Governo paraguaio acusa Brasil de invasão de território em operação militar

Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O Ministério das Relações Exteriores confirmou hoje (1º) o recebimento de nota diplomática enviada pelo governo paraguaio sobre uma troca de tiros entre contrabandistas e militares brasileiros e paraguaios no Rio Paraguai. O Itamaraty informou que responderá o documento na segunda-feira (3).

De acordo com a nota enviada ao governo do Brasil, o incidente teria ocorrido na terça (28) e quarta-feira (29), próximo à cidade de Salto del Guaira, localizada perto da fronteira entre os dois países.

O embaixador brasileiro em Assunção, José Felício, foi convocado na sexta-feira (31) pelo chanceler paraguaio para receber uma nota diplomática sobre o episódio.

Segundo o governo do Paraguai, o Exército brasileiro invadiu o território paraguaio durante operações de combate a delitos na fronteira. Militares brasileiros teriam identificado seis embarcações de contrabandistas com mercadorias que seriam trazidas para o Brasil. De acordo com o governo paraguaio, os militares do Brasil trocaram tiros com os contrabandistas a 100 metros da costa paraguaia.

A assessoria de imprensa do Itamaraty esclareceu que está apurando o incidente e na segunda-feira enviará resposta ao governo paraguaio. A assessoria explicou que o Brasil deverá propor trabalho coordenado entre os dois países na região.



Zimbábue proíbe caça para evitar casos como o do leão Cecil

Agência Lusa Edição: Armando de Araújo Cardoso

O Zimbábue anunciou hoje (1º) restrições imediatas à caça de grandes animais, como leões, elefantes e leopardos, perto da reserva ambiental Hwange. A partir de agora, a caça só será permitida com autorização especial por escrito e com a presença de funcionários do parque. "A matança ilegal do leão Cecil fora do Parque Nacional de Hwange mostrou a necessidade de reforçar ainda mais as regulamentações sobre a caça em todas as áreas que fazem fronteira com o parque", informou a autoridade dos Parques Nacionais do Zimbábue (ZPWMA).

O leão Cecil era um macho dominante na reserva e ficou conhecido pela juba negra. O animal fazia parte de uma investigação científica sobre a longevidade dos leões realizada pela Universidade Britânica de Oxford, usando um colar com rádio transmissor. Na sexta-feira (31), a ministra do Ambiente do Zimbábue, Oppah Muchinguri, pediu a extradição do norte-americano Walter Palmer pela morte do leão Cecil, animal de uma espécie protegida no país e uma das principais atrações do Parque Hwange. “Infelizmente, foi tarde demais para prender o caçador estrangeiro, porque já tinha fugido para o seu país de origem” antes de o escândalo estourar, comentou a ministra. Segundo ela, “as investigações realizadas até ao momento mostram que esta caça furtiva foi muito bem organizada e bem financiada”.

De acordo com uma organização não-governamental do Zimbábue, o leão foi atraído no início de julho para fora da reserva de Hwange. O animal foi atingido por um flecha e agonizou por 40 horas até ser morto a tiro. O caçador norte-americano, muito criticado nas redes sociais e por organizações de defesa dos animais, defendeu-se por um comunicado dizendo que fez a caçada de boa-fé, não sabia que era ilegal e lamentou o ocorrido, sem dar mais detalhes sobre o caso. As autoridades norte-americanas abriram um inquérito para investigar o ocorrido.

O tribunal de Hwange também apresentou acusações contra o responsável local pela caçada, Theo Bronkhorst. O caçador profissional foi acusado de “não impedir a caça ilegal” e foi colocado em liberdade vigiada antes do início do julgamento, marcado para o próximo dia 05 de agosto. O dono da propriedade onde o leão foi caçado, Honest Ndlovu, provavelmente será acusado na próxima semana.




Quermesse budista celebra 120 anos de relações entre Brasil e Japão

Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Começa hoje (1º) a 42ª edição da quermesse do Templo Budista de Brasília. Com o tema Paz, Amizade e Acolhimento, a festa, que acontece todos os finais de semana do mês de agosto, vai celebrar os 120 anos de relações entre o Brasil e o Japão. A expectativa dos organizadores é de receber cerca de 30 mil pessoas durante o evento.

Começa hoje a 42ª edição da quermesse do Templo Budista de Brasília. Na imagem, o tambor japonês taikôWilson Dias/Agência Brasil
Grupos farão apresentações de danças, lutas e músicas típicas do Japão, além de apresentações de taikô, o tambor japonês. Barraquinhas de culinária japonesa também estarão presentes com yakissoba, camarões empanados, gyoza, tempurá, sushi, temaki, banana caramelizada, udon, yakitori e rolinho primavera.

O evento também vai oferecer oficinas de ikebana, origami, caligrafia, entre outras. Segundo o colaborador do templo, Rodrigo Bittar, a ideia é conectar mais o templo com a sociedade brasiliense e disseminar as práticas budista de concentração. “A festa tem 42 anos e nunca foi interrompida. Neste ano estamos buscando resgatar as tradições”, disse.

O Templo Budista fica na Asa Sul, na entrequadra 315/316 e faz parte do Patrimônio Histórico-Cultural da Capital Federal. O evento acontece aos sábados e domingos de agosto, das 17 h às 22 h. A entrada é 1 kg de alimento (exceto sal) ou R$ 5 (meia-entrada).

Em 2014, segundo a organização do evento, dez instituições do Distrito Federal receberam aproximadamente 25 toneladas de alimentos arrecadadas pelo templo durante a quermesse.

Chega a Paris fragmento de avião encontrado na ilha da Reunião

Da Agência Brasil*

O fragmento de asa de avião descoberto na ilha francesa Reunião, no Oceano Índico, chegou hoje (1º) a França para ser analisado e apurar se pertence ao Boeing 777 do voo MH370 da Malaysian Arlines, desaparecido em 2014. O avião com os destroços chegou no aeroporto de Orly, em Paris, e de lá vai ser transferido para Toulouse.

Nos arredores dessa cidade está o laboratório onde a peça vai ser examinada, o DGA-TA, do Ministério de Defesa, especializado em investigações técnicas sobre acidentes de aviões. A perícia deverá começar na quarta-feira (5), depois de uma reunião na segunda-feira (3) entre o juiz de instrução francês e peritos e representantes das autoridades malaias.

O fragmento, que tem cerca de dois metros, foi encontrado em uma praia da Costa Oriental da ilha e é do mesmo tipo do Boeing 777, indicou uma das fontes próximas do inquérito promovido pela França. Já o governo australiano, também encarregado da investigação internacional, alertou para a dificuldade de localizar os destroços do aparelho.

A Boeing também anunciou hoje que vai enviar uma equipa técnica à França para ajudar na perícia. A empresa, fabricante do avião, assegurou que continua comprometida com a investigação.

O avião desapareceu com 239 pessoas a bordo, durante a noite de 08 de março de 2014, quando sobrevoava o Mar do Sul da China, depois de ter mudado de rota, quando se dirigia de Kuala Lumpur para Pequim.

Brasil está acima da média nas compras online via smartphones, mostra pesquisa

Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Com cada vez mais utilidades e aplicativos, os celulares do tipo smartphone têm sido sido uma alternativa também para fazer compras online. É o que mostra uma pesquisa divulgada pelo site de compras coletivas Groupon.  De acordo com o levantamento, que ouviu 6 mil pessoas no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México, a média de compras online por dispositivos móveis nesses cinco países em conjunto é de 15,6%.

Individualmente, o Brasil está acima da média e tem a maior proporção de compras por celular entre os países avaliados. O índice de compras feitas por smartphone entre os entrevistados brasileiros é 20,6%. No México, que ocupa o segundo lugar, a frequência das compras online pelo celular fica em 19,7%. Na Colômbia, é 17,2% e no Chile, 12,8%. A Argentina registrou o menor índice: 8%.

Mesmo se tornando populares, as compras por smartphone ainda perdem para as transações via computador pessoal. A média das compras por computador nos cinco países pesquisados é 78,7%. No Brasil, os usuários preferem o computador em 73,8% das ocasiões. O país fica atrás da Argentina, com 88,5% e do Chile, com 82,7%. Mas à frente de Colômbia, com 77,2% e México, com 71,4%.

O especialista em segurança da informação João Gondim, professor do Departamento de Computação da Universidade de Brasília, considera natural que o celular tenha se tornado uma opção para as compras. No entanto, ele alerta para o fato de que a plataforma é menos segura que o computador. “Você tem uma profusão de aplicativos e grande parte não tem mecanismos de segurança. Não tenho notícia de fraude em compras de celular, mas de forma geral é uma exposição maior”, avalia. Para ele, a segurança menor tem relação com a difusão recente dos smartphones.

"O computador acaba sendo um pouco mais seguro na medida em que tem uma série de práticas consolidadas. A maioria das pessoas vê um smartphone como um telefone”, comenta. Para ele, se o uso do celular para transações online de fato se consolidar, os aparelhos podem se tornar mais seguros. “É uma questão de maturidade dos aplicativos e como são incluídos nos aparelhos”, diz, ressaltando que o usuário também deve tomar cuidados. “Conheço pouquíssimas pessoas que têm antivírus no celular”, destaca.

A pesquisa divulgada pelo Groupon trouxe ainda outras informações sobre os consumidores da internet. Segundo o estudo, no Brasil, o motivo para compras online citado com mais frequência foram os preços mais atrativos, para 76,6% dos entrevistados. Em segundo lugar, com 63,5%, ficaram a praticidade e a conveniência. Em terceiro (52,9%), a facilidade e, em quarto (44,7%), a possibilidade de encontrar todo tipo de produto. Variedade e segurança tiveram, respectivamente, 30,4% e 22% das menções.

O levantamento mostrou também que os usuários estão se sentindo mais seguros para fazer compras online. No Brasil, um total de 37,8% se sente muito mais seguro do que há cinco anos, enquanto 39,45% se sentem um pouco mais seguros. Um percentual de 10,3% fazem de 71% a 80% de suas compras pela rede mundial de computadores. Só 2,4% fazem de 91% à totalidade de suas compras online. Por fim, 28,6% compram online uma vez por ano e 28,7% compram mensalmente.

Pesquisa mostra benefícios do chocolate amargo para o coração

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Pesquisa publicada na revista científica International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), mostra que o chocolate amargo traz benefícios a pacientes que sofrem de doenças cardíacas.

O vice-presidente da Socerj, Ricardo Mourilhe, disse que a notícia “é animadora”. Embora a pesquisa esteja ainda em fase inicial, com uma quantidade de pacientes reduzida, ela “abre a perspectiva de novos estudos futuros”, disse.

Segundo Mourilhe, o estudo foi feito em pacientes que estiveram internados entre outubro e dezembro de 2013 no Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, ligado à Universidade Federal do estado (UFSC), e demonstra que o chocolate amargo pode trazer efeito benéfico em relação à vasodilatação, similar ao efeito dos medicamentos usados pelos cardiologistas em doentes cardiopatas.

Isso ocorre em função de um composto químico existente no cacau, chamado flavonoide, presente também em alguns vinhos, que tem ação antiinflamatória e antioxidante e, em consequência, tem potencial de ação vasodilatadora.

“Os vasodilatadores são medicamentos que a gente usa normalmente em indivíduos com alguma cardiopatia. Então, se você tem uma substância que pode causar esse benefício, uma forma de transformar o efeito benéfico dessa substância em um medicamento seria produzir essa substância em forma de comprimido e não necessariamente o chocolate, porque ele tem outras substâncias que aumentam o peso”, disse.

O efeito antiinflamatório e antioxidante é semelhante ao efeito dos medicamentos para colesterol, que são as estatinas. Com isso, diminuiria o colesterol ruim e aumentaria o colesterol bom dos pacientes. “Seria outro efeito benéfico da substância [presente no chocolate amargo]. Por isso, é tão relevante essa descrição, porque abre um leque de oportunidades de desenvolvimento de novos produtos”.

A pesquisa analisou o consumo diário, pelos pacientes estudados, de 100 gramas de chocolate amargo com 85% de cacau, “ou seja, é bastante concentrada a questão do flavonoide”. Mourilhe observou que quando se identifica algum produto alimentar que tem uma substância positiva para o organismo humano, as etapas seguintes em um processo de pesquisa consistem em transformar essa substância em medicamento, excluindo os malefícios de outras substâncias misturadas.

O grupo que iniciou a pesquisa deve dar sequência aos estudos, mas Mourilhe não descarta a possibilidade de equipes de outros centros interessados participarem do processo. Segundo o vice-presidente da Socerj, a indústria farmacêutica poderia desenvolver esse medicamento.

A revista da Socerj recebe artigos de todo o Brasil e de alguns países estrangeiros, como Portugal, Colômbia, Venezuela. Ela tem tiragem de 4 mil exemplares e é indexada no Index Medicus Latino-Americano (Lilacs).


Camarões deportam 2.500 nigerianos para prevenir ataques do Boko Haram

Da Agência Lusa

 O governo de Camarões deportou mais de 2.000 nigerianos que estavam ilegalmente no país, como parte das novas medidas de segurança para prevenção de ataques suicidas pelos jihadistas do grupo Boko Haram, segundo autoridades regionais.

O jornal local L’Oeil du Sahel informou que cerca de 2.500 nigerianos que habitavam Kousseri, cidade no extremo norte dos Camarões, tinham sido expatriados para o seu país, informação confirmada pelas autoridades.

Um funcionário de uma organização não-governamental da cidade disse que a maioria dos nigerianos exilados “tinha fugido das atrocidades do grupo Boko Haram”, refugiando-se nos Camarões.

As deportações aconteceram um dia após o presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, visitar o país para debater a forma de combate contra a ameaça crescente do Boko Haram. Desse encontro entre Buhari e o presidente camaronês, Paul Biya, surgiu o compromisso, de ambas as partes, em manter e fortalecer a cooperação entre os dois países na luta contra os insurgentes.

Entre 12 e 25 de julho, houve três ataques suicidas, dois deles na capital regional, Maroua, que resultaram em 44 mortes. O posto da fronteira dos Camarões com a Nigéria, onde se situa Kousseri, que foi atingido por dois ataques suicidas desde junho, tem uma posição estratégica, com uma ponte apenas a separá-lo da capital do Chade, N’Djamena.

As autoridades locais têm tomado medidas para aumentar a segurança, incluindo a proibição das mulheres usarem o véu completo, por temor de que os militantes suicidas usassem a roupa para esconder explosivos.

Cerca de 300 crianças camaronesas foram retiradas das escolas em Maroua e levados de volta para as suas aldeias, segundo autoridades locais. Tal medida foi motivada pelo medo crescente dos diretores escolares, de que os rebeldes usem as crianças para atentados suicidas.

Desde 2009, os jihadistas do Boko Haram já mataram mais de 15.000 pessoas na Nigéria. Com o passar dos anos, os terroristas têm-se espalhado para além das fronteiras do país, atacando em massa, nos últimos meses, também o Chade e os Camarões.




Avião da Força Aérea cai e mata onze militares colombianos

Da Agência Lusa

Onze membros da Força Aérea Colombiana (FAC) morreram nesta sexta-feira (31) na queda de um avião militar. A FAC informou num comunicado que um "avião 235 de transporte CASA, com a matrícula FAC 1261, caiu na área de Las Palomas, no município de Agustín Codazzi, com 11 tripulantes a bordo”.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, tinha inicialmente relatado na rede social Twitter que havia doze vítimas deste incidente, mas fontes do Ministério da Defesa e da FAC confirmaram posteriormente onze mortes: um major, um tenente e nove sargentos.

O presidente colombiano lamentou o acidente, que “matou os heróis das forças aéreas colombianas”, e prestou condolências às famílias dos mortos.

Segundo os relatos iniciais, existe a indicação de que o avião partiu da base de Palanquero, no Centro-Oeste da capital colombiana. A Força Aérea explicou que uma falha de motor foi relatada pela tripulação, e confirmou não haver sobreviventes do desastre.

A aeronave CASA 235 é um aparelho normalmente utilizado para transportar tropas e pode levar até cinquenta pessoas.


Inundações no Paquistão já causaram 92 mortes e 340 mil desalojados

Da Agência Lusa

As inundações que afetam o Paquistão há duas semanas já causaram 92 mortes e obrigaram à retirada de 340 mil pessoas das suas casas, informaram hoje (31) fontes governamentais.

O número de afetados pelas inundações, que forçaram a declaração do estado de alerta em cinco distritos, chega a 600 mil, e o número de localidades inundadas, a 812, segundo o último balanço da Autoridade de Gestão de Desastres Naturais.

A agência governamental anunciou para as próximas 24 horas tempestades nas bacias dos principais rios em quatro províncias do país.

Há três meses, as chuvas torrenciais e fortes ventos assolaram o Noroeste do Paquistão, causando a morte de 50 pessoas e ferimentos em 200.

As chuvas associadas às monções provocam a cada ano prejuízos e mortes nos países do Sul da Ásia.

As piores inundações da história do país ocorreram em 2010 em que morreram 2 mil pessoas e foram afetadas mais de 20 milhões de pessoas.

Conselho arquiva reclamação contra procurador que abriu investigação sobre Lula

André Richter - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) arquivou hoje (31) reclamação disciplinar para apurar a conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, da Procuradoria da República no Distrito Federal. Mendes Furtado é responsável pela abertura de procedimento investigativo criminal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto tráfico de influência.

De acordo com decisão do corregedor Alessandro Tramujas Assad, Furtado não cometeu falta funcional. No entendimento de Tramujas, o ato do procurador objetivou dar prosseguimento à apuração, sem acarretar acusação contra Lula.

A abertura de investigação sobre o ex-presidente foi determinada no início do mês por Valtan Furtado, que substituía a procuradora titular do caso, Mirella de Carvalho Aguiar, que estava em férias.

A defesa de Lula alegou que Valtan Furtado violou os direitos funcionais ao “interferir na apuração preliminar” da procuradora, que não tinha determinado a abertura da investigação, porque aguardava informações dos advogados do ex-presidente. Por causa disso, os advogados entraram com reclamação disciplinar contra o procurador.

De acordo com a Procuradoria da República, uma norma interna prevê a substituição do titular em caso de férias. Além disso, Furtado entendeu que novas diligências eram necessárias para a investigação.

Segundo o procedimento investigatório criminal aberto no último dia 8, o ex-presidente “teria obtido vantagens econômicas da Empreiteira Odebrecht, a pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente dos governos da República Dominicana e de Cuba, em relação a obras financiadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por agentes públicos federais brasileiros”.

Furtado solicitou cópia de documentos da Operação Lava Jato com referência a obras executadas fora do Brasil, financiadas com recursos diretos ou indiretos do BNDES ou que tenham relação com Lula. O procurador pediu ainda aos investigadores da Lava Jato cópia de dados bancários relativos a possíveis depósitos feitos pelas empreiteiras investigadas na conta do ex-presidente, do Instituto Lula ou da empresa LILS Palestras e Eventos e Publicidade.

Enem tem 7,7 milhões de inscrições confirmadas; número é 11,2% menor que de 2014

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Juliana Andrade


O número de candidatos que confirmaram a inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 soma 7.746.057, informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse número corresponde ao de isentos e àqueles que pagaram a inscrição de R$ 63 dentro do prazo. No total, 8.478.096 fizeram a inscrição, mas 732.039 não pagaram a taxa.

Em relação ao ano passado, o número de inscritos confirmados apresentou queda de 11,19%, primeiro recuo desde 2008. Em 2007, houve redução de inscritos na comparação com 2006. Desde então, o número de inscritos vinha aumentando ano a ano.

A maioria dos candidatos que farão o exame é isenta de pagamento, 5,76 milhões. A Região Sudeste concentra o maior número de inscritos, 2,8 milhões, seguida pelo Nordeste, com aproxidamadamente 2,5 milhões. No Sul, foram feitas 916 mil inscrições; no Norte, 818 mil; e no Centro-Oeste, 703 mil.

No  ano  passado,  dos  8,7  milhões  de  inscritos,  cerca  de  6,2  milhões  fizeram  o  exame  Arquivo/Agência Brasil
A queda já havia sido constatada na divulgação das inscrições totais. Na ocasião, uma das hipóteses levantadas pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, é que caiu o número daqueles que não têm certeza de que farão o exame. Isso porque a pasta estebeleceu que os isentos que não fizerem o exame este ano e deixarem de justificar a ausência perderão o direito à isenção em 2016.

No ano passado, dos 8,7 milhões de inscritos, cerca de 6,2 milhões fizeram a prova.

Neste ano, as provas serão aplicadas nos dias 24 e 25 de outubro. O Enem foi criado para avaliar os alunos que estão terminando o ensino médio ou que já concluíram essa etapa de ensino em anos anteriores. Estudantes que não terminaram o ensino médio este ano podem fazer o exame como treineiros, ou seja, o resultado não poderá ser usado para participar de programas de acesso ao ensino superior.

Para ajudar os candidatos a se preparar para o Enem, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) preparou o aplicativo Questões Enem, que reúne todas as questões, desde a edição de 2009. No sistema, é possível escolher as áreas de conhecimento que se quer estudar. O acesso é gratuito.


Oito em cada dez brasileiros têm medo de ser assassinados, diz Datafolha

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Os moradores das cidades brasileiras têm medo de morrer assassinados. É o que constata pesquisa divulgada hoje (31) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando que essa possibilidade preocupa 81% da população com mais de 16 anos.

A informação consta de levantamento encomendado pelo fórum ao Instituto Datafolha, que ouviu 1.307 pessoas em 84 municípios com mais de 100 mil habitantes na última terça-feira. (28). A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

“Sessenta e três por cento das pessoas têm muito medo [de morrer assassinadas] e 49%, com medo, acham que podem ser vítimas já no próximo ano”, disse o vice-presidente do fórum, Renato Sérgio de Lima, que apresentou os dados. “Ou seja, temos uma população atemorizada”, destacou.

Em 2012, o número de pessoas com medo de morrer assassinadas era menor. Naquele ano, levantamento do Datafolha feito em cidades com 15 mil habitantes mostrava que 65% tinham medo. Em 2015, o medo é maior entre mulheres, pessoas de cor preta e do Nordeste.

O levantamento também mostra que 62% da população tem medo da Polícia Militar, especialmente pessoas entre 16 e 24 anos, que recebem até dois salários mínimos (68%) e são pretas (71%). No caso da Polícia Civil, o medo foi manifestado por 53% dos entrevistados, a maioria mulheres. “Essa é uma informação [sobre as policias] que requer reflexão, destacou Renato de Lima.

Outro dado revelador foi a constatação de que mais da metade dos brasileiros – 52% – têm um conhecido ou parente que foi vítima de homicídio e de que 20% deles já foram vítimas de ameaça de homicídio. “Isso diz que a população não está com medo à toa, a violência faz parte do cotidiano”, afirmou.

Para enfrentar o problema, que coloca o Brasil na lista dos países que concentram homicídios no mundo e está no sétimo lugar em número de assassinatos na América Latina, segundo as Nações Unidas, a população quer ações integradas de governos que não passem por abordagens agressivas com suspeitos, conforme apontam também os dados do Datafolha.


Temer diz que posições radicalizadas não resolvem problemas do país

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O vice-presidente da República, Michel Temer, disse hoje (31) que, para conseguir dirigir o país, é necessário governabilidade, "ideia ancorada no apoio do Legislativo ao Executivo". Segundo ele, além disso, a governança precisa do apoio de outros segmentos da sociedade ao governo.

Arquivo/Agência  Brasil
Ao participar de convenção do núcleo feminino do partido na capital paulista, Temer destacou que o PMDB é o centro dos diversos avanços obtidos pelo governo federal. “Sabemos que, neste momento de radicalismo em todas as partes, há uma tensão no ar angustiando a todos. Por isso, temos de pensar no país, porque posições radicalizadas não resolvem os problemas do país.”

“É nesse ponto que o PMDB se destaca, porque, ao longo do tempo, o partido tem sido o centro da governabilidade no país. Em qualquer momento, quando se pensa no sucesso das teses do governo, foi o PMDB que garantiu apoio a elas”, acrescentou Temer, que também é presidente do partido.

Segundo ele, o governo não avalia negativamente a possibilidade de partidos de oposição presidirem comissões parlamentares de inquérito (CPIs). “Tenho absoluta convicção de que a oposição também tem preocupações com o país. Se eles estiverem presentes - e estarão pelo critério da proporcionalidade -, sei que serão tão responsáveis como os membros da situação.”

Para Michel Temer, há no PMDB uma unidade fundamental para o sucesso. “Não vamos pensar que divisões podem fazer crescer o partido. O que nos faz crescer é a unidade. O que o Brasil precisa é de equilíbrio, de moderação. Precisamos pensar acima dos partidos no Brasil. Tenho tido esse diálogo com vários setores e companheiros de outros partidos e todos têm preocupação com o Brasil”, concluiu o vice-presidente.



Cobrança extra na conta de luz continua em agosto, diz Aneel

Da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Em agosto, os consumidores vão pagar novamente um adicional de R$ 5,50 a cada 100 quilowatts/hora (kWh) de energia consumidos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou hoje (31) que a bandeira tarifária vermelha estará em vigor no período.

O sistema de bandeiras tarifárias permite a cobrança de um valor extra na conta de luz de acordo com  o custo de geração de energia. Em julho, a bandeira também foi vermelha, por causa do uso intenso da energia de usinas termelétricas, que é mais cara do que a gerada por usinas hidrelétricas.

Com as cores verde, amarelo e vermelho, as bandeiras servem para indicar as condições de geração de energia no país. Se for um mês com poucas chuvas, os reservatórios das hidrelétricas estarão mais baixos, por isso, será necessário usar mais energia gerada por termelétricas.

A bandeira verde significa que os custos para gerar energia naquele mês foram baixos e que a tarifa de energia não terá acréscimo. Se a conta de luz vier com a bandeira amarela, a tarifa de energia terá acréscimo de R$ 2,50 para cada 100 kWh consumidos. Já a bandeira vermelha mostra que o custo da geração naquele mês está mais alto, com maior acionamento de termelétricas, e que haverá adicional de R$ 5,50 a cada 100 kWh.

Segundo a Aneel, com o sistema de bandeiras tarifárias, o consumidor poderá identificar qual a bandeira do mês e reagir a essa sinalização com o uso inteligente da energia elétrica, sem desperdício.


Dilma garante continuidade do Minha Casa, Minha Vida

Luana Lourenço – Repórter da Agência Brasil* Edição: Juliana Andrade

Dilma Rousseff entrega unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida, em MaricáIchiro Guerra/PR
A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (31) que, apesar das dificuldades econômicas que o país atravessa, “não há hipótese” de o Programa Minha Casa, Minha Vida acabar. Criado em 2009, o programa habitacional financia imóveis populares para famílias de baixa renda, com subsídios de até 95% do valor.

Dilma participou da entrega de 2,9 mil unidades habitacionais em Maricá, no Rio de Janeiro. Ela destacou o papel do programa na geração de emprego e renda nos municípios onde os empreendimentos são construídos. A terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida deve ser anunciada neste semestre.

"Ficam falando assim: 'estamos passando algumas dificuldades econômicas, o programa vai acabar'. Vou explicar para vocês por que não vai não: primeiro, porque é importante para o povo brasileiro, para aquela parte que não tinha oportunidades, para quem ninguém olhou. Mas não vai acabar também por outro motivo: porque, além de a gente construir casa, a gente cria emprego”, ressaltou.

Segundo Dilma, o Programa Minha Casa, Minha Vida “faz a roda da economia girar” e é importante para a retomada do crescimento do país. "Estamos hoje no Brasil fazendo um grande esforço para o país voltar a crescer, para controlar a inflação, estamos em uma travessia; daí, a importância do Minha Casa, Minha Vida."

“Quando você vai fazer uma casa, um residencial, você precisa de tijolo, areia, cimento, alumínio – cada uma dessas partes também contratou pessoas, criou empregos, pagou salários, gerou renda e fez a roda girar, a roda da economia girar. As pessoas, quando têm trabalho, quando têm renda, compram no supermercado, na loja, e a roda continua girando. Por isso não há hipótese de o Minha Casa, Minha Vida não continuar. Iremos fazer, sim, o Minha Casa, Minha Vida 3”, enfatizou.

De acordo com o Ministério das Cidades, desde a criação do programa, em 2009, 2,3 milhões de moradias foram entregues, e 1,5 milhão de residências estão em construção. Na terceira etapa do programa, a meta é contratar mais 3 milhões de unidades habitacionais até 2018. “Nosso país fica melhor e a democracia fica mais forte quando se garante oportunidade para as pessoas; por isso, o governo está comprometido com este programa.”

Homenagem

Os residenciais entregues hoje por Dilma em Maricá foram batizados com nomes de dois militantes políticos que participaram da luta armada contra a ditadura militar: Carlos Marighella e Carlos Alberto Soares de Freitas. Dilma elogiou a escolha dos nomes e lembrou que Marighella “não era só lutador, mas uma grande pessoa humana”, e que Freitas foi um irmão que ela teve na juventude.

“Nós lutamos juntos, nós queríamos um país mais democrático, em que as pessoas tivessem voz, vez e, sobretudo, tivessem sua casa própria. Por isso, me sinto mais que honrada, me sinto emocionada. Estar aqui toca lá no fundo do meu coração, porque me faz lembrar, a memória me traz a lembrança de toda a minha juventude e também das lutas democráticas e de resistência do nosso país”, lembrou.

Apartamentos

As 2.932 unidades habitacionais entregues hoje em Maricá devem beneficiar cerca de 12 mil pessoas, de acordo com o Ministério das Cidades. Cada apartamento tem área privativa de cerca de 45 metros quadrados, com dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço, com piso cerâmico em todos os ambientes.

Os empreendimentos receberam R$ 195 milhões do governo federal e têm área de lazer, centro comunitário, quiosque, parque infantil e quadra poliesportiva. Noventa apartamentos, 45 em cada residencial, estão adaptados para pessoas com deficiência.

A trabalhadora doméstica Maria Aurineide de Souza, de 53 anos, morava de favor há 13 anos em Maricá, desde que chegou do Recife. Ela tomava conta da casa de veraneio de uma família e agora comemora o fato de ter uma residência própria. "Vou poder receber amigos, receber minha família do Recife. Antes não dava", conta ela, que será vizinha da filha, contemplada com outro apartamento para morar com o marido e o filho. "Vou ajudar a cuidar do meu netinho", disse Maria Aurineide.

Já Sônia Costa, de 33 anos, morava na casa do irmão. Com o apartamento próprio, ela destaca a importância de deixar um patrimônio para o filho. "Estou muito feliz em saber que vou deixar uma casa. Tudo é para ele."

Termina no domingo prazo para inscrição em vagas remanescentes do Sisutec

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Os candidatos que quiserem se matricular em vagas remanescentes do Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec) tem até o próximo domingo (2) para fazer a inscrição, pela internet. Nessa etapa, são ofertadas as vagas que não foram ocupadas nas duas chamadas anteriores do Sisutec.

Podem se inscrever estudantes que concluíram o ensino médio nos últimos três anos, ou seja entre 2012 e 2014, independentemente da data de emissão do certificado. As vagas remanescentes são preenchidas por ordem de inscrição. Após a inscrição, o candidato tem dois dias para ir a instituição e efetuar a matrícula. As aulas dos cursos terão início entre os dias 3 e 31 de agosto de 2015, de acordo com o edital do programa.

Por meio do Sisutec, instituições públicas e privadas de ensino superior e de educação profissional e tecnológica oferecem vagas gratuitas em cursos técnicos para participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Apenas na inscrição para as vagas remanescentes os candidatos ficam dispensados da exigência do Enem.

A edição de 2015 do Sisutec ofertou 83.641 vagas em 515 municípios de todos os estados e no Distrito Federal.

Instituto Internacional de Estatística terá primeiro presidente brasileiro

Cristina Índio do Brasil – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Divulgação IBGE/Rebeca Dourado
Pela primeira vez, desde que foi fundado em 1885, o Instituto Internacional de Estatística (International Statistical Institute – ISI) terá um brasileiro na presidência. A instituição é a mais antiga e considerada a mais importante associação internacional de estatísticos. O pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pedro Luís do Nascimento Silva vai assumir hoje (31) a presidência em uma cerimônia, às 16h, no encerramento do 60º Congresso Mundial de Estatísticas, que reuniu especialistas em estatísticas, nesta semana, no Riocentro.

O instituto, que começou com 81 membros, atualmente tem cerca de 5 mil integrantes e 2 mil membros eleitos de 140 países. O mandato é de dois anos e a instituição não tem tradição de reeleição. “Não há vedação à recondução, mas a tradição é que há tanta gente em condição de ser líder, que não há o costume em propor a permanência de qualquer pessoa por mais de dois anos”, explicou Pedro Luís do Nascimento Silva, em entrevista à Agência Brasil.

Os planos de Nascimento à frente do ISI já estão traçados: um deles é levar energia nova à instituição com o engajamento de sócios e membros mais jovens. Para ele, a organização tem enfrentado um processo de envelhecimento, que é comum a muitas associações científicas, já que as gerações mais jovens têm sentido menos necessidade de se associar e participar de instituições científicas tradicionais.

“É um dos desafios que temos que enfrentar e ao qual eu pretendo dedicar bastante atenção nos próximos anos. Um programa para recrutar, engajar e envolver membros jovens que possam trazer ideias e contribuições para ampliar o que a associação já produz e torná-la ainda mais atraente para essas gerações jovens que, de alguma maneira, têm encontrado outros caminhos de se conectar uns com outros ao redor do planeta”, afirmou.

Outra área que ele quer desenvolver é a de capacitação de pesquisadores para trabalhar com estatística da melhor maneira possível, em particular, em países menos desenvolvidos. Nascimento explicou que o mundo vive uma era em que a informação é abundante e variada. “Ela cobre uma multidão de temas sobre os quais até pouco tempo não se conseguia saber muito. Agora, tornou-se mais barato coletar informações de certos tipos, mas isso gera imensos desafios, porque essas informações são em grande volume, chegam com muita velocidade e nem sempre são da melhor qualidade. Tem muitos erros, até pela velocidade com que são capturadas e tratadas.”

Sobre esse tema, o pesquisador destacou que o ISI tem um programa de capacitação para profissionais de estatística em que se realizam oficinas, cursos e até conferências em determinadas partes do mundo, onde há mais necessidade. Segundo ele, a ideia é agir em duas frentes: "primeiro, melhorar o financiamento desses programas na busca ativa de organizações que possam ajudar a financiar iniciativas e tentar explorar oportunidades de educação a distância para também aumentar o alcance dessas iniciativas de capacitação estatística”.

Nascimento ressaltou que o interesse pela carreira cresceu muito nos últimos 12 anos, conforme mostra um levantamento da American Statistical Association. No Brasil, porém, a carreira ainda é muito jovem, mas tem crescido. Para ele, o problema é a diferença entre os que escolhem o curso e os que terminam a graduação. “O número de vagas tem sido estável, ao redor de 1,7 mil vagas, no entanto, só tem graduado de 450 a 500 profissionais por ano.”

Na opinião do pesquisador, um dos motivos para esse panorama pode ser a falta de crescimento na oferta de cursos universitários, que é relativamente estável há quase dez anos. “Não há criação de cursos. É um curso em que a formação é praticamente toda concentrada em instituições públicas. Das instituições que oferecem graduação em estatística, 33 são de natureza pública, 26 universidades ou instituições federais, seis em universidades ou instituições estaduais e uma privada”, destacou.

Nascimento acrescentou que a carreira tem um atrativo considerável: a entrada no mercado de trabalho. “É uma carreira, do ponto de vista de inserção no mercado laboral, depois da graduação, que deve ter um dos mais altos índices de ocupação. É muito raro encontrar um egresso de curso de estatística que não consiga trabalho logo depois da sua graduação.”

Para o pesquisador, a eleição dele para a presidência do ISI pode ajudar na divulgação da carreira no Brasil e aumentar o número de interessados. “Espero que muitos jovens brasileiros encontrem inspiração na história de alguns de nós, que alcançamos posições de destaque na comunidade nacional ou internacional, e, por seu empenho e competência, consigam fazer trajetórias similares, trazendo cada vez mais reconhecimento da força e do potencial da comunidade estatística bem vibrante que nós temos aqui no Brasil”, disse.


WikiLeaks: Estados Unidos espiaram governo, empresas e banco do Japão

Da Agência Lusa

Os Estados Unidos espiaram responsáveis governamentais japoneses, empresas e o governador do Banco do Japão, anunciou hoje o site WikiLeaks.

Uma lista de "35 alvos secretos da NSA (agência de segurança norte-americana) no Japão incluía o Governo japonês, empresas como a Mitsubishi (...) e vários responsáveis do Banco Central", como o governador Haruhiko Kuroda, de acordo com o WikiLeaks, que divulga documentos secretos.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, não figura entre as pessoas vigiadas pela NSA, responsável por ações de espionagem na Alemanha e França, aliados próximos dos Estados Unidos, tal como o Japão.

"Os documentos mostram o nível de vigilância sobre o governo japonês e o modo como eram colhidas e analisadas as informações de vários ministérios e serviços governamentais", afirma o WikiLeaks.

As informações obtidas "demonstram um conhecimento pormenorizado de decisões internas do Japão sobre questões como as importações de produtos agrícolas e negociações comerciais, as posições japonesas no ciclo de negociações multilaterais de Doha da Organização Mundial de Comércio, sobre energia nuclear e emissões de gases com efeito de estufa (...)", acrescenta.

As autoridades japonesas não reagiram, até ao momento, à divulgação destes documentos.



Incêndio mata bebê na Cisjordânia

Da Agência Lusa

Um bebê palestino de 18 meses morreu e os seus pais ficaram feridos, na madrugada de hoje, quando um incêndio atingiu a casa onde moravam, na Cisjordânia.

Segundo forças palestinas, o fogo foi causado por israelenses.

Autoridades disseram que quatro israelenses botaram fogo na casa, na localidade de Doma, e fugiram.


Governadores prometem ajudar o governo contra pautas-bombas no Congresso

Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, acompanhado de governadores, fala à imprensa após reunião com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada Wilson Dias/Agência Brasil
Os governadores de todos os estados do país que se reuniram ontem (30) com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, comprometeram-se a ajudar o governo a evitar a aprovação das chamadas pautas-bombas, projetos em tramitação no Congresso Nacional que, segundo o Executivo, podem gerar gastos adicionais, comprometendo o ajuste fiscal.

“Há um compromisso com a governabilidade, apoio ao ajuste fiscal para que seja votado e produza efeitos na economia e restabeleça o crescimento econômico e a geração de empregos. Apoio no combate à pauta-bomba, como o fator previdenciário, que impacta a previdência nos estados e apoio ao veto ao aumento do Judiciário, "disse o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), que falou em nome dos governadores dos estados da Região Sul.

O apoio ao esforço do governo em evitar o aumento de gastos com matérias aprovadas no Congresso também foi expresso pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) que falou em nome dos governadores da Amazônia Legal. Segundo ele, a reunião serviu, entre outras coisas, para manifestar “solidariedade e compromisso com as bancadas relativo às pautas- bombas, para que não haja votação de leis que aumentem as despesas públicas sem a correspondente receita e que cause mais crise no país”..

Em razão da queda na arrecadação, o governo anunciou neste mês um corte adicional de R$ 8,6 bilhões no orçamento, além da redução da meta de superávit primário – economia feita para pagar os juros da dívida pública – de 1,1% do para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Além de fatores econômicos, como a alta do dólar, a relação tumultuada com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a dispersão da base aliada, que chegou a votar contra o governo em algumas ocasiões, poderiam complicar ainda mais o quadro.

Entre os projetos considerados indesejados pelo Planalto estão o que aumenta o índice de correção dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), passando de 3% para cerca de 6%. Além desse, o governo precisa evitar a derrubada de vetos presidenciais, entre eles o que negou reajuste de até 78% para servidores do Poder Judiciário e assegurar a aprovação do projeto que reduz as desonerações da folha de pagamento de empresas.

Segundo Dino, os governadores se comprometeram a conversar com suas respectivas bancadas federais, para evitar a aprovação dessas pautas que também gerariam dificuldades financeiras para os estados. Os governadores da Paraíba, Raimundo Coutinho (PSB), falando pelo Nordeste, e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), falando pelos estados do Centro-Oeste, reafirmaram o apoio.

O também tucano e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, falou pelo Sudeste, mas evitou falar em apoio explícito. Em sua fala, Alckmin disse que é preciso preservar os empregos e assegurar o crescimento econômico “não só com os projetos em trâmite [no Congresso], mas reduzindo o custo Brasil com redução dos gastos públicos. Mas de forma geral, nos três níveis de governo”, disse.

Ao final da reunião, durante coletiva para a imprensa, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, classificou o dia como especial, com os governadores da base e da oposição “dialogando para construir uma agenda positiva. Ele disse ainda que o governo, em algumas situações, tem vetado projetos que aumentam gastos, como o estendia a política de reajuste do salário mínimo a todos os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o ministro, é preciso o diálogo com o Congresso para buscar a “cultura da responsabilidade fiscal”, evitando projetos que comprometam o equilíbrio das finanças. “O país precisa de um bom diálogo democrático nas questões [do Congresso nacional]. [Nós e os governadores] discutimos alguns vetos que a presidenta fez. Precisamos construir alternativas, porque isso prejudica as contas públicas do país”, defendeu.



Governadores querem unificação do ICMS para encerrar guerra fiscal entre estados

Paulo Victor Chagas e Marcelo Brandão* - Repórteres da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

Os governadores dos estados de todo o país defenderam hoje (30), após se reunirem com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada, em Brasília, a unificação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como medida necessária para o fim da chamada “guerra fiscal” entre os estados.

A questão do ICMS era um dos temas principais da pauta do Congresso Nacional que Dilma pretendia tratar com os governadores, já que os parlamentares retornam do recesso na próxima segunda-feira (3).

Em entrevista coletiva ao lado dos governadores, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância do apoio deles nessa questão. “Teríamos um único código tributário, que seria implantado aos poucos. Ajuda no crescimento, no fim da guerra fiscal”, disse Mercadante.

Para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), a defesa que os governadores fazem da unificação do imposto está atrelada à necessidade de outras formas de compensação. Ele afirmou que na agenda federativa apresentada pelos governadores está a “reforma do ICMS, porém com fundos garantidores que tenham outras fontes que não sejam apenas o repatriamento [de ativos no exterior]; queremos outras fontes de compensação”.

A proposta de repatriação de recursos de brasileiros no exterior faz parte das negociações sobre a reforma do ICMS. O dinheiro proveniente dessa fonte será usado para a criação de dois fundos, que irão compensar as perdas que os estados terão com a unificação do imposto. Para isso, a presidenta criou neste mês de julho, por medida provisória, os fundos de Desenvolvimento Regional e de Compensação dos Estados.

Na opinião de Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, o imposto só pode ser unificado se for adotado como parâmetro um convênio do Conselho Nacional da Política Fazendária que estabelece regras para a concessão de anistia de créditos tributários. “Defendemos a reforma do ICMS [adotando a] regra de diminuição das chamadas alíquotas, que simplifica, evita a guerra fiscal e o imposto caminha para [se tornar um imposto sobre] o consumo. É o melhor para o país”.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, defendeu “a imediata sanção” do projeto de lei que trata dos depósitos judiciais. A proposta, do senador José Serra (PSDB-SP), aprovada neste mês pelo Congresso Nacional, permite que estados e municípios saquem, de imediato, cerca de R$ 21 bilhões para pagamento de precatórios judiciais, dívida pública e investimentos. A partir de 2016, eles teriam direito a retirar R$ 1,6 bilhão por ano.

Além disso, o governador goiano fez o coro em prol da governabilidade da presidenta Dilma Rousseff e apoiou o ajuste fiscal praticado pelo governo federal. “Os governadores do Centro-Oeste apoiaram a governabilidade, o Estado de Direito e o apoio ao ajuste fiscal”.

Durante a reunião, que durou cerca de três horas e meia, as principais exposições foram divididas entre alguns governadores. Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, discorreu representando a Amazônia Legal. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), falou em nome do Centro-Oeste, assim como Geraldo Alckmin (PSDB-SP) pelo Sudeste, Raimundo Colombo (PSD-SC) pelo Sul e Ricardo Coutinho (PSB-PB) pelo Nordeste.

Após as falas, outros governadores também tiveram a palavra durante a reunião. Pelo menos dez ministros participaram do encontro, alguns dos quais foram convidados por Dilma a discorrer sobre temas somo segurança pública (José Eduardo Cardozo, da Justiça) e articulação com o Congresso (Eliseu Padilha, chefe da Secretaria de Aviação Civil). O vice-presidente Michel Temer, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, também se pronunciaram aos governadores.

Na fala de abertura do encontro, a presidenta disse que os brasileiros estão “sofrendo” e pediu união para superar a crise. Dilma disse ainda que não nega as dificuldades pelas quais o país passa, mas disse que o país tem condições de sair da situação na qual se encontra.

*Colaboraram Ana Cristina Campos e Luciano Nascimento




Universidade faz reunião aberta para discutir racismo após pichações em banheiro

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil Edição: Aécio Amado

A Congregação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP), órgão máximo da faculdade, fez hoje (30) uma reunião aberta para discutir o racismo na universidade. A reunião ocorre após pichações racistas terem sido encontradas em banheiros da faculdade na última quinta-feira (23), com insultos contra as mulheres negras, o Coletivo Afrodescendente e o professor Juarez de Paula Xavier, coordenador do Núcleo Negro da Unesp.

Na segunda-feira (27), a Faac instaurou uma comissão para investigar os fatos e atos racistas praticados no campi de Bauru. Chamada de Comissão de Apuração Preliminar, ela é composta por dois docentes e um servidor técnico administrativo e terá o prazo de 30 dias para concluir o trabalho. A comissão deverá levantar informações, buscar nomes, datas e horários que possam resultar em provas de comprovação de responsabilidade. Os responsáveis pelas pichações racistas poderão ser advertidos verbalmente ou até desligados da universidade.

Na reunião, foi anunciado que um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai acompanhar os trabalhos da comissão. Além disso, foi decidido a elaboração de um documento com propostas de ações afirmativas e o repúdio da universidade ao racismo. Ele será encaminhado ao Conselho Universitário da Reitoria da Unesp e à Assembleia Legislativa de São Paulo até o fim de agosto. A Faac também anunciou que vai intensificar o trabalho de combate ao racismo com uma campanha que será direcionada a todo o campi de Bauru e que vai consistir em cartazes, eventos, debates e um vídeo institucional.

Por meio de nota, a Unesp disse esta semana repudiar as pichações racistas, “considerando-as um ato contra o estado democrático de direito, a população afrodescendente e a política de inclusão adotada pela Unesp”.

Astrônomos europeus confirmam sistema planetário com três superterras

Da Agência Lusa Edição: Nádia Franco

Astrônonomos europeus anunciaram hoje (30) a descoberta de um sistema planetário com três superterras em órbita de uma estrela anã brilhante, sendo que um deles parece ser um planeta de rochas vulcânicas derretidas.

O sistema está ao norte da Constelação Cassiopeia, tendo a forma de um M, a 21 anos-luz da Terra, adiantaram os investigadores da revista europeia Astronomy & Astrophysics.

O sistema parece constituído por um planeta gigante e três superterras, que orbitam em torno de uma estrela anã, apelidada de HD219134. As superterras foram assim designadas pelo fato de terem massa maior que a da Terra, mas, ainda assim, serem mais leves que os planetas gasosos Netuno, Saturno e Júpiter.

O planeta com a órbita mais curta, HD219134b, faz a órbita em três dias, tendo já sido observado, do ponto de vista da Terra, em trânsito ao redor da sua estrela.

As medições a partir do solo, feitas com o telescópio espacial Spitzer, da agência espacial norte-americana Nasa, mostraram que sua massa é 4,5 vezes mais alta e 1,6 mais larga do que a altura e largura da massa da Terra.

"A sua densidade média é próxima da densidade da Terra, sugerindo uma composição semelhante. Está muito perto da estrela. A temperatura é de cerca de 700 graus Kelvin" (aproximadamente 427 graus Celsius), segundo comunicado de imprensa da Universidade de Genebra, onde trabalha a equipa de astrônomos responsáveis pela pesquisa. Portanto, não é uma zona habitável e não teria água, que é necessária para a vida humana.

Contudo, o HD219134b é excitante para os estudiosos da área, por ser o planeta em trânsito mais próximo da Terra, proporcionando, desta forma, uma oportunidade rara para conhecer mais profundamente a composição e atmosfera contra o pano de fundo da sua estrela. "Esses sistemas são especialmente interessantes à medida em que permitem, pelo estudo, a caracterização da atmosfera do planeta, a luz da estrela que atravessa a atmosfera," disse Udry, coautor do relatório da Universidade de Genebra.

Tesouro diz que saúde e educação serão menos atingidas por novos cortes

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

O contingenciamento (bloqueio de verbas) adicional de R$ 8,6 bilhões anunciado pelo governo na semana passada atingirá todos os ministérios, mas afetará menos as áreas de educação e a saúde, disse hoje (30) o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive.

Segundo o secretário, as duas áreas serão proporcionalmente menos atingidas pelos novos cortes, que serão detalhados ainda hoje (30), em decreto que será publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

“Todos os ministérios serão afetados com cortes, mas vamos preservar áreas prioritárias nos ministérios da Educação e da Saúde. Todos os limites constitucionais [despesas mínimas determinadas pela Constituição] serão respeitados”, disse Saintive, que assegurou que os principais programas serão poupados. Pela legislação, apenas despesas discricionárias (não obrigatórias) podem ser contingenciadas.

Saintive disse ainda que, embora os valores bloqueados nas duas pastas seja expressivo, os novos cortes serão pequenos em relação ao orçamento total dos dois ministérios. “Os cortes nos dois ministérios são maiores, mas não em termos proporcionais”, declarou.

No primeiro corte do orçamento, anunciado em maio, os ministérios da Educação e da Saúde lideraram os cortes em valores absolutos, com R$ 11,8 bilhões de contingenciamento para a saúde e R$ 9,4 bilhões para a educação. Em termos percentuais, no entanto, o bloqueio chegou a 11,4% para o Ministério da Saúde e 19,3% para o Ministério da Educação.

O corte adicional de R$ 8,6 bilhões elevou o contingenciamento das despesas não obrigatórias de R$ 79,9 bilhões para R$ 88,5 bilhões. A redução de gastos, no entanto, não impediu que o governo revisasse para baixo a meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – em 2015. A meta de esforço fiscal para este ano foi reduzida de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) por causa da queda na arrecadação.

Em relação à decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de revisar para baixo a perspectiva da nota da dívida brasileira, o secretário do Tesouro afirmou que o governo dialoga permanentemente com as agências. “Explicamos a elas [agências] que o esforço fiscal do governo permanece, tanto que aumentamos os cortes no orçamento. Na verdade, atravessamos um quadro fiscal delicado que impede o cumprimento de uma meta de superávit maior”, alegou.

Para mostrar o esforço da equipe econômica, o secretário apresentou um levantamento que mostrou a redução das diferenças na execução das despesas não obrigatórias neste ano em relação a 2013. Em janeiro, esse tipo de gasto totalizava R$ 256,9 bilhões no acumulado de 12 meses, contra R$ 200,5 bilhões em janeiro de 2013 – diferença de R$ 56,4 bilhões. Em junho, a diferença caiu para R$ 39,5 bilhões: R$ 250 bilhões em 2015 contra R$ 210,5 bilhões em 2013.

Segundo Saintive, o Tesouro está fazendo a sua parte em conter o crescimento das despesas. Ele, no entanto, diz que um corte mais amplo depende de reformulações nos gastos obrigatórios, que dependem de mudanças na lei e precisam ser aprovados pelo Congresso. “O Brasil precisa rediscutir as despesas obrigatórias. Essa deve ser uma agenda de debate para a sociedade”, disse o secretário.


Dilma apela aos governadores por cooperação federativa para frear homicídios

Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

A presidenta Dilma Rousseff fez um apelo sobre a questão da segurança pública, na abertura da reunião com os governadores na tarde de hoje (30), no Palácio da Alvorada, em Brasília.  Para ela, é necessária uma cooperação federativa, tendo como alvo as populações mais pobres, para frear o crescimento de homicídios.

“Proponho uma cooperação federativa. Concentrada no esforço comum de todos nós, que integram os demais poderes do estado, em especial o Judiciário, para interrompermos os números de homicídios que façam uma pessoa ser assassinada a cada 10 minutos”, disse a presidenta. “[Precisamos] desenvolver políticas sociais e de segurança em populações vulneráveis. Podemos interromper o número de homicídios, em um horizonte [que vai] de agora até 2018”, completou.

Durante o encontro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fará uma exposição sobre questões de segurança pública, para embasar as discussões da cooperação federativa proposta pela presidenta aos governadores. Eles começaram a chegar ao Palácio da Alvorada por volta das 16h. Em seguida, a presidenta, junto com uma equipe de ministros, sentou-se à mesa da reunião e fez o discurso de abertura. Estão presentes, entre outros, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do Planejamento, Nelson Barbosa, além de Cardozo.

Pela primeira vez em seu segundo mandato, Dilma se reúne com os governadores de todas as regiões do país. Com exceção do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, representado pela vice-governadora Rose Modesto, os demais chefes dos Executivos estaduais e do Distrito Federal estão presentes no encontro.

Entre os temas em pauta, destaca-se a reforma do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), pois uma proposta sobre o tema está em vias de ser votada pelos senadores, assim que retornarem do recesso na próxima semana. Além das medidas que pretende apresentar, Dilma quer ouvir as demandas dos governadores.


Chioro defende revisão no financiamento do sistema de saúde pública

Aline Leal - Repórter da Agência Brasil* Edição: Armando Cardoso

A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi extinta em 2007 e, desde então, o governo deixou de arrecadar mais de R$ 350 bilhões para a saúde. O cálculo é do ministro da Saúde, Arthur Chioro, que concorda com a necessidade de revisão do financiamento da saúde pública brasileira.

Ao participar da abertura do 11º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Goiânia, Chioro disse que o governo defende um Sistema Único de Saúde universal e integral. Segundo Chioro, isso tem custo  alto e deve ser financiado pela sociedade brasileira.

“Esse financiamento virá do imposto das grandes fortunas ou da taxação das heranças? Vamos mexer na chamada taxação do pecado (fumo, álcool, jogos de azar etc)? Vamos direcionar os recursos do seguro Dpvat [Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre], que hoje ficam nas mãos das seguradoras e não vão para as dos usuários? Existem várias possibilidades que precisam ser discutidas com a sociedade”, questionou o ministro.

Chioro destacou que, enquanto o Reino Unido, considerado modelo de saúde pública universal, gasta US$ 3 mil por ano por habitante, no Brasil, considerando valores de 2013 e partindo de municípios, estados e União, o valor não ultrapassou US$ 525.

De acordo com o ministro, sociedade e governantes precisam rever o financiamento do sistema de saúde. Segundo ele, é uma injustiça a afirmação de que os gestores gastam mal o dinheiro da saúde.

*A repórter viajou a convite da Abrasco




Olimpíadas do Rio terão centro antiterrorismo

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

A prevenção contra ações terroristas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, no Rio, contará com um centro que vai reunir agentes de segurança do Brasil e de outros países. A informação foi dada hoje (30) por autoridades da área, que apresentaram uim planejamento para garantir estabilidade nas competições.

Segundo o secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, Andrei Rodrigues, o centro deve ter sua estrutura concluída até o início do ano que vem, para que possa receber profissionais de países parceiros cerca de 15 dias antes do início do evento, em 5 de agosto de 2016. “O investimento é para que tenhamos, de forma célere, troca de informação, qualificando a prevenção [ao terrorismo], disse o secretário.

De acordo com Andrei, os países participantes do esforço conjunto são os que "historicamente” já contribuem para o processo de segurança. "Teremos parcerias com países que compõem o sistema Interpol, e com aqueles que poderão trazer informações úteis para a segurança de todos aqui no evento."

O centro antiterrorismo será montado em área próxima dos locais de competição, informou Andrei. Ele disse que a ideia partiu do amadurecimento obtido em eventos anteriores sediados pelo país e, ainda, em missões enviadas a competições em outros países, como aos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

Para o assessor especial para Grandes Eventos do Ministério da Defesa, general Luiz Felipe Linhares, a ideia de criar o centro antiterrorismo vai favorecer o estabelecimento de um protocolo de ações, que, segundo ele, são a “chave de qualquer resposta a uma possível ação terrorista".

O diretor do Departamento de Integração do Sistema Integrado Brasileiro de Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura, afirmou que o Brasil já mantém relações com 80 países para a troca de informações. Segundo ele, o acompanhamento do tema é feito de forma "perene" pelos 35 órgãos que compõem o Sistema Brasileiro de Inteligência.

"Todos os países estão interessados e têm boa vontade de trocar informações conosco. Então, uma coisa de que temos certeza é que, na área de inteligência, estamos bem abastecidos", disse.


Justiça Federal determina que seja retirado do ar o site Tudo sobre Todos

Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte determinou a retirada do ar do site Tudo sobre Todos, que disponibiliza informações pessoais de brasileiros como endereço e CPF. A decisão divulgada hoje (30) é do juiz federal Magnus Augusto Costa Delgado, da 1ª Vara Federal, em liminar concedida a ação apresentada pelo Ministério Público Federal.

O juiz federal determinou que empresas de internet não permitam o acesso ao site até a conclusão do processo. Na decisão, Magnus Augusto Costa registrou que, ao disponibilizar dados pessoais sem autorização dos titulares, o site “viola a Constituição Federal, atingindo-lhe o núcleo dos direitos e garantias individuais, mais especificamente, os direitos à intimidade e à vida privada”.

Ao acessar o Tudo sobre Todos e digitar o nome completo de uma pessoa é possível visualizar de forma gratuita o CEP (código de endereçamento postal) da residência. Mediante pagamento, ficam disponíveis informações como CPF (cadastro de pessoa física), endereço, data de nascimento, empresas e sociedades e prováveis redes sociais.

O procurador da República no Rio Grande do Norte, Kleber Martins, que solicitou à Justiça Federal a retirada do site do ar, explica que a legislação brasileira proíbe a divulgação de dados pessoais sem que haja consentimento prévio dos titulares e alertou para o risco de esse tipo de informação ser usado por criminosos que cometem golpes.

“Essas informações interessam na realidade às pessoas que praticam golpes como aquelas que colhem dados de terceiros para abrir contas em banco, contrair empréstimos, pedir benefícios à Previdência Social e deixar o rombo em nome do titular da conta sem que ele sequer saiba disso”, disse Kleber Martins em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

O procurador disse que a decisão da Justiça Federal prevê a retirada imediata do site do ar, mas diz que a efetivação depende do emprego dos recursos tecnológicos. “Talvez demore um pouco, mas a decisão judicial deve ser cumprida no menor espaço de tempo possível. Acreditamos que, nas próximas horas ou nos próximos dias, isso deve ser cumprido”, estimou o procurador. Kleber Martins disse que os criadores do site ainda não foram identificados, mas ele já estuda incluir na ação final um pedido de condenação por danos morais coletivos.

O juiz federal Magnus Augusto Costa Delgado determina que seja solicitada à Suécia a retirada provisória do site que está hospedado naquele país. Solicitou também dados completos das pessoas físicas que criaram e mantêm o site, inclusive os números de registro do computador e endereço de e-mail.


Governadores definem pauta comum antes de reunião com Dilma

Karine Melo - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

Governadores de pelo menos 18 estados participam de um almoço em Brasília. Na pauta, a elaboração de uma agenda de consenso que será defendida  durante a reunião com a presidenta Dilma Rousseff, marcada para as 16h , no Palácio da Alvorada.

“Vamos tratar do ajuste fiscal e dessa parte relacionada às medidas que possam contribuir para o pacto federativo e para o crescimento econômico”, informou o governador do Piauí, Wellington Dias. Segundo o governador piauiense, o encontro deve ser um momento para discutir condições que viabilizem alternativas para o crescimento econômico e a geração de empregos, "a partir dos ajustes necessários para o país".

Um dos temas mais importantes da reunião é a reforma do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS). O assunto divide estados, principalmente os que vão perder receita. Nesses casos, a preocupação é saber como as perdas serão compensadas.

“No caso do ICMS, a proposta encaminhada pelo Confaz conta com o apoio dos estados brasileiros. Desejamos encontrar no Congresso um ambiente para aprovação da resolução e das leis que criam os fundos", explicou Dias.

Segundo ele, o objetivo é garantir a unificação de alíquotas, "que é boa para os empreendedores, porque desburocratiza e permite novos empregos", e o equilíbrio das contas dos entes da Federação. Dias acrescentou que os fundos de Compensação e o de Desenvolvimentismo são fundamentais. Para o governador, a proposta de repatriação do dinheiro de brasileiros no exterior não declarados à Receita Federal trará uma fonte robusta de receitas.

Pela proposta, apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e que tramita em regime de urgência no Senado, serão cobrados multa e impostos na recuperação dos recursos. O percentual cobrado será de 35% dos recursos não declarados – 17,5% de multa e 17,5% de impostos.


MPF pede aposentadoria de juiz do caso Eike Batista

Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil Edição: Armando Cardoso

O Ministério Público Federal (MPF-RJ) pediu hoje (30) ao Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2) a aplicação da pena disciplinar de aposentadoria com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço contra o juiz Flávio Roberto de Souza. O magistrado responde a procedimentos administrativos por atuação irregular no processo do empresário Eike Batista.

De acordo com o MPF, depois da apreensão de bens de Eike Batista, foram constatados custódia irregular e uso de alguns bens, como três veículos, um piano, um ovo Fabergé (peça rara, de alto valor econômico e que remonta ao período dos czares russos) e sete relógios do empresário.

O MPF considerou que o ex-titular da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pelo processo contra Eike Batista por crimes contra o mercado de capitais, agiu de forma incompatível com o decoro da função e teve comportamento funcional incompatível com o bom desempenho das atividades do Judiciário. Flávio Roberto de Souza já tinha sido afastado da 3ª Vara em março.


Talibãs afegãos confirmam morte do líder Omar

Da Agência Lusa

Os talibãs confirmaram hoje (30), em comunicado, a morte do seu líder mulá Omar, um dia após ter sido anunciada pelo Governo afegão.

“A liderança do Emirado islâmico e a família de Omar anunciam que o líder morreu devido doença”.

Pouco antes deste anúncio, o Paquistão tinha confirmado o adiamento da segunda ronda de conversações de paz entre o Governo de Cabul e os talibãs, um dia após as autoridades afegãs terem admitido a morte do chefe histórico dos rebeldes.

No decurso destas conversações, previstas para sexta-feira (31) em território paquistanês, o governo afegão deveria começar a negociar um cessar-fogo com os talibãs, indicaram esta semana responsáveis oficiais em Cabul.

“Devido às informações relacionadas à morte do mulá Omar e a da incerteza que suscitou, foi adiada a segunda ronda de conversações de paz afegãs”, informou em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês.

“O Paquistão e os outros países amigos do Afeganistão esperam que a liderança dos talibãs continue empenhada nas conversações para que seja alcançada uma paz duradora no Afeganistão”, disse.

Os talibãs e o Governo de Cabul promoveram as primeiras conversações oficiais no início do mês de julho, em Murree, perto da capital paquistanesa Islamabad, sob a supervisão dos Estados Unidos e China.

Na terça-feira (28), a dois dias de nova ronda de negociações, as autoridades afegãs anunciaram que o chefe supremo do talibãs, o misterioso líder Omar, morreu em abril de 2013 num hospital de Karachi, metrópole do Paquistão, país regularmente acusado de apoiar a insurreição dos talibãs afegãos.

Pronatec Aprendiz é oportunidade para jovem no mercado de trabalho, diz ministro

Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

As 15 mil vagas que serão ofertadas na primeira etapa do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Aprendiz na Micro e Pequena Empresa vão inserir os jovens no mercado de trabalho e podem garantir emprego após a fase de aprendizagem, disse hoje (29) o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos.

“Minha experiência mostra que 80% [dos aprendizes] ficam e a empresa gosta muito de pegar um jovem com 14 anos que é aquele que 'veste a camisa'. O primeiro emprego tem uma marca muito forte para aquele jovem, então ele tende à fidelização dentro daquela empresa e faz carreira”, disse Afif Domingos, que participou do Programa Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. “Na micro e pequena empresa esse jovem começa a enxergar alguns paradigmas de vida e passa a entender que ele pode ser até um microempreendedor”, completou.

Anunciada na última terça-feira (28), a primeira etapa do Pronatec Jovem Aprendiz vai oferecer 15 mil vagas em 81 municípios com alto índice de violência e vulnerabilidade social, selecionados com base no Mapa da Violência. As micro e pequenas empresas terão benefícios na contratação de aprendizes e os jovens terão a formação técnica paga com recursos do Pronatec.

O ministro destacou que ao direcionar o programa para jovens de áreas com maiores índices de violência, o objetivo é evitar que os adolescentes se envolvam com o crime. “Hoje o caminho de combate à violência não é a redução da maioridade penal, ela vai colocar o jovem na cadeia. Temos que evitar que ele seja um infrator por meio da oferta de oportunidade”, disse.

O foco do programa são jovens entre 14 e 18 anos, matriculados na rede pública de ensino, que podem ter jornada diária de trabalho entre 4 e 6 horas. Os jovens contratados pelo programa farão um curso de 400 horas, dividido em dois anos e pago com recursos do Pronatec. A adesão ao programa vai começar em agosto e as micro e pequenas empresas vão arcar com custos como o salário-hora mínimo (meio salário mínimo no caso da jornada de quatro horas) e vale-transporte, além de fazer a contribuição reduzida para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

As inscrições para o programa serão feitas nas unidades dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras).


UE lamenta veto russo à criação de tribunal para investigar queda de avião

Da Agência Lusa

A União Europeia (UE) lamentou hoje (30) o veto russo à criação de um tribunal especial sobre a queda do avião da Malásia em 2014 no Leste da Ucrânia, mas observou que a investigação deve prosseguir “para que seja feita justiça.”

“Lamentamos muito que, na noite passada, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) tenha adotado, devido ao veto da Rússia, a resolução sobre a queda do Boeing da Malaysia Airlines MH17”, declarou, em Bruxelas, uma porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa e da Política de Segurança e Negócios Estrangeiros da Comissão Europeia.

Apontando que “esta resolução teria estabelecido um mecanismo vinculativo e credível para julgar os responsáveis” pela “terrível tragédia” e, ao mesmo tempo, “teria também honrado o compromisso do próprio Conselho de Segurança da ONU, na Resolução 2166, de levar os responsáveis à justiça”, a porta-voz, Maja Kocijancic, defendeu que “este revés” não impede que seja feita Justiça por meio de outros mecanismos, ainda que um tribunal especial criado pelas Nações Unidas fosse “a opção preferida”.

“Independentemente desse revés, o trabalho deve continuar, para que aqueles que são direta ou indiretamente responsáveis pela queda do avião sejam levados à Justiça”, disse, apontando que “os familiares e amigos das pessoas que seguiam a bordo merecem, obviamente, que seja feita justiça”. Nesse sentido, apelou "a todas as partes a colaborar com as investigações em curso".

Na quarta-feira (29), a Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU uma resolução para criar um tribunal especial para julgar os responsáveis pela queda do avião da Malásia abatido em julho de 2014 no Leste da Ucrânia.

Onze países votaram a favor e três abstiveram-se (China, Venezuela e Angola). Antes da votação, os 15 países membros do Conselho de Segurança fizeram um minuto de silêncio em memória das 298 pessoas que estavam no voo da Malaysia Airlines.

O voo seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur. A maioria das vítimas era holandesa. O avião foi abatido em uma zona do Leste da Ucrânia onde se registavam combates entre forças ucranianas e separatistas pró-russos.


Israel ordena construção imediata de 300 casas na Cisjordânia

Da Agência Lusa

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou a construção imediata de 300 casas nas colônias da Cisjordânia ocupada, o que foi condenado como um “crime de guerra” pelos palestinos e criticado pela União Europeia e Nações Unidas. “Depois das consultas no gabinete do primeiro-ministro, a construção imediata de 300 habitações em Beit El foi autorizada”, informou, ontem (29), o gabinete de Benjamin Netanyahu, em comunicado, em alusão a uma colônia perto de Ramallah.

“Esta é uma construção prometida há três anos pelo governo, depois da destruição das casas na colina de Oulpena”, um quarteirão de Beit El onde os colonos tinham construído sem autorização, acrescentou o comunicado.

Ao mesmo tempo, foi anunciado o planejamento de mais de 500 habitações em Jerusalém-Leste, parte palestina da cidade ocupada e anexada por Israel.

Hanane Achraoui, da Organização de Libertação da Palestina (OLP), disse que os palestinos consideraram as “atividades ligadas à colonização” israelense “crimes de guerra”.

“Essas atividades inscrevem-se num plano dos dirigentes israelenses para impor a ‘Grande Israel’ na Palestina histórica e destruir a solução de dois Estados e a hipótese de paz”, acrescentou a dirigente palestina. Ela condenou ainda “a escalada da colonização feita pelo governo extremista de Netanyahu.”

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que “os colonatos são ilegais face ao direito internacional e um obstáculo à paz”. Essas decisões “são contrárias à intenção manifestada pelo governo israelense de procurar uma solução com dois Estados”, acrescentou, pedinco aos israelenses “recuarem na sua decisão, no interesse da paz e de uma solução justa” para o conflito israelense-palestino.

“Essas medidas comprometem o compromisso do governo [israelense] de negociar uma solução com dois Estados no processo de paz no Médio Oriente”, reforçou a União Europeia.

Mais de 400 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia e outros 200 mil, em diferentes quarteirões de Jerusalém-Leste.

Dez anos depois da retirada unilateral israelense da Faixa de Gaza, a maioria dos israelenses é favorável a um regresso à colonização deste enclave palestino.

Netanyahu, reconduzido ao cargo nas eleições legislativas de março, prometeu durante a campanha a continuação da colonização e enterrou a ideia de um Estado palestino ao lado de um Estado israelense, mas rejeitou estas afirmações depois das eleições.

Mas o seu novo governo, que tomou posse em maio, está muito alinhado à direita, com uma grande influência de nacionalistas, ultraortodoxos e defensores da colonização.


Estudantes vivenciam práticas das futuras profissões em feira do empreendedor



Vivenciar o que se estuda em sala de aula. Foi com este objetivo que os estudantes dos cursos técnicos de nível médio, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão de Negócios e Turismo Luiz Navarro de Brito (Ceep), localizado no bairro da Lapinha, em Salvador, realizaram a I Feira do Aluno Empreendedor, na unidade de ensino.

Os alunos dos cursos técnicos em Recursos Humanos, Secretariado Escolar, Logística, Contabilidade, Técnico Imobiliário e em Administração apresentaram nos estandes instalados no Ceep, na terça-feira (28), serviços e produtos relacionados às suas futuras profissões. Os estudantes do curso de Administração, por exemplo, mostraram planos de negócios ao simular a administração de uma pizzaria. Eles entraram em contato com situações envolvendo fornecedores de mercadorias, levantamento de custos e lucros da empresa fictícia.

O grupo de alunos do curso Técnico Imobiliário apresentou serviços como venda e aluguel de imóveis. Os futuros profissionais de Logística ofereceram o serviço de aluguel de roupas online por meio da experimentação de uma loja virtual. A estudante Maria Luiza, do curso técnico Recursos Humanos, ao falar sobre a importância desse tipo de atividade, enfatizou que “a feira foi muito proveitosa em todos os segmentos, pois foram apresentadas temáticas interessantes, como marketing pessoal, postura, imagem, além de informações sobre estágio, elaboração de currículo e orientações referentes à Segurança do Trabalho”.

Segundo a professora de empreendedorismo, Gildete Sodré de Britto, a atividade teve o objetivo de proporcionar a interação entre teoria, práticas e experiências individuais e coletivas para despertar a visão empreendedora dos alunos nos segmentos de produtos e serviços. “Os estudantes vivenciaram situações de trabalho ao oferecerem produtos e serviços em uma atividade participativa voltada para o movimento escolar e social”.

De acordo com a diretora da unidade de ensino, Udnéia Braga, a feira foi criada para desenvolver nos estudantes conceitos como empreededorismo, plano estratégico, marketing, investimento, entre outros. “As práticas também darão suporte aos alunos, que já desenvolvem alguma atividade autônoma, para continuar e fazer crescer o próprio negócio”.

Secom Bahia

Secult realiza palestra para orientar sobre prestação de contas de projetos culturais


Mais uma edição da Palestra de Orientação para Execução de Projetos e Apresentação de Prestações de Contas será realizada pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), nesta quinta-feira (30), com o propósito de proporcionar a um número cada vez maior de proponentes a oportunidade de conhecer e esclarecer dúvidas sobre os vários aspectos da execução dos projetos do Fundo de Cultura da Bahia e do Fazcultura, em especial, a etapa de prestação de contas. O evento, que oferece 25 vagas, é gratuito, aberto ao público e o interessado não precisa fazer inscrição.

A palestra acontece por meio de parceria entre a Superintendência de Promoção Cultural (Suprocult) e o escritório Bahia Criativa, no Forte de Serviços Criativos (Forte do Barbalho), em Salvador, das 14 às 17h, e terá como ministrante o diretor de Acompanhamento e Controles, Manoel Pinto. As orientações são destinadas aos proponentes de projetos culturais apoiados via Fundo de Cultura e Fazcultura - em execução, a serem iniciados e futuros proponentes -, além de eventuais participantes da execução e da elaboração da prestação de contas dos projetos.

Há 10 anos responsável pelas análises das prestações de contas dos projetos apoiados pela Secult, Manoel Pinto esclarecerá dúvidas sobre os procedimentos de prestação de contas, com base na legislação vigente. Ele ressalta que, após cinco anos desde a primeira palestra, houve significativas mudanças no trabalho dos proponentes quanto à apresentação das prestações de contas, agora feitas de forma mais satisfatória e dentro dos critérios e das normas de execução do Fazcultura e do Fundo de Cultura.

"Há muitos proponentes que ainda não tiveram acesso a essas orientações. Destacamos que as palestras podem se revelar de grande importância para a correta condução dos projetos, melhorando, assim, as prestações de contas e, consequentemente, a dinamização do nosso trabalho", explica o diretor. Este ano ainda serão realizadas mais três palestras presenciais, no Forte de Serviços Criativos, e uma videoconferência, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em setembro, que será veiculada para as cidades de Guanambi, Vitória da Conquista, Ibotirama, Paulo Afonso, Alagoinhas, Ilhéus, Pintadas, Amargosa, Irecê, Piritiba, Barreiras, Itaberaba, Ribeira do Pombal, Bom Jesus da Lapa, Itabuna, Salvador, Santo Amaro, Brumado, Itapetinga, Santo Antônio de Jesus, Caetité, Jacobina, Seabra, Cruz das Almas, Jequié, Senhor do Bomfim, Eunápolis, Juazeiro, Serrinha, Feira de Santana, Macaúbas, Teixeira de Freitas e Valença. O acesso é aberto ao público.

Secom Bahia

Ciência sem Fronteiras deve ampliar bolsas na pós-graduação, diz Capes

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Após conceder 101.446 bolsas de intercâmbio para estudantes brasileiros, o Programa Ciência sem Fronteiras passa por reformulação. Segundo o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Afonso Nobre, o governo brasileiro está estudando diretrizes para a segunda edição do programa.

A tendência, segundo ele, é aumentar as bolsas para a pós-graduação.Muitos dos alunos que participaram do Ciência sem Fronteira, no estágio da graduação sanduíche, se interessaram em continuar os estudos e ir para a pós-graduação, acrescentou. Portanto, "é natural, até para dar vazão ao interesse que o programa gerou nesses estudantes, que o Ciência sem Fronteiras 2 tenha oportunidades de pós-graduação", disse Nobre.

O presidente explica que o Ciência sem Fronteiras permitiu o intercâmbio acadêmico ainda na graduação, algo que antes era financiado pela Capes apenas na pós-graduação. Na primeira fase do programa, 78,9% das bolsas foram concedidas a graduandos. "A tendência é aumentar as bolsas para a pós-graduação, mas os parâmetros finais ainda não foram definidos", mas ele acredita que as diretrizes sejam fixadas "nos próximos meses".

A segunda edição do Ciência sem Fronteiras foi anunciada em meados do ano passado, pela presidenta Dilma Rousseff, que prometeu mais 100 mil bolsas de 2015 a 2018. Com o contingenciamento no Orçamento, o programa também sofrerá cortes, de acordo com o Ministério da Educação. Nenhum edital da nova edição foi lançado ainda.

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 com a meta de conceder inicialmente 101 mil bolsas - 75 mil bancadas pelo setor público e 26 mil por empresas privadas. As bolsas são voltadas para as áreas de ciências exatas, matemática, química e biologia, engenharias, áreas tecnológicas e de saúde. O objetivo é promover a mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores, e incentivar a visita de jovens pesquisadores altamente qualificados e professores seniores ao Brasil.


Reunião de Dilma com governadores pode ajudar nas pautas legislativas, diz Cunha

Iolando Lourenço e Luciano Nascimento - Repórteres da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

Mesmo se declarando oposição ao governo federal, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ver com bons olhos a reunião da presidenta Dilma Rousseff com os governadores, marcada para amanhã (30) à tarde, pois o encontro será uma oportunidade para os governadores apresentarem algumas das demandas para superar as dificuldades econômicas que dependem do governo e também do Legislativo.

“Eu acho positiva essa reunião da presidenta com os governadores. Eu e o Renan [Calheiros, presidente do Senado] já reunimos os governadores e prefeitos das principais cidades do Brasil e muitas das demandas que eles colocaram aqui dependem da boa vontade do governo e de pautas legislativas as quais o governo concordando ajudaria muito [na aprovação]”, disse Cunha.

Para o presidente, a reunião será um bom momento para que os chefes dos executivos estaduais possam mostrar as dificuldades que estão passando com a baixa na atividade econômica. “Os estados estão sofrendo não só com a crise econômica como um todo, mas com a perda de arrecadação, que é proporcionalmente maior do que a da União. Além de estarem sofrendo a mesma coisa que a União está sofrendo, eles sofrem pelos aumentos dos seus custos”, complementou Cunha referindo-se a gastos adicionais que os estados estão tendo que assumir.

O governo tem defendido a unificação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como uma das medidas para reduzir as desigualdades socioeconômicas regionais. A proposta consta em uma Medida provisória (MP 683/15) publicada no Diário Oficial da União no dia 14 de julho. A MP condiciona a unificação do imposto a outra proposta defendida pelo governo de repatriar recursos de brasileiros no exterior.

Pelo texto, parte da multa sobre os recursos iria para um fundo para financiar possíveis perdas dos estados com a unificação. Cunha acredita que os governadores não concordarão com a proposta, se não tiverem uma garantia da reposição das perdas, por não saberem quanto pode ser arrecadado com a repatriação. “Os governadores não querem que a vinculação do recurso para a composição do fundo de compensação do ICMS seja vinculada a uma receita incerta. Eles querem que o governo determine o quanto vai colocar”, disse.

Embora existam projetos tramitando no Congresso sobre a repatriação de ativos, Cunha defende que o governo envie à Câmara uma proposta com urgência constitucional tratando da matéria. Segundo ele, dificilmente se conseguirá aprovar a urgência para a votação de projetos existentes na Casa, uma vez que são necessários 257 votos.


Rússia veta na ONU criação de tribunal especial sobre queda de avião na Ucrânia

Da Agência Lusa

A Rússia vetou hoje (29), no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), resolução para criar um tribunal especial para julgar os responsáveis pela queda do avião da Malásia, abatido em julho de 2014, no Leste da Ucrânia.

Onze países votaram a favor e três abstiveram-se (China, Venezuela e Angola). Antes da votação, os 15 países membros do Conselho de Segurança fizeram um minuto de silêncio em memória das 298 pessoas que estavam no Boeing da Malaysian Airlines. O voo seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur e a maioria das vítimas era holandesa.

O avião foi abatido no Leste da Ucrânia, onde se registravam combates entre forças ucranianas e separatistas pró-russos.


Governo sírio acusa Turquia de apoiar o terrorismo

Da Agência Lusa

O governo sírio acusou hoje (29) a Turquia de apoiar o terrorismo e criticou o país por se autodeclarar vítima de terroristas, informou a Sana, agência oficial de notícias da síria.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio enviou hoje duas cartas à Secretaria-Geral e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, nas quais afirma que a Turquia tem conspirado contra a Síria ao longo dos últimos quatro anos de guerra civil.

Segundo o governo de Damasco, a Turquia deu proteção a terroristas oriundos de mais de 100 países, que entraram na Síria passando pela nação vizinha para se juntar a grupos extremistas como o Estado Islâmico e a Frente Al Nusra, ramo da Al Qaeda.

“A Síria refuta as tentativas do regime turco de se autodeclarar vítima, quando todos sabem o que tem feito ao proporcionar todo tipo de apoio a organizações terroristas”, dizem as cartas.

As autoridades sírias deram como exemplo as vendas feitas pelo Estado Islâmico à Turquia e que incluem petróleo, cereais, algodão e peças arqueológicas roubadas ao país, e que Damasco assegura ser do conhecimento de Ancara.

Segundo o governo sírio, a Turquia treinou terroristas da Frente Al Nusra e de outros grupos da Al Qaeda, que atuam sob o nome Exército de Al Fatah, além de ter fornecido munição de artilharia, quando entrou na província de Idleb, no Norte da Síria. Com essa acusação, Damasco refere-se à coligação formada pela Al Nusra e outras facções armadas em Idleb, que conseguiram controlar a maior parte da província.

Sobre a ofensiva turca contra o Estado Islâmico no Norte da Síria, o governo de Damasco considerou que “antes tarde do que nunca”, mas questionou a honestidade das intenções turcas, advertindo que tudo pode ser um pretexto para atacar os curdos na Síria e no Iraque, ou cumprir objetivos políticos internos.

Na semana passada, Ancara iniciou uma ofensiva aérea contra combatentes do Estado Islâmico no Norte da Síria e contra a guerrilha curda Partido dos Trabalhadores do Curdistão, no Norte do Iraque.


Confrontos na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia deixam morto e um ferido

Da Agência Lusa

As autoridades venezuelanas fecharam hoje (29) a fronteira com a Colômbia após violentos confrontos entre comerciantes informais, contrabandistas e policiais dos dois países. Pelo menos uma pessoa morreu e uma ficou ferida.

Os confrontos ocorreram na Ponte Simón Bolívar, que liga a cidade colombiana de Cúcuta à venezuelana San António del Táchira, a sudoeste de Caracas.

Em declarações às rádios locais, o secretário de Governo do estado colombiano de Norte de Santander, Julio César Silva, explicou que os confrontos ocorreram nos dois lados da fronteira e que mais de 100 pessoas queimaram pneus, enquanto a polícia venezuelana tentava acabar com o protesto com gás lacrimogêneo.

Os confrontos, segundo o secretário, ocorreram depois que um comerciante informal, que transportava material contrabandeado para a Colômbia, ter sido detectado pela Guarda (polícia militar) venezuelana.

O protesto desencadeou-se depois de o comerciante ter resistido a um controle policial. As autoridades colombianas enviaram para a região um grupo de policiais com equipamentos antimotins.

Milhares de pessoas e centenas de viaturas passam diariamente pela fronteira entre a Venezuela e a Colômbia.

Na Venezuela, são frequentes as denúncias de que os cidadãos tentam contrabandear produtos para o país vizinho, principalmente produtos alimentícios e outros de primeira necessidade, porque alguns deles são vendidos a preços subsidiados em território venezuelano.



Segurança pública é tema mais citado em redes sociais, indica monitoramento

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

Um monitoramento feito diariamente há mais de um ano pela Diretoria de Análises de Políticas Públicas (Dapp) da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que menções relacionadas à segurança pública nas redes sociais – Facebook e Twitter – superam temas como educação e saúde. O estudo foi apresentado hoje (29) no 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na sede da FGV, no Rio de Janeiro.

"As menções à segurança pública vêm aumentando nas redes sociais, regularmente e gradativamente, a ponto de ser o tema, entre os que monitoramos, que tem mais menções em média", disse o pesquisador Amaro Grassi.

O estudo revela que os crimes de roubo e homicídio são os mais mencionados pelos internautas de cinco estados e do Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, chega a 57,9% o percentual de menções a roubos em relação ao total de crimes. No Distrito Federal, 32,7% das menções referem-se a homicídios, o maior patamar entre os estados mostrados. Em Minas Gerais, chegam a 16,37% as menções a estupro.

No início de 2014, as citações à segurança pública estavam, em média, abaixo de 40 mil por dia, passando à frente do tema educação, que ocupava o segundo lugar. No fim de junho, o tema segurança superou as 60 mil menções médias diárias. A pesquisa leva em conta apenas posts públicos de perfis em redes sociais como Twitter e Facebook.

Na terça-feira (28), o monitor da Dapp apontou mais de 49 mil menções à segurança pública. Em segundo lugar, ficou o tema protestos, com 23 mil menções, seguido por educação, com 14 mil, e corrupção, 13 mil. Saúde, com 12 mil, e transportes, com mil, foram os menos mencionados.

Para Amaro Grassi, as redes sociais favorecem a difusão da informação, “mas não necessariamente o debate”, porque as posições acabam ficando isoladas. Ele identifica uma polarização, na internet, entre menções contrárias e favoráveis a medidas de repressão ao crime, como a redução da maioridade penal. "Existe hoje uma polarização, não só em relação à segurança, mas também em relação ao debate político", afirmou.

A pesquisa da FGV mostra ainda que as palavras educação, escola e governo estão entre os mais relacionados à segurança. Segundo Grassi, a associação é recorrente tanto entre os que defendem o aumento da repressão ao crime quanto entre os que preferem soluções alternativas. "Essa percepção é comum entre essas duas posições mais consolidadas."

O estudo indica que também cresceu a insatisfação dos internautas em relação aos serviços públicos da área de segurança. Em uma pesquisa de opinião feita em outubro do ano passado, 76% dos entrevistados se disseram muito insatisfeitos ou insatisfeitos com os serviços públicos de segurança, percentual que subiu para 82% em abril deste ano. Os muito satisfeitos ou satisfeitos caíram de 14% para 9%.