| Foto: Verdade na Prática |
Caminhar descalço
Nem sempre estar vivo é sorte,
Às vezes é como uma longa caminhada descalço
Sobre pedras pontiagudas.
É o pilar sobre o qual sustenta-se toda esta coisa chamada vida.
São pés simbólicos,
Pois nem todos podem pôr-se em pé,
Mas ainda assim caminham sobre as mesmas pedras do sofrimento.
Sou o poeta da dor, aliás, sentamo-nos diariamente juntos
E ao fim da tarde fazemos um balanço do dia.
Não é amizade com a dor é a sina desgraçada que rodeia-me
Como se fora uma amante desesperada.
Não, não posso revelar todos os meus desgostos,
Não, não posso revelar todos os meus dissabores,
Não, não posso revelar todos os meus sentimentos.
Seria simplesmente insuportável,
E assim, entre uma desilusão e outra vou levando a vida,
Sem esboçar revolta,
Estampo na cara uma felicidade pálida,
Expresso uma alegria que sai exprimida,
Enquanto na verdade mal consigo manter-me em pé.
Suporto nos ombros os pesos que são meus e dos outros,
Suporto as manias, medos e injúrias como se fossem todas minhas.
No final, sigo só, passo a passo,
Sobre pedras pontiagudas,
Que vão deixando não na pele,
Mas na alma as suas marcas,
Enquanto sigo como um pèlerin solitaire.
Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco
Tambem publicado em:
Cascais - Lisboa - Portugal
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Geraldo Brandão
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