade de Raahe, no Golfo de B√≥tnia, era um centro de navega√ß√£o movimentado, onde as opera√ß√Ķes de mergulho provavelmente eram necess√°rias. 

O traje já foi usado para inspecionar o fundo de um veleiro. O mergulho provavelmente durou curtos períodos de tempo porque o traje não era completamente à prova d'água e também não suportava por muito tempo a alta pressão encontrada debaixo d'água.

Este traje de mergulho antigo j√° foi um equipamento de √ļltima gera√ß√£o que garantiu a transi√ß√£o do sino de mergulho para o equipamento de mergulho pesado padr√£o. Usando m√©todos e materiais dispon√≠veis no s√©culo XVIII, o fabricante construiu o traje de couro de bezerro costurado com linha encerada. O couro foi impermeabilizado com o uso de uma mistura de sebo de carneiro, alcatr√£o e piche. O cap√ī do Velho Cavalheiro era refor√ßado com tiras de madeira e o ar era bombeado para dentro atrav√©s de um cano de madeira. Para entrar no traje, o mergulhador teria que entrar em um buraco "na barriga" do traje. O buraco era ent√£o fechado torcendo uma tira de couro e prendendo-a ao redor da cintura do mergulhador. 

FUNCIONA MESMO

Em 1988, o conservador do Museu Raahe, Jouko Turunen, adaptou uma reprodução perfeita do Velho Cavalheiro usando os mesmos métodos e materiais encontrados na versão do século XVIII. Conhecido como o Jovem Cavalheiro, ou Nuori Herra, o novo traje de mergulho provou que pode servir ao seu propósito. Vários experimentos subaquáticos, incluindo um mergulho de 40 minutos, mostraram que o traje era totalmente funcional.


Referência

The Old Gentleman of Raahe, the Oldest-known Surviving Diving Suit in the World. Dive.site.

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A rela√ß√£o hist√≥rica do Brasil com a Ucr√Ęnia. 

Com uma longa tradi√ß√£o de imigrantes ucranianos, temos a quarta maior comunidade de descendentes de Ucranianos no mundo, a maior na Am√©rica Latina, sendo 80% desta comunidade localizada no Paran√°, o Brasil deve ao pa√≠s do leste europeu alguns de seus nomes mais not√°veis no campo da cultura.

Um desses nomes foi uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, Clarice Linspector, seu real nome era Chaya Pinkhasivna Lispector, a  artista nasceu na aldeia ucraniana de Chechel'nyk, em 1920. 

Aos dois anos de idade em 1922, fugindo da fome e dos conflitos que aconteceram na regi√£o na d√©cada anterior, e sobretudo da persegui√ß√£o de seu povo j√° que sua fam√≠lia era judia, a futura autora de "A Hora da Estrela" e "Perto do Cora√ß√£o Selvagem" se mudou para o Brasil, primeiro para morar no Recife e em seguida no Rio de Janeiro. 

Apesar disso Clarice dizia n√£o ter nenhuma liga√ß√£o com a Ucr√Ęnia - "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" - e que sua verdadeira p√°tria era o Brasil

A autora morreu em 1977, deixando dois filhos e uma vasta obra liter√°ria composta de romances, novelas, contos, cr√īnicas, literatura infantil e entrevistas.

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 M√°quinas de banho da era vitoriana da d√©cada de 1890.⁣

Durante esse per√≠odo, as mulheres eram obrigadas a ficar totalmente vestidas at√© entrarem em uma m√°quina de banho para vestir um mai√ī. Em seguida, algu√©m levaria o carrinho para o oceano, para que as mulheres pudessem entrar na √°gua em particular sem serem vistas em seus trajes de banho.

O dramaturgo irland√™s, Walley Chamberlain Oulton, descreveu-os como "carruagens de quatro rodas, cobertas com lona, ​​e tendo em uma das extremidades um guarda-chuva do mesmo material que desce at√© a superf√≠cie da √°gua, para que o banhista des√ßa  da m√°quina por alguns passos √© escondido da vista do p√ļblico, por meio do qual a mulher mais refinada pode desfrutar das vantagens do mar com a mais estrita delicadeza."⁣

As m√°quinas de banho foram usadas ativamente na Inglaterra at√© o final da d√©cada de 1890, quando ficaram permanentemente estacionadas nas praias.  Em 1914, no entanto, a maioria deles havia desaparecido do Reino Unido.


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POR ETIENE BOUÇAS