Leitura e reflexão: Relógio.

Foto: Verdade na Prática

Relógio

Faz tanto tempo que não uso relógio,
De propósito deixei-o guardado, bem não sei onde.
O relógio é novo e dos bons,
Uma hora destas esbarro com ele numa gaveta qualquer.

Meu amigo, daqueles mais chegados que irmão,
Comprou-me um relógio em Miami, caríssimo,
Não aceitei, não quero relógios.
Presente para poeta é caneta e Moleskine.

Desde que abandonei o relógio, abandonei também a urgência.
Quando chegar, chegou, quando partir, partiu.
A hora não sei dizer, veio quando quis, partiu quando deu vontade.
Desde que abandonei o relógio, abandonei também a ansiedade.

Sim, tenho problemas com as horas, já cheguei antes e sai depois,
Já perdi o dia, a aula, a consulta, a visita, entre outras coisas, mas se tudo tivesse que ser na hora, não inventavam o dispositivo “remarcar”.
O dano físico, emocional e espiritual causado pela hora e muito maior que o dano de viver sem ela.
Portanto, deixei de estar preocupado com a hora e passei a observar quando é o momento.
Foi quando descobri o momento!
O momento é aquele instante intermédio entre os segundos, minutos e horas, onde se esconde a felicidade, tranquilidade, paz e as pessoas que amamos.
Me tornei mais humano livre da tirania do tempo.

Meu primeiro relógio foi um Mondaine, lindo, com números e fundo branco.
Não quero saber como será o último, não comprarei mais relógios e espero não ganhar nenhum,
Quando falam em relógio digo logo que tenho, mas estou em falta de caneta e Moleskine.
O tempo que um dia já foi uma doença para mim, hoje é nada.
Me basta saber que dia é hoje, basta saber que é o momento de dar as aulas, basta saber que a aula acabou, basta saber que alguém chegou, basta saber que já foi embora, basta saber que é manhã, tarde ou noite.

Meu tempo não é dinheiro,
Meu tempo sou eu vivendo os momentos intermédios,
Meu tempo é vida.

Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco



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Verdade na Prática 

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Cascais - Lisboa - Portugal

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Geraldo Brandão

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