Microcontos: Estante CCCXXII...

Foto: Ilustração

Nesta coluna, teremos sempre alguns pequenos textos conhecidos como microcontos. Parece simples compô-los, mas não o é. Para os compor, o autor deve dispor de uma boa ideia primária a ser desenvolvida, combinada com alguma habilidade para brincar com as palavras, tudo a se encaminhar para um final contraditório, nalguns casos, ou surpreendente, noutros. 


440


— Não gostei nada do que você escreveu sobre mim no seu conto. — E eu também não gostei nada do que você fez comigo! Como é que fica?


Autor: Gustavo do Carmo




Perder e viver 


Lutou para perder. Peso.

O praticante de artes marciais havia ganho cinco quilos durante a pandemia e pretendia se livrar deles o quanto antes.



Autor: Marcos Mairton


 


Geração estranha


Precisava reforçar os vínculos emocionais e aumentar seu bem-estar. Deixou o filho na creche, internou a mãe no asilo, e foi passear com os cães na praça.


Autora: Zi Carloni





Ferimentira de criança


No hospital imaginário, duas crianças verdadeiras faziam curativos falsos. Bebiam o éter de brinquedo — que era apenas água de verdade — e comiam o algodão de mentira, que era um gostoso e autêntico algodão-doce.

 


Autor: Magno Reis Andrade




1398


  Antes, na maioria dos dias, você nem lia os jornais.


Autor: Lucas Beça




724


O poeta viu a pedra no meio do caminho.
O engenheiro a removeu.
 Com ela, o garimpeiro fez fortuna.
O ourives a lapidou.
O amante conquistou a amada.
E a amada quedou- se ao seu brilho.
Porém, o amor não vingou.
O advogado partilhou a gema.
E o juiz sentenciou: tinha uma pedra no meio do caminho.


Autor: Cynthia Nogueira 




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Geraldo Brandão


Também publicado em


Umas Linhas


Santa Isabel - São Paulo - Brasil


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