| Foto: Verdade na Prática |
O corpo sou eu
Hoje em dia vejo algumas coisas que realmente me incomodam, uma delas é o desrespeito à vida e à dignidade do corpo humano. Algumas linhas filosóficas e mesmo religiosas assumem uma visão do corpo como algo ruim, a ser dominado, ignorado e mesmo maligno. O materialismo dialético possui uma visão do corpo meramente material, portanto, dissolúvel quando necessário ou quando perder sua utilidade. O idealismo por sua vez procurou interpretar a realidade do corpo como algo imanente, onde o corpo igualmente perde seu valor e sentido.
O que é o corpo? O corpo sou eu! Esta matéria não é apenas mecanismo biológico ou uma habitação temporária do ser. O corpo é a identidade tangível da pessoa, sem o qual deixamos de ser. A teologia cristã tem como um dos seus pilares apoteóticos a ressurreição e glorificação do corpo. Nesta teologia o corpo tem seu início pelas mãos divinas e seu fim ou princípio eterno pela glorificação divina. Assumindo uma cosmovisão teísta e cristã, assumo a ideia do corpo santo, digno de respeito e consideração.
Minha perspectiva filosófica e teológica não me permitem menosprezar a vida é nem o corpo de quem quer que seja, é por esta razão me oponho ao aborto, a pena de morte, a determinados tipos de eutanásia. Creio que a eutanásia passiva, num caso terminal, onde o corpo é respeitado em seus últimos passos em direção à morte também faz parte da dignidade humana.
Me surpreende a falta de sensibilidade para com a vida, seja ela de quem for. Hoje o corpo está tão banalizado que assistimos filmes onde corpos humanos são dilacerados ao mesmo tempo em que jantamos. Rimo-nos quando determinadas pessoas morrem, enquanto deveríamos chorar por viver em uma era tão desumana que leva pessoas, menos favorecidas, sem cultura ou cegas pelo fanatismo religioso e ideologias a cometerem barbaridades contra o próximo é contra elas mesmas.
Sei que minha filosofia da vida e da morte vai contra aquilo que impera em nossos dias. Mas tenho certeza que se assumíssemos uma postura semelhante como sociedade o nosso mundo seria melhor, onde todo nascimento seria um festa e cada morte um ato de solene despedida. Lembre-se todo ser humano em alguma altura da vida, se não em toda a vida, significou algo de grande valor para alguém, em especial para o Doador da Vida.
Por favor, depois do meu último suspiro cubram-me o rosto com um lenço branco, pois nesta hora estarei diante daquele que prometeu que todo aquele que nele crer, ainda que esteja morto viverá.
Lindo é corpo,
Nu como nasceu.
Horrível tornou-se
Quando vestido viveu.
Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco
Tambem publicado em:
Cascais - Lisboa - Portugal
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Geraldo Brandão
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