| Foto: Verdade na Prática |
Cuidai-vos uns dos outros
Um dos privilégios em ser cristão está no fato de convivermos numa comunidade de pessoas mutuamente responsáveis pela vida uns dos outros.
A advertência apostólica sobre o viver cristão comunitário é que este cuidado deve ser a base da nossa relação: “Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” (Cl 3:13). Isto significa que não apenas os obreiros bíblicos oficiais da igreja, diáconos e pastores, são os responsáveis pelo cuidado pastoral da comunidade.Este aspecto é pouco falado e pouco vivenciado em nossas comunidades, fazendo que recaia sobre os pastores, que nem sempre possuem tempo e condições de cuidar de toda a igreja. A verdade é que determinados assuntos devem ser discutidos e tratados com pastor da igreja, mas na maioria das vezes, aquela palavra de ânimo, exortação, encorajamento e repreensão pode partir de qualquer irmão da igreja que esteja apto para isto. Com apto, o quero dizer, é que tal pessoa precisa estar em plena comunhão com Deus e com a igreja antes de poder aconselhar ou se envolver na vida de outro.
Neste breve texto espero deixar algumas orientações importantes para a igreja no que diz respeito ao cuidado espiritual dos crentes, visando assim uma maior participação da comunidade neste ministério do cuidado cristão:
- Todo cristão deve viver de forma tal que em qualquer momento ele esteja preparado para consolar, ensinar, exortar ou repreender seu irmão em Cristo. “Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2 Tm 3:17).
- Todo cristão deve ser humilde o bastante para receber este cuidado por parte de toda a comunidade e não apenas dos obreiros oficiais. “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.” (Cl 3:16).
- Não espere que as pessoas adivinhem o que se passa na sua vida, se precisa de ajuda, busque dentro da comunidade, e se preciso, procure o pastor para obter a ajuda necessária e no tempo certo, onde ainda é possível haver cura, arrependimento e restauração. “Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam.” (Pv 15:22).
- Não busque conselho com pessoas em disciplina, descrentes e fora da comunhão da igreja. “Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?” (Jó 38:2).
- Homens devem buscar conselho com outros homens e mulheres com outras mulheres, pois não é prudente um homem e uma mulher não casados compartilharem demasiada intimidade, pois além do risco de cair no pecado, corremos o risco de criar uma aparência do mal. “Abstende-vos de toda a aparência do mal.” (1 Ts 5:22).
- O pastor só deve aconselhar uma mulher sozinho em local público, ou no escritório pastoral com portas de vidro e janelas abertas, de forma que aqueles que estão do lado de fora sejam capazes de observar o que se passa lá dentro ou entre os dois. “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” (1 Co 10:12).
- Seja obediente ao conselho ou admoestação dada pelo pastor da igreja. “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hb 13:17).
- Entenda que a ajuda que pode conseguir na igreja o que diz respeito ao aconselhamento é primeiramente de cunho pastoral. O pastor não é psicólogo, nem terapeuta ou psiquiatra. Se precisa de ajuda nesta área, deve buscar com profissionais capazes de realmente lhe ajudar nesta sua necessidade.
- Todo aconselhamento deve ser livre de cumplicidades, isto é, ninguém deve se tornar cúmplice de outro através do aconselhamento. O conselheiro deve ser livre para dizer a verdade e deixar com que a pessoa responda segundo o temos de Deus que houver em seu coração.
- Cuidado com aconselhamentos que se tornam vícios, ou seja, a pessoa nunca melhora ou não dá nenhum passo por si mesma sem a sua direção. Este tipo de relação não é saudável, impede que a pessoa cresça na sua fé assumindo suas responsabilidades espirituais e livra o conselheiro da cilada maligna da manipulação.
A lista acima poderia ser mais extensa, mas acredito que temos aqui o suficiente para desenvolvermos uma cultura de mútuo cuidado na igreja.
No Senhor,
Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco
Tambem publicado em:
Cascais - Lisboa - Portugal
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Geraldo Brandão
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