Foto: ilustração
Previsão do tempo para sábado dia 13 de junho de 2026 para todo o Brasil, por regiões.
| Foto: Verdade na Prática |
Do outro lado da rua passava ela —
Maria, Júlia, Iracema… não sei quem era.
Nos braços, uma criança de colo;
na cabeça, uma pilha de papéis —
jornais, talvez — prontos para vender.
O rosto mostrava o cansaço e a fome,
os pés, sujos, calçavam chinelas gastas.
O corpo, coberto de trapos,
falava de uma vida esquecida.
As pessoas passavam, apressadas,
fingindo não vê-la —
pois ver doía,
ver pesava na consciência.
Ela seguia o fluxo da multidão,
sempre pela beirada,
junto ao meio-fio,
para não atrapalhar ninguém.
Eu também fingi não vê-la.
Tive medo de cruzar seu olhar,
porque se o fizesse,
morreria um pouco por dentro,
por nada fazer por fora.
E então nos perguntamos:
onde estão as autoridades?
Estão onde sempre estiveram —
longe do povo,
longe do pobre,
longe da fome.
Ela se foi.
E eu fiquei —
com a alma apertada,
carregando a velha angústia
de ser, mais uma vez,
indiferente.
Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco
Tambem publicado em:
Cascais - Lisboa - Portugal
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Geraldo Brandão

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| Foto: Ilustração |
Nesta coluna, teremos sempre alguns pequenos textos conhecidos como microcontos. Parece simples compô-los, mas não o é. Para os compor, o autor deve dispor de uma boa ideia primária a ser desenvolvida, combinada com alguma habilidade para brincar com as palavras, tudo a se encaminhar para um final contraditório, nalguns casos, ou surpreendente, noutros.
| Foto: Verdade na Prática |
Goa, Índia de antiga beleza,
Areias que o mar acaricia,
Veredas entre arrozais em flor,
No abraço quente do teu povo
Guardei os passos da juventude,
Investi ali minha mocidade.
2.
Lembranças tuas — tantas cores,
Teus cheiros que nunca se olvidam,
Teus mantras que ao vento dançam,
E o sino das velhas igrejas —
Tudo te veste, ó Goa,
Como princesa do Oriente.
3.
E como sinto a tua falta!
Quero de ti comer meus dias,
Quero de ti beber saudades;
Quero dormir nos teus braços,
Sentir-me príncipe ao teu regaço,
Inteiramente entregue a ti.
4.
Pois és terra que me reclama,
És chama que nunca se apaga,
És sonho que sempre retorna;
E enquanto o coração suspira,
Minha alma viaja ao teu encontro,
Para de novo chamar-te “minha”.
Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco
Tambem publicado em:
Cascais - Lisboa - Portugal
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Geraldo Brandão

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