Leitura e reflexão: Eu me sinto infinito.

Foto: Verdade na Prática
  Eu me sinto infinito


A frase “eu me sinto infinito” é retirada do livro de Stephen Chbosky entitulado “As Vantagens de Ser Invisível”, um

romance escrito a duas décadas que retrata o drama vivido por um adolescente. A frase “eu me sinto infinito” retrata bem o sentimento vivido na adolescência onde nos imaginamos como o centro do mundo e com todos os hormónios e adrenalina à flor da pele podemos mesmo dizer “eu me sinto infinito”. Lembro-me de ter ouvido o testemunho de um pastor evangélico que ao narrar sua experiência de conversão no auge da adolescência disse que quando se viu num leito de morte com uma tuberculose gravíssima foi quando ele se deu conta que adolescentes também morrem. Na verdade há uma enorme diferença em sentir-se infinito e ser infinito. Como dizia minha mãe com toda sua simplicidade, ninguém fica para semente. 

Algumas coisas acontecem quando nos sentimos infinitos, nos tornamos arrogantes, donos da verdade, nos importamos pouco com os outros e com o que eles pensam, perseguimos sonhos tolos e insistimos em uma teimosia que apenas apontam para nossa ruína. Entretanto, quando nos damos conta da nossa finitude, passamos a rever nossas prioridades. Já não nos achamos donos da verdade, mas estamos abertos aos conselhos, em especial dos mais velhos e daqueles que querem o nosso bem. Já não perseguimos sonhos tolos, pois amadurecemos e passamos a andar com os pés no chão. E passamos a rever nossas prioridades, nos apercebemos que nossas prioridades devem ser amar aqueles que Deus colocou a nossa volta e fazermos o suficiente para sermos igualmente amados. 

Na verdade Stephen Chbosky em sua obra tenta mostrar o quanto de ingenuidade ainda existe em cada um de nós. Ser ingénuo tem dois lados, o positivo, quando somos ingénuos quanto as malícias deste mundo, como também tem um lado negativo, quando deixamos de amadurecer. É importante lembrar que o amadurecimento é um processo que ocorre a vida toda. Nos sentirmos infinitos é uma ingenuidade que pode nos levar a perder o melhor da vida: o efémero. Isto mesmo, o melhor da vida é efémero. Vamos ser honestos, cinquenta anos, sessenta, setenta ou oitenta passam num piscar de olhos. De repente quando nos damos conta fomos tragados pela idade, então nos perguntamos: O que sobrou para além da vaidade? Vaidade não é apenas nos sentirmos melhores que os outros, é achar que podemos caminhar sozinhos pela vida, é nos cercarmos apenas de gente que pensa como nós mesmos e nos empenharmos cegamente numa jornada destrutiva. Vaidade é deixar para trás pessoas que nos amaram, nos foram fiéis, que caminharam conosco uma boa parte do caminho para perseguirmos sonhos egoístas.

Que possamos despertar para a realidade da vida! Não, eu não me sinto infinito, sinto-me vulnerável, fraco, carente e dependente de bons amigos.


Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco



Tambem publicado em:

Verdade na Prática 

wordpress 

Cascais - Lisboa - Portugal

-----------------------------------

Geraldo Brandão

SIGA-NOS

Para seguir o Jornal da Cabriola e receber nossas atualizações clique na imagem abaixo:

Se não entrar CLIQUE AQUI