| Foto: Arquivo pessoal Antônio Patrício |
Chamava se Cuíca (Antõnio).
Tinha natureza plácida e fisionomia enigmática, órbitas profundas que pareciam contemplar o vazio.
Era alto, espadaúdo, com os ombros largos, quase na linha do queixo.
Criara uma dezena e meia de filhos, alguns biológicos, outros lhe foram entregues pelo destino.
Talhou-os no bom caminho, do exemplo da honestidade, do dever.
Fora picado por cobras 32 vezes ao longo da vida, -"tinha uma imunidade de outro mundo", diziam.
Gostava de brincar com o perigo.
Ficaram sequelas das peçonhas,
não a cegueira, não os sentidos, mas o juízo.
Tornou-se ainda mais taciturno, lunático.
Pegava-as (cobras) com as mãos, punha um pedaço de fumo na boca, mascava, criava uma saliva abundante impregnada; com o polegar e o indicador apertava as mandíbulas das víboras, bocas abertas, cuspia o líquido salivoso goela adentro do réptil.
Assistia o animal se debater até a morte; era o seu lazer... ou vingança.
Autor: Antônio Patrício
Servidor público, Sociólogo de formação.
Foto: Arquivo pessoal - Antônio Patrício
* Baseado em fato real
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Geraldo Brandão
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