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Leitura e reflexão: A deusa Kali, o divórcio e o casamento.

Foto: Verdade na Prática 

 A deusa Kali, o divórcio e o casamento

O panteão hindu é sem dúvida o maior do mundo, com deuses de toda forma, espécie e para todo propósito. Acredita-se que o panteão hindu chegue a 330 milhões de deuses, embora os Vedas mencionem apenas 33 deuses.

Existem algumas versões para os 330 milhões de deuses, porém, duas delas, a meu ver, fazem mais sentido. A primeira é a que diz que o número surgiu em tempos remotos, quando na Índia existia uma crença de que existiam 330 milhões de criaturas no mundo, e se cada criatura é um deus, então o número faz sentido. A segunda versão, mais realista, é a escritural, pois os trinta e três deuses mencionados nos Vedas são seguidos da palavra koti (sânscrito), que representa a soma de dez milhões, portanto, trinta três deuses multiplicados por dez milhões, é igual a trezentos e trinta milhões. Embora o número seja elevado, é muito mais um número simbólico da infinidade do que um número literal.

Há no panteão hindu uma deusa chamada Kali, embora seja representada por uma imagem de cor azul, seu nome literal significa A Negra. É uma das divindades mais veneradas na Índia, sendo adorada através do sacrifício de animais, no entanto, até o século XIX, era adorada com sacrifícios humanos. A imagem de Kali é impressionante, tem quatro braços, pele azul, os olhos ferozmente arregalados, os cabelos revoltos, a língua pendente, os lábios tintos de hena e bétele. No pescoço traz um colar de cabeças humanas, e nos flancos uma faixa de mãos decepadas. No entanto, o que mais me incomoda na imagem de Kali é a sua postura, sempre representada em pé sobre o corpo caído do esposo Shiva, simbolizando a sua dominação.

Na verdade, fiz este passeio pela Índia, país que amo de todo coração, para reflectir sobre outro assunto, o relacionamento conjugal. O número de divórcios é cada vez mais elevado, segundo os dados do IBGE, entre 1984 e 2007, o número de divórcios aumentou em 200%. Em 1984, registam-se 30.847 divórcios no Brasil, já em 2007, o número foi de 179.342 divórcios. Em Portugal a situação não é muito diferente, com a maior taxa de divórcios da União Europeia, entre 1995 e 2004, foi registrado um aumento de 89% no número de divórcios em Portugal. Segundo o IPF (Instituto Internacional de Política Familiar), na Europa, ocorre um divórcio a cada 33 segundos. No meio evangélico o quadro se repete, embora não exista uma pesquisa precisa sobre o índice de divórcios entre evangélicos, basta olharmos para dentro das igrejas para termos uma ideia do quadro real.

As consequências dos divórcios são desastrosas, são caras, e trazem danos irreparáveis nos envolvidos, e desarmoniza a sociedade. Nestes quase dezassete anos de caminhada ministerial não conheço uma única pessoa divorciada que seja completamente curada, mesmo naqueles que reconstruiram suas vidas. A reconstrução de novas felicidades conjugais, não aniquila as infelicidades vividas na companhia de outra pessoa, existirá sempre uma cicatriz profunda, que quando tocada, trará a lembrança de um passado adormecido, mas que jamais poderá ser apagado. E nos filhos, estas feridas tendem a nunca virarem cicatrizes, mas uma ferida cronica e exposta.

Os problemas causadores dos divórcios são os mais diversos, desde uma ênfase exagera da média no sex appeal, com uma exibição exagerada de corpos desnudos e sarados de homens e mulheres, incitando a busca por um prazer circunscrito apenas ao nível do prazer do corpo, que na verdade dura em média vinte segundos, duração média de um orgasmo. Se a satisfação do corpo é o que importa, então vale tudo, por isso vemos cada vez mais um número crescentes de maridos e esposas traírem-se, por pessoas do mesmo sexo, abrindo a porta para as relações homossexuais e bissexuais, e com a abertura das casas de swing, as relações também já são poli-sexuais. Outro factor é o factor afectivo, é a velha história da mulher que justifica sua traição ou abandono do casamento por falta de afectividade por parte do marido, ou vice-versa. O homem por sua vez queixa-se mais da falta de líbido para com a esposa ou por parte da esposa, ou vice-versa. Isto me faz lembrar o velho provérbio popular: o pasto do vizinho sempre é mais verde que o nosso. Haverá sempre a tentação de buscar na rua aquilo que não encontramos em casa, no entanto isto torna-se uma busca sem fim e nunca satisfaz. Se antes do casamento as mulheres buscam o príncipe encantado, e os homens as princesas, se ao casarem-se não se satisfizerem um com o outro, depois do divórcio, nem um harém deles resultará.

Ao escrever tudo isso continuo com a imagem de Kali em pé sobre o corpo caído do esposo Shiva. Uma imagem que para mim, ao contrário do que significa para os hindus, significa o caos. Sou levado à Escritura Sagrada, à Bíblia, e nela observo o Deus Eterno e Único, a dizer ao homem e a mulher, marido e esposa: Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Efésios 5:22-25. Este texto lido tão apressadamente nas cerimónias de casamento representa na verdade o equilíbrio necessário para a harmonização do matrimónio. O Deus Criador, que nos conhece muito bem, pois foi ele quem nos fez, sabe exactamente a parte que cai bem a cada um dos cônjuges no casamento. Obviamente nossa tendência natural é a rebeldia contra Deus e a sua Palavra. Nossa tendência é empurrar sobre o outro a parte que nos cabe, como se Deus tivesse esquecido de repetir a mesma ordem ao outro. A esposa quer que a submissão também seja aplicada ao marido e o marido por sua vez quer que o amor seja aplicado a esposa, criando ali uma disputa sem fundamento. A enfase do texto não está no amor e nem na submissão, mas na vocação, em que cada um dos cônjuges saiba qual é seu lugar no matrimónio, para que ele consiga sobreviver as intempéries da vida.

A tendência do homem não é amar, Deus sabe disto, por isso ordenou o amor ao homem. O homem é dado a luta, a guerra, a violência, nem sempre maligna, na maioria das vezes em defesa de si mesmo e dos que a ele pertence, por isso Deus lhe ordena o amor. A tendência da mulher por sua vez, é a rebeldia, a desobediência, a independência, a manipulação, nem sempre maligna, na maioria das vezes é uma tentativa de conduzir as coisas no caminho que compreende ser melhor e por isto Deus lhe ordena a submissão. A ênfase de Paulo em Éfésios está no relacionamento, na harmonia, entre marido e mulher, que deve ser inspirado no relacionamento de Cristo com a Igreja.

A imagem de Kali, é a imagem do caos. O marido caído inerte, e ela com seu pé sobre ele, subjugando-o, a figura de seu rosto não é a de contentamento, mas de uma desequilibrada mental, com sua enorme língua de fora, olhos esbugalhados, espada e fogo nas mãos, ornamentada de membros humanos. É uma imagem não de um deus, mas uma fotografia do próprio homem, da nossa insanidade, do nosso caos, na nossa rebeldia e violência. Quando deixamos de atentar para a Palavra de Deus em nossa conduta na família, corremos o risco de ver esta terrível imagem destruidora em nosso lar. O hinduísmo diz que a imagem grotesca de Kali, na verdade não representa a sua intenção, no íntimo ela é boa, só quer ajudar a manter as coisas. É a nossa mesma desculpa, sempre sobrestimamos nossas intenções, todo pecador é bem-intencionado.

Enquanto não atentarmos para a Bíblia, que nos mostra o papel de cada um na família, vamos ver as pesquisas do IBGE e o IPF se agravarem, até que aconteça em nossa própria casa. Observe que nosso lugar na família, nada tem a ver com nossa importância na sociedade. A Bíblia diz que Deus criou tanto o homem como a mulher à sua imagem (Gênesis 1:27). Mesmo Paulo, entendido muitas vezes erroneamente como machista, disse que macho e fêmea são na verdade um, isto é iguais, em Cristo (Galátas 3:28).

Se desejamos um casamento feliz e realizado, é preciso voltar-se para este ponto central. Quando há equilíbrio no casamento, não importa a propaganda que a média faça da sexualidade ou mesmo o quanto o pasto do outro é verde, pois não há ocasião para tais distracções. Na travessia do mar, a carga do navio deve ser bem distribuída, o peso precisa ser equilibrado, para que este possa enfrentar a fúria das águas. Quando a esposa atrai para si responsabilidades do marido, e o marido atrai para si responsabilidades da esposa, há desequilíbrio.

A palavra mais perniciosa no casamento é a palavra direito. Quando no casamento começa a existir disputa por direitos, então é uma denúncia de que alguma coisa vai mal. Se cada um de nós sabemos qual é a nossa vocação na família, e somos fiéis a ela, não fará qualquer sentido lutar por direitos. Não haverá ninguém melhor ou pior, em vantagem ou desvantagem. Nossa queda começa quando deixamos de buscar na Bíblia o equilíbrio, e buscamos em nós mesmos, em nossas intenções e aspirações, quando isto ocorre, nos transformamos em Kali, com o pé sobre o outro, numa luta acirrada por domínio. O Senhor Deus, após dizer que tanto homem como mulher foram criados à sua imagem, lhes ordenou dominasse sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra (Genesis 1:28), e não um sobre o outro.

Que Deus nos ajude e tenha misericórdia dos nossos casamentos, para que seja um reflexo do amor entre Cristo e a sua Igreja, longe, mas muito longe do relacionamento entre esses deuses hindus.


Autor: Luis Alexandre Ribeiro Branco 




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