Atleta brasileiro de polo aquático nega abuso sexual, diz advogado

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo




O goleiro reserva da seleção brasileira de polo aquático, Thye Mattos, 27 anos, negou à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) que tenha tido qualquer tipo de relação com a jovem moradora de Toronto, no Canadá, que o acusa de abuso sexual.

Segundo o advogado da confederação, Marcelo Franklin, que está à frente da defesa de Thye, o atleta garante ser inocente. De acordo com o advogado, as notícias de que o goleiro admitiu a representantes da CBDA ter tido relação com a jovem com o consentimento dela não procedem.

“Fomos todos pegos de surpresa. As informações foram divulgadas nessa sexta-feira [24], durante uma entrevista coletiva das autoridades canadenses, que não trabalham aos finais de semana. Ainda não tivemos acesso às acusações”, disse o advogado à Agência Brasil. Franklin revelou já estar trabalhando na defesa de Thye em conjunto com um profissional canadense e que espera receber, nos próximos dias, informações mais consistentes que lhe permitam definir a estratégia a adotar.

“Antes de qualquer prejulgamento, é preciso conhecer as acusações e as evidências que as sustentam. Até porque, é preciso levar em conta que, na legislação canadense, o assédio sexual vai de um toque não autorizado, um beijo, até, na outra ponta, o estupro”, acrescentou o advogado.

O advogado disse não saber se Thye deixou ou foi cortado da seleção para regressar ao Brasil, mas confirmou que a delegação brasileira discutia a hipótese de que o goleiro não disputasse o Mundial de Esportes Aquáticos, que teve início hoje (25) em Kazan, na Rússia, onde a equipe estava quando as denúncias vieram a público.

Segundo as autoridades canadenses, Mattos e outro integrante da equipe brasileira de polo aquático foram à casa da jovem na madrugada do dia 16 de julho, após se conhecerem em um bar, onde os atletas comemoravam a conquista da medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

De acordo com a inspetora de Crimes Sexuais, Joanna Beaven-Desjardins, a vítima afirma que, a certa altura, decidiu ir dormir. Foi quando, segundo a jovem, Mattos a seguiu até o quarto e abusou sexualmente dela. Ainda segundo a vítima, uma amiga dela estava presente. A polícia emitiu um mandado de prisão com a foto e dados do atleta, além de um número de telefone para denúncias.

Em nota divulgada hoje, a CBDA afirma que só será possível avaliar a consistência do caso e estabelecer as próximas medidas a serem tomadas após análise dos autos do processo. A confederação lembra que nenhum membro da delegação brasileira foi procurado pelas autoridades canadenses ou recebeu qualquer comunicado oficial antes de deixar o país e viajar para a Rússia.

“O atleta se declara inocente, sendo certo que tanto pela nossa legislação, quanto pela lei canadense, todos são presumidos inocentes até prova em contrário”, afirma a CBDA na nota.


Plutão está coberto por uma névoa

Da Agência Lusa

A agência espacial norte-americana Nasa (National Aeronautics and Space Administration) divulgou esta madrugada novas imagens de Plutão captadas pela sonda New Horizons que revelam que o planeta-anão está coberto por uma névoa.



A sonda, que passou perto de Plutão na semana passada, numa missão que arrancou há quase uma década, continua a enviar informação para a equipe da Nasa.

"As nossas expetativas foram mais que superadas. Com gelo solto, uma substância estranha na sua superfície, cordilheiras e uma ampla névoa, Plutão mostra uma diversidade emocionante de geologia planetária", disse em comunicado John Grunsfeld, um dos diretores adjuntos da Nasa.

A sonda New Horizons captou imagens que mostram uma névoa de 130 quilômetros por cima da superfície de Plutão, com duas capas bem diferenciadas, uma de 80 quilômetros e outra de cerca de 50 quilômetros.

"As névoas detectadas nesta imagem são um elemento chave da criação dos complexos de hidrocarbonetos que dão à superfície de Plutão um tom avermelhado", acrescentou Michael Summers, um investigador da sonda na universidade de George Mason, em Fairfaz (Virginia), citado no comunicado.

Alan Stern, o principal investigador da sonda em Boulder, Colorado, Estados Unidos, descreveu o ambiente de Plutão como "uma atmosfera extraterrestre" de uma "incrível beleza."

Até agora os cientistas estimavam que as temperaturas em Plutão fossem muito quentes para que se formassem neblinas a altitudes superiores a 30 quilômetros acima da superfície do planeta-anão.

A missão do New Horizons também detectou nas imagens "gelos estranhos" na superfície de Plutão e assinalou uma atividade geológica recente.



Mulheres negras preparam marcha nacional para exigir direitos

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

“Nosso feminismo se inspira nas guerreiras africanas. Levantar a cabeça é necessário, negras e pretas revolucionárias”. Os versos de rap cantados pela ativista Larissa Borges embalaram hoje (25) a discussão sobre a primeira Marcha de Mulheres Negras, marcada para o dia 18 de novembro, em Brasília. Reunidas na 8ª edição do Festival Latinidades, cerca de 50 mulheres trocaram experiências sobre a identidade negra feminina e as principais demandas desse público, que serão apresentadas na marcha.

“O Movimento de Mulheres Negras, a partir da marcha, inaugura um novo processo de empoderamento e uma nova etapa na agenda política das mulheres negras no Brasil e na América Latina”, avaliou Larissa, que é diretora de programas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

A historiadora Gisele dos Anjos Santos é uma das organizadoras da marcha em São PauloMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A ampliação do protagonismo das mulheres negras, que estão presentes em diversos movimentos sociais, também foi destacada pela historiadora Gisele dos Anjos Santos, uma das organizadoras da mobilização em São Paulo. “As mulheres negras estão em todos os movimentos sociais, a grande questão é saber a posição que essas mulheres ocupam. Na marcha, vamos estar à frente da construção de todo o processo e vamos sentar à mesa para discutir e negociar o que nos implica diretamente e está relacionado a nossa possibilidade de sobreviver nesse país”, apontou.

Entre as questões que serão levadas à marcha, estão temas como visibilidade e identidade das mulheres negras. “Ainda temos meninas que não têm coragem de sair na rua com turbante na cabeça, têm medo do que vão dizer delas”, lembrou a professora e rapper Vera Verônica. “Vamos marchar pelas nossas crianças, pelos nossos filhos, pelas mulheres que ainda não nasceram e pelas que morreram por nós, vamos juntas.”

Emocionada, a estudante Gabriela Nascimento deu um depoimento sobre as contradições vividas por ela sendo negra em uma escola de classe média de maioria branca e disse que mobilizações como a da marcha dão voz às mulheres negras e garantem espaço de reconhecimento de identidades e afirmação da beleza e da cultura negras.

“Marchar vai significar um momento em que vou resistir ao cotidiano. Vou marchar para que as pessoas possam se reconhecer como negras, não queiram se embranquecer”.

“Vou marchar para que as pessoas possam se reconhecer como negras, não queiram se embranquecer”, disse a estudante Gabriela NascimentoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A violência de gênero, o racismo institucional e o genocídio da juventude negra também integram a agenda das mulheres negras e foram lembrados no debate deste sábado. “Por que vou marchar? Porque tenho três filhos e dois netos homens, e como outras mães, quero dar um basta ao genocídio dos brasileiros negros. Vivemos com medo de saber que, a qualquer momento, um dos nossos pode ser vítima, pode ser morto pela polícia. Venham para a marcha em nome da juventude negra”, defendeu Maria Luiza Junior, professora e militante do movimento negro em Brasília.

A marcha vai ocupar a Esplanada dos Ministérios no dia 18 de novembro, dois dias antes do Dia Nacional da Consciência Negra. Segundo Gisele dos Anjos Santos, uma das organizadoras, a data foi escolhida para não esvaziar as mobilizações estaduais e municipais do movimento negro no dia 20 de novembro. A organização ainda não tem estimativa do número de participantes da caminhada, mas está levantando informações com movimentos de mulheres negras de todo o país para trazer o maior número de ativistas a Brasília.


Brasileiros chegam às finais individuais do tênis de mesa masculino e feminino

Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

A seleção masculina brasileira de tênis de mesa já garantiu as medalhas de ouro, prata e bronze dos Jogos Pan-Americanos, na categoria individual da modalidade.



Gustavo Tsuboi e Hugo Calderano disputarão entre si as medalhas de ouro e prata. Para chegar à decisão, que ocorrerá às 19h (horário de Brasília), Tsuboi desclassificou hoje (25), na semifinal, o conterrâneo Thiago Monteiro, por 4 sets a 3. Já Calderano venceu o canadense Eugene Wang, também por 4 sets a 3.

Derrotado por Tsuboi, Monteiro ficou com a medalha de bronze por ter vencido o chileno Felipe Olivares por 4 sets a 3, também hoje. Juntos, os três atletas brasileiros já haviam conquistado o ouro por equipes durante o Pan-Americano.

Ao todo, a seleção brasileira de tênis de mesa trará ao país sete medalhas. Além das quatro medalhas da equipe masculina (três no individual e uma por equipes), a delegação feminina trará mais três. A chinesa naturalizada brasileira Gui Lin venceu a norte-americana Lily Zhang e disputará a final com a norte-americana Yue Wu, na decisão, às 19h. A brasileira Caroline Kumahara ficou com o bronze. Além disso, a delegação feminina conquistou a medalha de prata por equipes.



Obama pede “igualdade de direitos” para homossexuais na África

Da Agência Lusa Edição: Valéria Aguiar

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na abertura da 6ª Cúpula Global de Empreendedorismo, na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairobi, QuéniaDaniel Irungu/EPA/Agência Lusa - Todos direitos reservados
O presidente norte-americano, Barack Obama, em visita oficial ao Quênia, pediu hoje (25) igualdade de direitos para os homossexuais na África, comparando a homofobia à discriminação racial existente nos Estados Unidos.

“Tenho sido coerente em todo o continente africano quanto a esta questão: creio no princípio segundo o qual cada um deve ser tratado de forma igual perante a lei e que o Estado não deve discriminar ninguém em função da sua orientação sexual”, afirmou Obama em Nairobi, em entrevista coletiva junto com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

“Enquanto afro-norte-americano nos Estados Unidos, estou dolorosamente consciente das consequências da discriminação”, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano falou sobre as eleições presidenciais de Burundi, na África Central, que deram terceiro mandato ao presidente, Pierre Nkurunziza.

“Apelamos ao governo e à oposição [burundianos] para que estabeleçam um diálogo que conduza a uma solução política para a crise e evite a perda de mais vidas inocentes”, frisou.

Barack Obama fez um apelo para o fim da “terrível guerra civil” no Sudão do Sul, que há 19 meses devasta o país.

“A situação é terrível. Consideramos que a melhor forma de terminar com os combates é os dirigentes sul-sudaneses colocarem o seu país em primeiro lugar, com a ajuda de um acordo de paz que ponha fim aos combates”, declarou.

Por último, o presidente norte-americano falou das redes islâmicas somalis Shabab, ligadas à Al-Qaeda, afirmando que estas se encontram “enfraquecidas” na África Oriental, mas os riscos derivados da sua presença na região se mantêm.

“Temos reduzido de forma sistemática os territórios que os combatentes Shabab controlam. Conseguimos reduzir a sua atividade na Somália e enfraquecemos essas redes que operam na África Oriental, mas isso não quer dizer que o problema esteja resolvido,” disse Obama.


Temer defende Cunha e diz que relação entre PMDB e governo é institucional

Luana Lourenço - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

O vice-presidente Michel Temer usou hoje (25) o Twitter para dizer que não participa de “movimento contra o presidente da Câmara”, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar foi citado no depoimento de um dos delatores do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, Júlio Camargo, que o acusa de ter recebido R$ 5 milhões em propina.



Cunha nega a acusação, mas pode vir a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

“Não participo de movimento contra o presidente da Câmara. As relações entre governo, Câmara dos Deputados e PMDB devem ser institucionais, tendo em vista os interesses do país”, escreveu Temer na rede social. A mensagem foi compartilhada por Cunha minutos depois, também pelo Twitter.

A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados também saiu em defesa de Cunha e informou que não aceitará “especulações que visem a enfraquecer a autoridade institucional do presidente da Câmara”, segundo nota divulgada na noite de ontem (24).

No texto, os deputados peemedebistas argumentam que a democracia prevê o direito à ampla defesa e criticam a especulação sobre a participação de Cunha no esquema baseada apenas nas informações do delator. “Na democracia, diferentemente das ditaduras, todos os cidadãos, sem exceção, estão sujeitos a investigação, não importa quanto poder ou riqueza possuam. É isso o que ora assistimos no país. Mas a democracia prevê também o direito à ampla defesa. Não existe julgamento sumário”.


Mulher, negra e migrante: conheça a experiência de latino-americanas no Brasil

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo



O desejo de melhorar a vida financeira da família, de oferecer oportunidade de estudos aos filhos, de fugir da violência ou de trabalhar em uma missão humanitária. Esses são exemplos das motivações que levaram mulheres imigrantes a deixarem seus países de origem. No dia em que se celebra o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha (25 de julho), a Agência Brasil publica histórias de mulheres negras que escolheram o Brasil para construir uma nova história.

A colombiana Jennifer Anyuli, a nicaraguense Yadira Campbell e as haitianas Beatrice Dominique e Experience Altagrace compartilham mais do que o mesmo território americano identificado como latino. A ascendência africana confere outras semelhanças às histórias de vida delas, como a necessidade de lidar com o racismo e as diferenças de gênero de forma severa.

Latino-americanas e caribenhas representam cerca de 30% do total de mulheres que migraram para o Brasil, aproximadamente 83,8 mil, segundo relatório das Nações Unidas, lançado em 2014.

A socióloga Marilise Sayão, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca que muitas dessas mulheres se deslocam pela necessidade de romper com o ciclo de pobreza e miséria em que se encontram.

“O que une essas mulheres na América Latina e Caribe? Essa herança da diáspora, da época da escravidão, e, depois, essa diáspora de deslocamento, de migração, de busca de melhores condições em outros países”, apontou.

Também identificada como afrodescendente, Marilise considera que é fundamental lembrar e celebrar a especificidade da mulher negra, latina e caribenha. “As mulheres negras estavam em situação de subalternidade, tanto dos homens, quanto em relação às mulheres brancas”, explica. Ela destaca, como exemplo, a luta das mulheres pelo direito de trabalhar fora. “A maioria das mulheres negras sempre trabalhou. Ela era a empregada doméstica, a escrava. Aquelas reivindicações não representavam essas mulheres”, apontou.

“Imigrar pela necessidade de sobrevivência, de ir além”

A socióloga Jennifer Anyuli, 23 anos, veio com os pais e os dois irmãos da Colômbia, há 9 anosMarcelo Camargo/Agência Brasil
A socióloga Jennifer Anyuli, 23 anos, veio com os pais e os dois irmãos da Colômbia, há 9 anos. “A motivação foi a questão econômica, porque lá não se tinha a mesma facilidade de se virar nos 30 como aqui. A questão da violência também. Morávamos numa favela”, relembra. Hoje, ela relembra o começo difícil no novo país. “Até a gente conseguir se levantar, eu, meu irmão e meu pai saímos para a rua para vender [água, refrigerante] no farol”, relatou.

Jennifer avalia que o processo de adaptação foi mais difícil para os pais. “Até hoje eles falam portunhol. Para meus irmãos e para mim´, já foi mais fácil”, relatou. Apesar da facilidade com o idioma, a jovem, que não tem sotaque, acredita que isso se deve à pressão vivida na fase escolar. “Muitos imigrantes enfrentam bullying”, apontou. Ela acredita que é preciso desenvolver políticas públicas para acolhida desses estrangeiros, não só no campo na assistência social, mas também na saúde e na educação.

Com traços andinos, ela identifica-se como afro-indígena. Jennifer conta que passou por um processo de autoconhecimento a partir do trabalho com voluntária na Pastoral do Migrante, dando aulas de português para estrangeiros. “A questão da identidade ficou muito forte a partir de então, tanto que você pode ver em mim”, diz, apontando para o artesanato e elementos étnicos na roupa. Os cachos no cabelo também foram assumidos pela jovem como uma afirmação de suas origens, tanto indígena, como africana.

“Era a primeira vez que trabalhava com gente parecida comigo”

A médica Yadira Campbell diz que, quando era jovem, não percebia o fato de se formar em medicina como um privilégio. “Quando você cresce, vai entendendo que, por ser a única, não é que seja mais inteligente, mas os que ficaram atrás foi por alguma razão”Arquivo Pessoal/Direitos Reservados
A médica nicaraguense Yadira Campbell, 44 anos, morou no Brasil por cinco anos, quando acompanhava o marido em uma missão das Nações Unidas, no Rio de Janeiro. Antes de passar pelo país, já havia desenvolvido um trabalho em Angola. Foi quando teve, pela primeira na vez na vida, a experiência de trabalhar com médicos e pacientes com os quais se identificava pelos traços fisionômicos. “Eu sou do Caribe e toda vida fui minoria. Na Nicarágua, eu sou afro-caribenha, [que representa] um grupo pequeno”, declarou.

Hoje, ela vive na Espanha e encontra uma situação em que novamente é minoria. “Aqui, era a única médica afrodescendente”, relata. No Brasil, o fato de ser uma médica negra também se mostrou novidade entre os profissionais da área. “Na pós-graduação, havia cerca de 100 pessoas e eu era a única negra de toda essa quantidade de médicos. Eram médicos mais velhos, quase todos especialistas. Depois, quando fiz trabalho na Santa Casa, encontrei gente mais nova, que estava fazendo residência. Encontrei mais afrodescendentes”, relatou.

Ao falar como se sentia nessa situação, Yadira explica que, quando era jovem, não percebia o fato de se formar em medicina como um privilégio. “Quando você cresce, vai entendendo que, por ser a única, não é que seja mais inteligente, mas os que ficaram atrás foi por alguma razão”, apontou. Ela acredita que é fundamental um dia para celebrar as contribuições para a sociedade e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres afro-latinas. “Quanto mais longe de afro, você é melhor profissional. Queremos mudar essa forma de ver. Por isso levo o afro em todos os meus atos, fazendo bem a minha profissão e celebrando os antepassados”, declarou.

“O terremoto levou o que eu tinha”

A comerciante haitiana Beatrice Dominique, 37 anos, aguarda ansiosa o momento em que um empregador irá à Missão Paz – centro de referência para imigrantes no centro da capital paulista – para lhe oferecer um emprego. No Brasil há dois meses, ela deixou o Haiti com a esperança de reconstruir a vida depois que perdeu tudo no terremoto devastador de 2010. “A vida ficou difícil lá”, relata.

A viagem para o Brasil já antecipou as dificuldades que encontraria no novo país. “Na passagem pelo Equador, um ladrão levou tudo. Fiquei sem nada. Tive que pedir para parentes mandarem dinheiro”, relembrou. Depois, ela seguiu viagem até a entrada pelo Acre e a chegada em São Paulo.

“Pensava que ia trabalhar, mas grávida é mais difícil”

Grávida de seis meses, a haitiana Experience Altagrace, 30 anos, chegou ao Brasil há cerca de um mês. Diferentemente da maioria dos haitianos, que entra no país por terra, pelo estado do Acre, ela viajou de avião, com um visto conseguido em seu país. Ela foi acolhida pela Missão Paz, onde dorme e faz as refeições. “Está difícil conseguir um emprego. Meu esposo está no Haiti. Pensava que ia trabalhar, mas por estar grávida é mais difícil”, lamentou.

É comum que haitianos rejeitem fotografias para exposição em jornais e na internet. Sem entrar em detalhes, Experience apontou que não gostaria que alguns parentes soubessem que ela está no Brasil.


Após reatamento entre Cuba e EUA, suspensão do embargo dever ser o próximo passo

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

A sociedade cubana deve perceber mudanças significativas com o fim do bloqueio econômico, diz especialistaAgência Lusa/EPA/Andrew Harnik/Direitos Reservados
Após o reatamento diplomático entre Cuba e Estados Unidos, a normalização das relações entre os dois países ainda tem pendências a serem resolvidas, principalmente a suspensão do embargo econômico, comercial e financeiro imposto à ilha caribenha desde 1962. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a sociedade cubana deve perceber mudanças mais significativas em seu cotidiano com o fim do bloqueio econômico.

No dia 20 de julho, as embaixadas foram reabertas em Washington e em Havana após 54 anos de rompimento diplomático. Nesse dia, após reunião com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o chanceler cubano Bruno Rodríguez disse que Havana reconhece a determinação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em trabalhar para suspender o embargo econômico a Cuba e reiterou a urgência de o Congresso norte-americano eliminar o bloqueio, que restringe as trocas comerciais e o acesso de empresas e investidores à ilha caribenha.

Para o professor do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Paulo Pereira, a reabertura das embaixadas tem importante caráter simbólico de remoção de um dos resquícios da Guerra Fria, mas representa apenas o início de um ciclo que só vai se completar com o fim do embargo. “Quando o embargo for retirado, a gente vai começar a ver, aí sim, uma maior transformação política e econômica e vai poder dizer que esse anacronismo da Guerra Fria foi colocado de lado pelos Estados Unidos”.

Na avaliação do professor, as mudanças que vão ocorrer para o cidadão cubano ainda vão precisar de um tempo para aparecer. “O ponto mais fundamental desse processo é uma gradual abertura de comercialização entre Estados Unidos e Cuba, especialmente a partir do momento, e esse é o grande teste desse reatamento diplomático, do fim do embargo. Enquanto isso não ocorrer, as mudanças ainda vão ser muito tímidas. Acho difícil que o cidadão comum sinta tão presente agora qualquer transformação”.

Pereira acredita que a retomada das relações vai possibilitar uma maior circulação de pessoas, principalmente dos cubanos exilados nos Estados Unidos para visitar a ilha caribenha. “Existe uma série de restrições de viagens entre os dois países e, com o reatamento, isso deve ter um relaxamento. Já havia uma distensão nesse sentido há pelo menos um ano e meio e agora esse processo será intensificado”.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio Filho também acredita que as visitas e as remessas de dinheiro serão facilitadas. “Muitas pessoas em Cuba têm parentes nos Estados Unidos e o envio de ajuda financeira sempre foi difícil. A facilitação das viagens e das remessas já é um grande passo. O processo de mudanças é lento, não é da noite para o dia. Cuba é um mercado em potencial para diversos setores, como, por exemplo, telecomunicações.”

O consultor e ex-secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, diz que uma das principais apostas da economia cubana para se reerguer é o afluxo de turistas americanos. Segundo ele, o turismo é uma das principais atividades econômicas da ilha caribenha que teve grande investimento em resorts e hotéis de grupos europeus.

Barral lembra que a economia cubana foi subsidiada pela União Soviética na época da Guerra Fria e passou a vivenciar forte crise a partir da década de 1990. “A abertura do mercado americano será muito importante. Cuba vai poder exportar produtos tradicionais, como charutos e rum, o que vai ajudar sua economia”.

O ex-secretário de Comércio Exterior explica que a economia cubana está em transição. “Para atrair capital estrangeiro, Cuba já fez algumas reformas permitindo investimento externo em alguns setores, como turismo. Os cubanos já podem ter alguns pequenos negócios, como restaurantes e táxis. Uma transição para uma economia de mercado vai vir com o tempo, não vai ser de um dia para o outro”.

Barral destaca que o Brasil, ao financiar o Porto de Mariel, em Cuba, saiu na frente nesse novo cenário que se desenha para a região. “Cuba tem uma posição geográfica privilegiada, no centro do Caribe. O Porto de Mariel já vai dar uma estrutura logística muito boa para embarque e desembarque de mercadorias. A médio prazo, Cuba pode crescer na área logística. Para o Brasil, interessa que a economia cubana volte a crescer para consumir produtos manufaturados nacionais.”


Exposição de Vladimir Lagrange traz relato visual da vida na União Soviética

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar



Quase 30 anos de documentação do cotidiano da antiga União Soviética (URSS) podem ser vistos na exposição Assim Vivíamos, que abre neste sábado (25), na Caixa Cultural, na Praça da Sé, centro paulistano. As 65 fotografias fazem parte da obra do russo Vladimir Lagrange, durante o período em que atuou como fotojornalista. “Ele consagrou a sua obra por meio de fotos que passam bastante à margem de fatos políticos porque o interesse dele era realmente pela vida cotidiana da população soviética”, enfatiza o curador da mostra Luiz Gustavo Carvalho sobre o material feito não só na capital, Moscou, mas em diversas viagens pelo território soviético.

As primeiras imagens foram tomadas em 1962, enquanto os últimos enquadramentos datam do início da década de 1990. “O início dessas fotografias mostra justamente o espírito dessa época khrushoviana”, comenta o curador. Nikita Khrushchov assumiu o poder na URSS com uma agenda reformista, após a morte de Josef Stalin. ”Uma época onde existia uma certa liberdade e isso é refletido nas imagens dele. E ao mesmo tempo a gente vai ver durante todo esse período um olhar perspicaz e até mesmo sarcástico em relação ao Estado”, acrescenta Carvalho.

Mesmo quando trabalhava em relação a fatos de grande impacto, como a Guerra do Afeganistão (1979-1989), Lagrange optava por um olhar diferenciado. “Nunca é sobre as cenas de guerra, que nunca o interessaram muito, mas sobre a vida cotidiana durante a guerra. Ele retrata um casamento, uma cena de amizade ou de morte durante a guerra”, explica o curador.

Os soldados que lutaram pela Rússia durante a Segunda Guerra Mundial também foram um tema importante na obra do fotógrafo. “Ele retrata de uma maneira muito humanista também os veteranos da Segunda Guerra Mundial, que foram, em grande parte, completamente esquecidos pelo Estado. Muitos ex-combatentes passam a ter de pedir esmolas para sobreviver. E ele tem uma grande admiração por esses personagens”, conta Carvalho.

Além do humanismo francês, outra influência de Lagrange foi o construtivismo, vanguarda que floresceu na Rússia durante a década de 1920. Entre os expoentes do movimento estão o artista plástico Alexander Rodchenko e o cineasta Sergei Eisenstein. Esses elementos aparecem, segundo o curador, na iluminação e na “complexa geometria na construção das imagens” do fotógrafo.

Com habilidade e sutileza, o fotógrafo conseguia ainda trazer uma crítica sutil para as páginas das publicações soviéticas. “Em conversas, ele próprio me contou que já sabia que imagens ele poderia enviar para a redação para serem publicadas e quais não tinham nenhuma chance de passarem pela censura”, relata Carvalho.

Apesar do vasto trabalho documental, com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a chegada de novas tecnologias, Lagrange começa a partir da década de 1990 uma nova fase de sua obra. “Ele, de uma maneira muito impressionante, conseguiu essa adaptação e hoje tem um trabalho voltado para uma linguagem completamente nova. Uma fotografia que trabalha motivos, estritamente artística, voltada para um lado documental”, disse o curador da exposição.


Esgoto tratado favorece agricultura e poupa água para consumo, mostra estudo

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

O emprego da água de esgoto tratado (efluente) na agricultura aumenta a produtividade, segundo estudo do Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores testaram, durante 15 anos, as vantagens do uso dessa água, que contém minerais e nutrientes como nitrogênio e fósforo, importantes no desenvolvimento das plantas.



Para o professor de geoquímica e ambiente da USP Adolpho Melfi, a água usada atualmente na irrigação das lavouras pode ser substituída com segurança pelo efluente, o que pouparia água potável importante no abastecimento das cidades. “A agricultura utiliza praticamente 70% da água que poderia ser para o consumo humano”, explica. Atualmente, o efluente só pode ser usado na lavagem de ruas e irrigação de jardins, por não haver legislação que autorize o seu uso no campo.

O experimento feito nas cidades de Lins e Piracicaba, interior de São Paulo, mostrou que a economia no uso de fertilizantes nitrogenados chegou a 80% no plantio de capim, utilizado na alimentação do gado, durante um ano de baixa ocorrência de chuvas.

Os cientistas compararam a produtividade do capim irrigado com água comum e do irrigado com esgoto tratado. Ambos receberam a mesma quantidade de fertilizante necessário para o crescimento das plantas. O resultado foi uma produtividade de 33 toneladas de capim por hectare ao ano no caso das plantas que receberam irrigação comum e de 39 toneladas por hectare ao ano no capim irrigado com efluente.

O mesmo experimento feito com a cana-de-açúcar resultou na produtividade de 87 toneladas por hectare ao ano para a cana que recebeu irrigação comum e de 143 toneladas por hectare ao ano na irrigada com água de esgoto tratado. Os testes foram feitos com cana soca, ou seja, quando a planta ainda não recebeu o primeiro corte.

Riscos do uso de efluentes

Para o emprego da técnica do esgoto tratado na agricultura, porém, é preciso atenção a alguns riscos, explica Melfi. “Como o efluente tem muito nitrogênio, uma parte não será aproveitada pela planta. Essa parte vai infiltrar no solo e contaminar o lençol freático na forma de nitrato. Há também os organismos patogênicos [presentes no efluente], que podem provocar problemas na saúde humana. A gente precisa ter um controle muito grande também dos metais pesados”, disse.

Para contornar esses problemas, os cientistas encontraram soluções simples. Para evitar os metais pesados, presentes nos dejetos de indústrias, os efluentes devem ser recolhidos preferencialmente de cidades pequenas, onde o controle é mais fácil e predomina o esgoto doméstico.

“Em Lins, o esgoto é exclusivamente doméstico. Em Franca, por exemplo, com a indústria de couro para a fabricação de sapatos, a curtição do couro usa uma substância formada por cromo, altamente tóxico. Mas o esgoto de lá pode ser usado, porque existem duas redes separadas, uma que é esgoto industrial e outra que é doméstico. No esgoto doméstico, não tem metal pesado”, explica o cientista.

Quanto aos organismos patogênicos, como o grupo de bactérias E.coli, existem tratamentos que são capazes de eliminá-los do efluente. Outra forma mais simples de evitar essa contaminação nas plantas é selecionar culturas que passam por tratamento industrializado antes do consumo, como é o caso do café, milho e cana-de-açúcar.

“O café pode ser irrigado com efluente, pois depois é torrado. A laranja também é irrigada nos Estados Unidos, na Flórida, por efluente. Basta fazer uma irrigação na superfície do solo, por gotejamento ou mesmo enterrada em até 20 centímetros, de forma que a fruta não entre em contato com os efluentes”, explica o professor.

O capim, cultura testada no estudo, é cortado e permanece na superfície do solo durante algumas semanas para que seja transformado em feno. Depois disso, o produto estará seguro para alimentar o rebanho de gado, já que os organismos patogênicos morrem nesse processo de fenação.

É importante lembrar, ainda, que o simples despejo do efluente em rios também gera problemas, pois causa a eutrofização. “Aumentam muito os micro-organismos, algas que consumem o oxigênio, e essa água sofre eutrofização, são aquelas espumas. Ou a água fica esverdeada por causa de algas”, disse Melfi.

O estudo também ouviu a população para avaliar a aceitação da novidade. “O resultado foi positivo, as pessoas entrevistadas disseram que, desde que soubessem que estava havendo o controle adequado, consumiriam [alimentos produzidos com efluentes]”, contou o professor.


Mulheres negras enfrentam problemas semelhantes na América Latina

Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel

Estudos e especialistas apontam que as mulheres negras vivem em condições semelhantes na América Latina e no Caribe (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Cerca de 200 milhões de pessoas que se identificam como afrodescendentes vivem na América Latina e no Caribe, o que corresponde a 30% da população dessas regiões, conforme estimativa da Associação Rede de Mulheres Afro-Latinas, Afro-Caribenhas e da Diáspora (Mujeres Afro). Apesar do número, os negros são os mais afetados pela pobreza, marginalização e pelo racismo, em especial as mulheres.

No Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, celebrado hoje (25), e no primeiro ano da Década Internacional dos Afrodescendentes, instituída pelas Nações Unidas, os problemas enfrentados pelas mulheres negras ganham visibilidade.

Levantamentos de alguns países mostram essa situação. Em Porto Rico, por exemplo, estudo mostra que um homem branco com ensino superior tem 89% mais chances de entrar no mercado de trabalho. No caso das mulheres negras, o percentual é menor: 60%. No Uruguai, a taxa de desemprego chega a 7%, mas entre as mulheres negras sobe para 14,3%.

A situação das mulheres negras foi discutida entre os dias 26 e 28 de junho em Manágua, na Nicarágua, durante a 1ª Cúpula de Lideranças Femininas Afrodescendentes das Américas.

O documento Plataforma Política, preparatório para a cúpula, aponta que “se assume que a situação de marginalização e exclusão socioeconômica que vivem as populações afrodescendentes se deve mais à situação de classe do que ao próprio racismo, que sustenta a ideia de que se forem alcançados níveis socioeconômicos mais altos não se teria barreiras para a mobilidade social e, portanto, não seriam vítimas de racismo. Sobre esta base está instalada a ideologia da democracia racial que invisibiliza as diversas maneiras em que o racismo se expressa de forma subterrânea mas devastadora”.

“Nós, mulheres negras, pertencemos a uma mesma comunidade de destino. Foi possível evidenciar mais uma vez que racismo, sexismo, lesbofobia, fundamentalismos são os mesmos vetores que movem a dominação e a exclusão de milhões de mulheres negras no Continente”, disse Nilza Iraci, coordenadora de comunicação do Geledés – Instituto da Mulher Negra, que participou da cúpula.

A coordenadora relatou que, durante a cúpula, foi possível perceber as semelhanças nas condições das mulheres negras. “Um exemplo clássico é verificar as falas da palanquera, da Colômbia; das quilombolas, do Brasil; e das garífunas, na América Central. Juntas falam de problemas e vivências semelhantes, como se fosse uma comunidade única. Também pode ser verificado entre as jovens da região, falta de oportunidades, emprego e perspectivas; e em todas as mulheres que vêm sendo vitimizadas pelo avanço dos fundamentalismos religiosos que tentam legislar sobre seus corpos e sua sexualidade. Ou seja, esses fatores formam um caldo de cultura onde a mulher negra é a mais vitimizada”.

Brasil

Para a representante da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, o Brasil se destaca na América Latina por ter políticas públicas e instituições oficiais de combate às desigualdades, como a Secretaria de Política para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

“Nós falamos muito em acelerar os processos para garantir que essas diferenças diminuam em um tempo rápido, porque são brechas históricas que têm que se fechar. Mas as políticas públicas, o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, o Pronatec, o Brasil sem Miséria têm sido políticas muito importantes que têm mudado a cara e a inserção das mulheres negras no Brasil de uma maneira muito importante”.

No entanto, a representante reconhece que as mulheres negras estão atrás nos indicadores sociais e econômicos do país. “Por exemplo, em termos de pobreza, a população negra é mais vulnerável, sete em cada dez casas que recebem o Bolsa Família são chefiadas por negros, sendo que 37% das casas são chefiadas por mulheres. Temos entre mulheres brancas um desemprego de cerca de 9%, entre as mulheres negras ultrapassa 12%. Outra área que vale a pena ressaltar é o tema da renda. As mulheres negras recebem 42% do salário dos homens brancos. É muito chocante elas receberem menos da metade do salário dos homens brancos”.

Para Nilza Iraci, do Geledés, o maior avanço no país foi a organização dos movimentos sociais, já que “os indicadores sociais têm demonstrado que, apesar da conquista de políticas públicas, elas não têm sido capazes de transformar a realidade e a vida de milhares de brasileiras”.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres destaca que o governo federal tem implementado, na última década, diversas políticas voltadas à promoção da igualdade das mulheres negras, como o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, a aplicação da Lei Maria da Penha e o enfrentamento da exploração sexual e do tráfico de mulheres.

Para este ano, a secretaria deverá criar um grupo de trabalho para atender mães que perderam os filhos, vítimas de violência. Em novembro, será realizada a 1ª Semana das Mulheres Negras no Mês da Consciência Negra e uma consulta nacional a quilombolas e afrodescendentes para a 4ª Conferência Nacional de Política para Mulheres.

Caso grave de aneurisma cerebral é tratado com procedimento inédito no país

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

Um caso grave de aneurisma cerebral de uma paciente de 68 anos foi tratado com um procedimento inédito no país pelo Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo. A cirurgia foi feita  no dia 6 de julho e é considerada um sucesso: ela aliou duas técnicas, a microcirurgia e a terapia endovascular, que já são utilizadas no tratamento mas, desta vez, utilizadas juntas, de forma simultânea, em um único procedimento.

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Há dez meses, essa paciente passou a ter um tipo de dor de cabeça atípica, diferente do que ela já havia sentido antes. A paciente então procurou um médico no estado onde vivia, em Tocantins, que lhe pediu uma tomografia. “Essa tomografia evidenciou a presença de um aneurisma cerebral, algo que já não é usual. Não é frequente os aneurismas cerebrais aparecerem nas tomografias. No caso dela apareceu por causa do tamanho maior do que o habitual”, contou Sérgio Tadeu Fernandes, neurocirurgião do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, em entrevista à Agência Brasil. “Mas na cidade não tinham os recursos necessários e a família a trouxe para São Paulo.”

O risco do procedimento era alto. No início, a equipe médica do hospital pensou em fazer um procedimento microcirúrgico. “Mas como o caso demandava um tipo de cirurgia que é extremamente trabalhosa e com risco muito alto, a equipe pensou em minimizar esse risco combinando as duas técnicas”.

A cirurgia da paciente demorou em torno de cinco horas. Caso fosse feita apenas a microcirurgia, por exemplo, a estimativa é de que a cirurgia poderia demorar bem mais, em torno de oito ou dez horas. “E com um risco muito maior”, explicou o médico.

“A cirurgia começou com a microcirurgia convencional. E aí passamos para o procedimento cirúrgico convencional, em que é feita uma incisão e se retira uma parte do osso. Posicionamos, então, um microscópio cirúrgico e, por meio dele, chegamos na lesão e identificamos o aneurisma. Uma equipe inseriu um cateter na artéria femural e foi com ele até o local onde essa lesão estava", conta o especialista.

"Por meio desse cateter se passou um microbalão e aí, quando ele foi posicionado no ponto exato desse aneurisma, esse balão foi insuflado e, com ele cheio, impediu que o sangue passasse por dentro do aneurisma. Voltamos para a microcirurgia, esvaziando o aneurisma e deixando a bolha flácida. E não sangrava porque o balão impedia esse sangramento. E esse balão serviu de base depois para colocarmos, na base do aneurisma, alguns clipes [de titânio, empregado para excluir o aneurisma da região cerebral sem prejuízo da circulação] sem que isso prejudicasse o vaso normal”, disse Fernandes.

Após três dias da cirurgia, a paciente teve alta. “Foi uma recuperação fantástica”, disse o médico.

A ideia agora é que o novo procedimento possa ser adotado em vários outros casos de aneurisma, dependendo do tipo, já que ele não pode ser aplicado em todos os casos. O problema, alertou o neurocirurgião, é que seria preciso investir no aparato tecnológico, por exemplo, para a sala de cirurgia, e também no recurso humano, ou seja, na formação e no aperfeiçoamento dos médicos e na disponibilidade deles.

“O aneurisma cerebral não é uma doença frequente. Por isso, não se justifica investimento em todos os hospitais. Seria um desperdício montar essa estrutura [em todos os hospitais] para fazer uma cirurgia dessas a cada três meses. Mas uma forma racional seria ter centros de excelência e que eles estejam capacitados e adaptados para receber a demanda da rede,” observou.

Aneurisma

O aneurisma cerebral é uma doença que atinge entre dez e 15 pessoas em cada grupo de 100 mil indivíduos em todo o mundo. “Não é uma doença frequente, atingindo em torno de 3% da população mundial”, disse Fernandes. No entanto, ela é grave, podendo levar à morte.

O aneurisma cerebral é uma dilatação que se forma na parede de um vaso sanguíneo do cérebro. “Costumamos usar uma analogia que é a seguinte: imaginemos que, no encanamento de sua casa, forme-se uma bolha em algum ponto. Entendemos que esse ponto é fraco e isso é o aneurisma cerebral: uma bolha que se forma nos vasos do cérebro. E o risco que existe nessa bolha no encanamento é de ela estourar, de dar uma infiltração na parede ou de provocar uma inundação no cômodo da sua casa. No aneurisma cerebral é a mesma coisa: pode acontecer só uma infiltração ou ter um extravasamento desse sangue quando a bolha estoura, o que seria um tipo de derrame cerebral”, explicou o médico.

“Quando ela estoura e provoca o sangramento, é uma doença muito grave. Quando acontece essa ruptura, 50% dos pacientes morrem nos primeiros 30 dias de evolução da doença, 40% têm algum grau de sequelas e só 10% voltam a ter a vida que tinham antes de ter esse tipo de derrame por aneurisma cerebral”, acrescentou.


Técnica de fertilização in vitro completa hoje 37 anos

Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil Edição: Valéria Aguiar

Mais de 6 milhões de crianças nasceram com a ajuda da fertilização in vitroEugene Ermolovich/CRMI
Há 37 anos nascia na Inglaterra Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo. Louise foi a primeira de mais de 6 milhões de crianças que nasceram com a ajuda da fertilização in vitro. A técnica consiste em retirar o óvulo da mulher, coletar o sêmen do homem e criar um embrião em laboratório para ser implantado no útero.

Em entrevista à Agência Brasil, o médico especialista em reprodução humana e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, João Sabino, explicou que a técnica surgiu para ajudar casais com dificuldade para engravidar, mas hoje vai além. Pode ser usada, por exemplo, por casais que têm algum problema genético e querem ter um filho saudável. “Eles podem usar a fertilização para fazer uma investigação genética nos embriões antes da transferência para o útero.”

O procedimento também pode ajudar mulheres que querem ter filhos mais tarde. “Por exemplo em uma mulher que tem câncer e vai fazer quimioterapia. Ela pode congelar os óvulos e fazer uma fertilização mais tarde.”

João Sabino conta que desde o primeiro procedimento, em 1978, a técnica avançou muito. Ele atua na área há 24 anos e constata que o controle de qualidade e os laboratórios evoluíram, assim como as técnicas de indução da ovulação. “Na época em que a técnica surgiu, só 5% a 10% das pacientes engravidavam. Hoje a taxa de sucesso é até 50%”.

O médico aponta as três principais causas da infertilidade, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem proteção. “Em 1/3 dos casos o problema é masculino, é importante investigar o homem para checar a quantidade e a qualidade dos espermatozóides. Nas mulheres, os principais problemas são alterações nas trompas e endometriose, que altera a anatomia da pélvis”, afirma.

Segundo a OMS, a infertilidade atinge de 8% a 15% dos casais em idade fértil.

Acesso ao tratamento

A Rede Latino Americana de Reprodução Assistida estima que entre 1990 e 2012, 56.674 bebês brasileiros vieram ao mundo com o uso da técnica. Em 2014, segundo o 8º Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram feitos 27.781 ciclos de fertilização in vitro no país.

O especialista João Sabino avalia que o número está abaixo do necessário para atender a demanda nacional. “O tratamento é muito caro para famílias de baixa renda. Custa entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, dependendo do caso. Hoje, 90% das fertilizações são feitas em clínicas privadas”, lamenta.

Um dos principais centros públicos de reprodução assistida do país fica no Distrito Federal. Mais de 500 crianças nasceram no local desde 1998, quando foi criado. “Já fizemos mais de 3 mil ciclos e ainda temos 2 mil casais na fila”, conta a coordenadora do programa de Reprodução Humana do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), Rusaly Rulli Costa. Segundo ela, apesar de a demanda ser grande, o Brasil oferece o tratamento totalmente gratuito em poucos locais.

Rusaly avalia que o serviço público, de um modo geral, ainda vê a fertilização in vitro como coisa para ricos. “E não é. Não é justo que parte da população seja privada de planejar seus filhos, pois até na Constituição está previsto o direito de planejar a família”, avalia, lembrando que o tratamento não consta na tabela de procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Cabe às secretarias de saúde estaduais decidir se vão oferecer o serviço, a ser financiado pelos estados.”

O centro do HMIB atende em média 300 casais por ano. “Mas no primeiro semestre deste ano só chamamos 120 casais, não é fácil conseguir os recursos”.

O médico João Sabino explica que, do ponto de vista físico, o tratamento não dói. “Mas do ponto de vista emocional, machuca muito. Existe uma dor psicológica forte ao longo do processo, o casal precisa ter o acompanhamento de uma equipe médica bem preparada.”

Rusaly Rulli Costa concorda que o tratamento gera ansiedade e pode causar frustração, pois mexe com os sonhos e desejos mais íntimos das pessoas. “A gente prima pelo acolhimento, com uma equipe multidisciplinar. Somos considerados classe AA no atendimento, pois o processo é extremamente desgastante para os casais que nos procuram.”

Ataque aéreo turco mata nove membros do Estado Islâmico na Síria

Da Agência Lusa Edição: Juliana Santos Andrade

Os primeiros ataques aéreos turcos no Norte da Síria mataram nove pessoas da organização jihadista Estado Islâmico, informou hoje (24) o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSHD).



O diretor do OSHD, Rami Abdel Rahman, confirmou à agência France Presse que os aviões de guerra turcos fizeram três ataques aéreos a nordeste da cidade de Alepo, provocando nove mortes e 12 feridos, que foram transportados para um hospital da cidade.

Segundo o Observatório, a investida aérea, a oeste de Jarablus, perto da fronteira turca, teve como alvo posições dos membros do Estado Islâmico. O lançamento de mísseis, pelos caças F-16, foram as primeiras ações da aviação turca contra a posição dos extremistas na Síria.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, disse que os ataques comandados pela Turquia, foram em resposta ao ataque de quinta-feira (23), do Estado Islâmico ao Exército turco, que resultou em uma morte e dois feridos. Ele ressaltou que os ataques turcos têm cumprido o seu objetivo e vão continuar.

A Turquia fez ontem (23) uma grande operação para desmantelar redes terroristas no país, resultando na prisão de 251 suspeitos, segundo comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro.


Ex-carcereiro de prisão romena é condenado por crimes contra a humanidade

Aline Moraes – Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Stênio Ribeiro

Aos 89 anos, Alexandru Visinescu foi condenado a 20 anos de cárcere por ter comandado uma prisão na Romênia, onde morreram pelo menos 12 presos políticos durante os anos 1950 e 1960, sob o regime comunista. O julgamento, concluído nesta sexta-feira (24), durou quase um ano, e é o primeiro no país a tratar de crimes contra a humanidade, cometidos no período.



De 1956 a 1963, Visinescu chefiou a prisão Râmnicu S rat, conhecida como “a prisão do silêncio”, onde os detidos – opositores ao Partido Comunista romeno – eram mantidos em solitárias, sem comida, e torturados.

Além dos 20 anos de prisão, a sentença determina que o ex-carcereiro pague 300 mil euros como compensação aos parentes das vítimas. Visinescu nega as acusações e diz que estava apenas seguindo ordens. Ele ainda pode recorrer da sentença, mas, segundo a advogada de defesa, Visinescu ainda não decidiu se vai apelar.

Estima-se que mais de 500 mil pessoas foram mandadas para a prisão pelas antigas autoridades comunistas. O Instituto Romeno para a Investigação de Crimes Comunistas, que iniciou o caso contra Visinescu, listou 34 oficiais acusados de cometer abusos contra os direitos humanos. Um deles, Ion Ficidor, que comandava um campo de concentração, está em processo de julgamento desde abril deste ano, acusado pela morte de 103 pessoas.

O regime comunista no país terminou em 1989, com a Revolução Romena.


Canadá investiga caso de assédio sexual envolvendo brasileiro do polo aquático

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

A polícia canadense está investigando um caso de assédio sexual envolvendo um integrante da equipe brasileira de polo aquático nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, de acordo com um comunicado emitido hoje (24) pela instituição.



Segundo a nota da polícia de Toronto, a inspetora de crimes sexuais Joanna Beaven-Desjardins dará uma entrevista coletiva para divulgar mais detalhes da investigação na tarde desta sexta-feira. A polícia não informa se o envolvido é vítima ou autor do assédio nem se é homem ou mulher.

Turquia ataca Estado Islâmico

Da Rádio França Internacional*

A Turquia entrou de vez na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI). O país fez os primeiros bombardeios aéreos na madrugada desta sexta-feira (24) contra posições dos “jihadistas” na Síria. Ancara já havia feito ataques ontem (23) em resposta a morte de um militar turco em um confronto com “jihadistas” na fronteira da Turquia com a Síria.



Nessa manhã (24), três caças F-16 atiraram quatro mísseis teleguiados que visaram três alvos: dois bairros e um local de reunião do grupo EI. O ataque foi feito na fronteira entre os dois países.

Ao mesmo tempo foi lançada uma vasta operação policial contra supostos extremistas do grupo Estado Islâmico e rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão  (PKK) que é a tradicional oposição ao governo. Cerca de 5 mil militares turco trabalham em 30 pontos da cidade de Istambul e outras 13 províncias do país. Foram presas 251 pessoas.

Essa é a maior operação de Ancara na luta contra o terrorismo desde que o grupo Estado Islâmico tomou áreas da Síria, no ano passado. Na segunda-feira (20) um atentado suicida reivindicado pelos jihadistas na cidade turca de Suruc matou 2 pessoas, a maioria de militantes curdos. O governo turco anunciou a permissão para que os Estados Unidos executem operações aéreas contra o Estado Islâmico, a partir da base de Incirlik no Sul do país.

Com imformações da Radio França Internacional*


Obama dedica orações às vítimas do tiroteio em Louisiana

Da Agência Lusa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dedicou hoje (24) "pensamentos e orações" às vítimas do tiroteio em um cinema em Louisiana. O ato fez três mortos, entre eles, o atirador e nove feridos, segundo um comunicado da Casa Branca.



“Os pensamentos e as orações de todos na Casa Branca, incluindo o presidente e a primeira-dama, estão com a comunidade de Lafayette, Louisiana, especialmente com as famílias das duas pessoas que foram mortas”, informou o comunicado.

Obama encontrava-se em viagem para o Quênia quando foi informado sobre o incidente, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest em nota. “O presidente recebeu as informações de Lisa Monaco, a sua conselheira para a segurança, sobre o tiroteio em um cinema no Estado de Louisiana”, explica a nota, acrescentando que Barack Obama pediu que a sua equipe o informasse sobre a investigação e o estado de saúde dos feridos.

A nota da Casa Branca foi divulgada algumas horas após um atirador ter disparado sobre a plateia de um cinema no estado norte-americano do Louisiana, matando duas pessoas e cometendo suicídio em seguida.

O tiroteio ocorreu no Grand Theater, em Lafayette, município com cerca de 120 mil habitantes, depois das 19h (20h no horário de Brasília) de quinta-feira (23). O cinema exibia a comédia Trainwreck, para uma plateia de cerca de 100 pessoas.

"O meu coração está destroçado e todos os meus pensamentos e orações estão com os habitantes de Louisiana", escreveu no Twitter a atriz Amy Schumer, protagonista do filme. O tiroteio ocorreu depois de um júri ter deliberado a pena de morte para o autor do massacre em 2012 em um cinema do Colorado e que causou 12 mortes e deixou 70 feridos.


Banco Central: há avanços no combate à inflação, mas persistem riscos para 2016

Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

Mesmo com alguns resultados positivos inegáveis, acontecimentos recentes mostram que existem novos riscos para o resultado da inflação em 2016. Isso pode afetar as expectativas de inflação no longo prazo, disse o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira da Silva.



Ele participa do seminário Assessing International Capital Flows after the Crisis (Avaliando Fluxos de Capitais Internacionais depois da Crise). O evento, que ocorre no Rio de Janeiro, é organizado pelas seguintes instituições: Banco Central do Brasil, Irving Fisher Committee on Central Bank Statistics (IFC/BIS) e Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos (Cemla). O seminário é fechado à imprensa, mas o BC divulgou o discurso do diretor.

A diretoria do BC tem dito que a inflação deve convergir para a meta de 4,5% em 2016. Neste ano, no entanto, o BC projeta a inflação em 9%, bem acima do limite superior da meta, de 6,5%.

O diretor destacou que o país passa por um processo de alinhamento dos preços livres e administrados, internos e externos. Segundo ele, recentemente esse duplo ajuste de preços influenciou a inflação no primeiro semestre, aumentando a inflação em 12 meses. Com isso, as expectativas de mercado da inflação ainda estão acima da meta no final de 2016.

Para ele, há sinais positivos da convergência da inflação para 4,5% no próximo ano, mostrando que o BC está no caminho certo. “No entanto, o progresso até agora na luta contra a inflação precisa ser equilibrado contra riscos recentes que ameaçam nosso objetivo central”, disse. O diretor acrescentou que o BC deve permanecer cauteloso no momento atual.

A Selic já passou por seis altas seguidas e está atualmente em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, está marcada para 28 e 29 deste mês.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo.

Julho das Pretas exibe documentário sobre educadora e feminista Lélia Gonzalez


O documentário ‘Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História’, que integra a programação do evento ‘Julho das Pretas’, promovido pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), será exibido às 14h desta sexta-feira (24), no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, na Avenida Sete de Setembro, em Salvador. Após exibição haverá debate e sorteio de livros e vídeos.



A produção audiovisual faz parte do projeto da Fundação Banco do Brasil, em parceria com a Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh) e Brasilcap, em homenagem à educadora, intelectual de destaque e ativista do movimento negro e feminista. Lélia Gonzalez foi ainda uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado e do Nzinga - Coletivo de Mulheres Negras, no Rio de Janeiro, onde morreu em 1994.

Participam da atividade a integrante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Luana Soares, a pesquisadora nas áreas de democracia, movimentos sociais e participação política, Deise Queiroz. Também estarão presentes a representante da Sepromi, Maria dos Reis, e a coordenadora da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, Nairobi Aguiar. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (71) 3117-7448/7445 e o email do Centro de Referência Nelson Mandela (cr.racismo@sepromi.ba.gov.br).

Secom Bahia

Obama faz visita oficial ao Quênia

Leandra Felipe – Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Carolina Pimentel

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chega hoje (24) à Nairóbi, no Quênia, para uma visita oficial. Segundo a Casa Branca, os objetivos da visita são aprofundar as relações econômicas, fortalecer a segurança dos Estados Unidos e ampliar o apoio do governo queniano na região contra grupos radicais islâmicos na região. Apesar dos temas da pauta, a viagem de Obama ao país tem um valor emocional para o presidente, porque o Quênia é a terra natal do pai do presidente.

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz visita oficial ao Quênia, terra natal de seu paiDivulgação/Agência Lusa/EPA/Michael Reynolds/Direitos Reservados
Na véspera da visita, a imprensa norte-americana e queniana exploravam o “laço emocional” de Obama com o país africano. Ele deve dedicar um tempo da viagem para se reunir com membros de sua família no Quênia.

Outro fato que ganhou destaque na imprensa foi a divulgação pelo governo queniano de alguns detalhes do itinerário da viagem de Obama, com informações sobre os planos de voo.

O porta-voz do presidente, Josh Earnest, disse nessa quarta-feira (22) que o vazamento dos detalhes da viagem não justificavam uma mudança nos planos e no itinerário. "Nós não acreditamos que seja preciso neste momento, uma mudança de programação ou qualquer alteração do itinerário do presidente".

O Quênia é considerado um aliado importante dos norte-americanos na África contra o grupo islâmico somali Al Shabaab, que no último mês de abril, foi responsável pelo massacre de 148 pessoas em uma universidade perto da fronteira com a Somália.

Analistas entrevistados pela imprensa norte-americana apostam que a parceria para combater esse e outros grupos radicais deve ser um dos principais pontos da agenda de Obama no país. Ele já havia visitado o Quênia em 2006, quando ainda era senador.

Nessa quarta-feira, Obama disse que espera elevar as relações dos Estados Unidos e do continente africano à uma “nova dimensão”. Durante um jantar na Casa Branca, ele afirmou que “as ligações da África e dos Estados Unidos são evidentemente profundas, antigas e complicadas”, mas "não menos importantes".


Governo afegão e talebãs têm nova negociação de paz no fim do mês

Da Agência Lusa

A segunda rodada das negociações de paz entre rebeldes talebãs e o governo afegão, na tentativa de acabar com 14 anos de conflito, vai ocorrer no fim do mês, anunciaram hoje (24) as autoridades afegãs.

"A segunda rodada está marcada para 30 julho ou 31 de julho", declarou Mohammed Ismail Qasimyar, membro do Alto Conselho para a Paz, do governo afegão. As negociações vão ocorrer "muito provavelmente na China", disse Qasimyar.



O primeiro vice-presidente do Alto Conselho para a Paz, Abdul Hakim Mujahid, afirmou que o local ainda está "sendo definido entre o Afeganistão, Paquistão, Estados Unidos e China, para decidir que país acolherá este encontro".

Os primeiros contatos e negociações oficiais entre os dois lados ocorreram nos dias 7 e 08 deste mês em Murre, perto de Islamabad, com a participação de diplomatas chineses e norte-americanos.

Mas as negociações acontecem em um contexto de crescentes violências pelos rebeldes talebãs, que realizam cada vez mais ataques fora das suas zonas tradicionais de influência, no Sul e Leste do Afeganistão, nomeadamente em Cabul e nas províncias do Norte.

Desde dezembro passado e com o fim da missão de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), as forças de segurança afegãs estão sozinhas no combate com os rebeldes.


Desemprego urbano na China mantém-se abaixo de 4,5%

Da Agência Lusa

O índice de desemprego urbano na China no primeiro semestre de 2015 manteve-se abaixo de 4,5%, evidenciando a "estabilidade do mercado laboral", anunciou hoje (24) o ministério chinês dos Recursos Humanos e Segurança Social.

http://radiocabriola.com/


Entre janeiro e junho, o número de novos postos de trabalho nas zonas urbanas da China atingiu 7,8 milhões, mais da metade dos 10 milhões prometidos pelo governo, indicou um porta-voz do ministério.

No programa apresentado em março passado à Assembleia Nacional Popular chinesa, o primeiro-ministro Li Keqiang indicou que o índice de desemprego urbano não deveria exceder 4,5%.

Pelos dados divulgados hoje, no primeiro trimestre deste ano, o índice foi de 4,05% e, no trimestre seguinte, baixou para 4,04%.


Karatê conquista dois ouros para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto

Da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

O Brasil conquistou nanoite de hoje (23) mais duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. No torneio Masculino, Douglas Broze confirmou seu favoritismo, na categoria até 60kg. No feminino, foi Valeria Kumizaki a vitoriosa na final da categoria até 55 kg, ao derrotar na luta final a canadense Kate Campbell, por decisão unânime dos juízes, depois de empate no tatame em 1 a 1. Valéria foi medalha de prata no Pan do Rio de Janeiro, em 2007,  e medalha de bronze quatro anos depois, em 2011, nos Jogos de Guadalajara, no México



Bicampeão mundial da categoria, Douglas Brose dominou a luta desde o início na final contra o venezuelano Jovanni Martinez, que ficou com a medalha de prata. No torneio feminino, a medalha de bronze na categoria até 50kg também é do Brasil, conquistada por Aline Souza. A chilena Gabriela Bruna foi medalha de prata e Ana Villanueva, da República Dominicana ficou com o ouro na disputa até 50kg.

Outra vitória brasileira na noite desta quinta-feira no Pan de Toronto foi no vôlei feminino, que garamntiu vaga na final ao derrotar a República Dominicana no jogo da semifinal por 3 a 2, numa virada sensacional, depois de perder os dois  primeiros sets da partida.




MEC promete proposta aos técnico-administrativos até a próxima quarta-feira

Aline Leal - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Quase dois meses depois de iniciada a greve dos técnico-administrativos das instituições de ensino superior, houve reunião hoje (23) entre representantes da categoria e dos ministérios do Planejamento e da Educação. Para a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), houve avanços nas negociações de pontos da pauta que não demandam aumento de gastos.



Segundo Fátima dos Reis, coordenadora de Relações Jurídicas da Fasubra, o avanço alcançado foi o Ministério da Educação se comprometer a apresentar uma proposta até a próxima quarta-feira (29). Além da Fasubra, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica participou da reunião.

A coordenadora ressalta que entre as principais demandas específicas da categoria estão a revisão do sistema de eleições para reitores e colegiados das universidades, bem como o estabelecimento de turno contínuo para os servidores.

Dados da Fasubra mostram que os servidores técnico-administrativos de 65 instituições federais de ensino superior estão em greve desde o dia 28 de maio. Além das demandas específicas da categoria, os trabalhadores pedem, em conjunto com outras carreiras de funcionários públicos, o reajuste salarial de 27,3% em 2016, enquanto o governo oferece 21% em quatro anos.


CMN regulamenta aumento de juros do financiamento estudantil

Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Os estudantes que fecharem novos financiamentos pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) pagarão parcelas mais altas. O Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou o reajuste das taxas de juros dos novos contratos de 3,4% para 6,5% ao ano.

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O reajuste havia sido anunciado no fim do mês passado pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. As novas taxas haviam sido publicadas no edital com as novas regras do Fies, no início do mês, mas precisavam ser regulamentadas pelo CMN para entrarem em vigor.

O aumento vale apenas para os 61,5 mil contratos previstos para o segundo semestre deste ano. Quem já é beneficiado pelo programa e precisa renovar os financiamentos continuará pagando as taxas atuais, porque os contratos em vigor não podem ser alterados por apenas uma das partes.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento da taxa é necessário para garantir a viabilidade do programa, ao reduzir os gastos com subsídios. A pasta ressaltou que os juros continuam atrativos e abaixo dos financiamentos de mercado. “A medida contribuirá para a sustentabilidade do programa, possibilitando sua continuidade como política pública perene [permanente] de inclusão social e de democratização do ensino superior”, destacou o ministério.

O Fies financia cursos de ensino superior em instituições privadas. Os estudantes só precisam começar a pagar o valor financiado dois anos após a conclusão do curso. O reajuste dos juros havia sido recomendado pelo grupo interministerial montado no início do ano para analisar os gastos públicos federais, com representantes dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil, mais a Controladoria-Geral da União.

Além do aumento de juros, o grupo fez recomendações para a manutenção do Fies, como oferta de vagas, pelas mantenedoras, de acordo com a disponibilidade de verba do governo, e exigência de nota mínima no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para ingresso no programa. As conclusões do grupo foram publicadas em portaria no Diário Oficial da União de 2 de julho.


MP-CE pede revisão de critérios para candidatos ao Conselho Tutelar

Edwirges Nogueira - Correspondente da Agência Brasil/EBC Edição: Stênio Ribeiro

O Ministério Público do Ceará (MP-CE) enviou recomendação ao Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Fortaleza (Comdica) solicitando revisão dos procedimentos adotados nos preparativos para eleições de conselheiros tutelares, no dia 4 de outubro, em todo o país. O promotor Dairton Costa de Oliveira, responsável pela 7ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude, considera no documento que o Comdica impôs um “excesso de exigências e requisitos de caráter técnico” ao processo eletivo.



A recomendação do Ministério Público foi feita depois que um grupo de pessoas interessadas na candidatura procuraram o órgão para denunciar supostas irregularidades no processo. Em Fortaleza, o Comdica aplicou prova de conhecimentos específicos, de caráter eliminatório. De acordo com o conselho, 162 pessoas fizeram a prova e 87 foram aprovadas. Na cidade, serão escolhidos 40 conselheiros tutelares titulares e 40 suplentes.

Os reclamantes denunciaram a venda de declarações falsas atestando que candidatos teriam trabalhado nos órgãos do Sistema de Garantia de Direitos – requisito listado no edital de convocação do processo eleitoral para os conselhos tutelares. Além disso, o grupo relatou supostas alterações de resultados da prova e indicações políticas. “Mesmo que não houvesse essas denúncias, ainda assim o procedimento do Comdica estaria errado. Quem escolhe os conselheiros tutelares é o povo. Ao ser realizada uma prova que reduziu o número de candidatos, essa escolha deixou de ser do povo e passou a ser do conselho”, disse o promotor.

O advogado Osmar de Castro, que representa o grupo, também cita o caráter eliminatório do curso de formação que os aprovados na prova precisam fazer para se candidatar. Para ele, todo o procedimento adotado pelo Comdica inviabiliza as eleições. “Da forma como o processo está sendo conduzido, Fortaleza corre o risco de não ter candidatos suficientes para concorrer às eleições. "Defendemos que todas as pessoas que fizeram a prova sejam candidatas nas eleições e que o curso de formação seja somente com os conselheiros tutelares eleitos”, acrescentou.

Na recomendação, o promotor Dairton pede que o Comdica utilize para a inscrição de candidatos apenas os três critérios determinados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: idade superior a 21 anos, residência na cidade em que pretende disputar o cargo e reconhecimento de idoneidade moral.

A presidente do Comdica, Tânia Gurgel, defende o processo seletivo em andamento. Para ela, esta é uma maneira de prover os conselhos com conselheiros habilitados e comprometidos com a função. “Nós respeitamos a posição do Ministério Público, achamos que poderia haver mais gente para concorrer às eleições, mas, lamentavelmente, só foram aprovadas 87 pessoas. Temos clareza de que fizemos tudo da melhor forma possível”, ressaltou. De acordo com ela, o edital de convocação respeita as legislações em vigor, e que o MP-CE, inclusive, participou do debate sobre a resolução. Sobre as denúncias de irregularidades, informou que há uma comissão apurando os casos.


Ouvidorias de bancos terão de gravar atendimento e fornecer contato na internet

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Edição: Maria Claudia

As ouvidorias dos bancos terão de gravar os atendimentos aos clientes e fornecer os contatos nas páginas iniciais das instituições financeiras na internet. As alterações foram decididas hoje (23) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que deu prazo até 30 de junho de 2016 para a implementação das novas regras.

Até agora, a obrigação para a gravação valia apenas para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), primeira etapa de atendimento ao cliente. Em relação à divulgação dos contatos, as instituições terão a opção de apresentar números de telefones da ouvidoria diretamente na página inicial ou de divulgar um link com a página dos contatos.

O CMN alterou o prazo máximo de atendimento das ouvidorias de 15 dias corridos para dez dias úteis. As ouvidorias terão também de divulgar, a cada semestre, na internet, um relatório com as estatísticas de atendimento e as atividades desenvolvidas.

A ouvidoria representa a última etapa de atendimento, quando o cliente não conseguiu resolver os problemas nas agências bancárias ou no SAC. Segundo a chefe do Departamento de Regulação Financeira do Banco Central, Sílvia Marques, as mudanças trarão mais transparência a esse tipo de serviço. “As alterações visam a aumentar a transparência e a envolver mais racionalidade e eficiência ao setor de ouvidoria. Além disso, as novas regras tornam mais claras as atribuições do ouvidor”, diz Silvia.

Em relação à obrigatoriedade da divulgação dos relatórios na internet, a técnica do Banco Central diz que o público deve ter acesso a informações até agora restritas à autoridade monetária. “O BC já tem todas as informações sobre as ouvidorias dos bancos, mas elas não chegam ao público de forma sistemática”, explica.


Servidores federais marcam assembleia para decidir dia 29 sobre greve nacional

Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil Edição: Jorge Wamburg

Os servidores públicos federais farão  assembleia na próxima quarta-feira (29) para discutir a proposta de reajuste salarial feita pelo governo e decidir se aderem à greve nacional. Representantes de entidades sindicais estiveram reunidos hoje (29) em Brasília e chamaram cada categoria para dialogar internamente sobre as negociações.

Os servidores querem reajuste salarial de 27,3% no ano que vem, e a proposta do governo é 21,3% parcelados em quatro anos. Para o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (Sindsep-DF), Oton Pereira, é inaceitável a proposta de quatro anos. “Essa questão não dá para negociar para mais de dois anos”, disse. Outra reivindicação do sindicato é a incorporação das gratificações de desempenho ao vencimento básico.

Pereira explica que o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão vai se reunir com as categorias de servidores e deverá dar uma resposta às reivindicações até terça-feira (28). Na última reunião de negociação, o governo propôs reajustar os auxílios-alimentação e saúde em 22,8%. Com isso, os trabalhadores passariam a receber R$ 458 para a alimentação. Já o valor para a saúde é variado. Também foi proposto o reajuste do auxílio-creche em 317,3%, chegando a R$ 396, no Distrito Federal. O valor desse benefício não é reajustado desde 1995.

Entre as categorias que já entraram em greve estão os funcionários da Previdência Social, professores universitários e integrantes dos quadros técnico-administrativos das instituições federais de ensino superior.


Chacina da Candelária é lembrada como marco da violência contra jovens pobres

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil* Edição: Stênio Ribeiro

Marcha em Defesa da Vida e em memória da Chacina da Candelária, ocorrida há 22 anosTânia Rêgo/Agência Brasil
Há exatos 22 anos, oito rapazes foram brutalmente assassinados em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. A Chacina da Candelária, como ficou conhecido o episódio, é um ícone da violência contra jovens negros e pobres no Brasil, e foi lembrada hoje (23) de manhã com missa e ato interreligioso no local. Na parte da tarde, ativistas de direitos humanos participaram da Caminhada em Defesa da Vida, partindo da igreja em direção à Cinelândia.

Irmã de um dos sobreviventes, Patrícia de Oliveira lamentou que uma tragédia ocorrida há mais de duas décadas continue destruindo famílias inteiras. Segundo ela, a sociedade acha que tem que matar adolescente, como se antecedente criminal justificasse a morte. "Por isso, continuamos a fazer as atividades, e essa caminhada hoje é contra a  redução da maioridade penal”, afirmou.

Tânia Rêgo/Agência Brasil
O ministro de Direitos Humanos, Pepe Vargas, participou da missa e da caminhada. Para ele, a violência contra jovens e adolescentes piorou nos últimos anos. “Lamentavelmente, a sociedade não aprendeu com a chacina. Os homicídios de adolescentes e jovens são estarrecedores. Precisamos de grande mobilização da sociedade e envolvimento de todas as esferas do Poder Público para enfrentar essa questão”, disse Vargas.

De acordo com o ministro, também são necessárias mudanças legislativas, como a proibição dos autos de resistência, federalização das investigações e os julgamentos dos crimes cometidos por grupos de extermínio.

Pepe Vargas reafirmou que a redução da maioridade penal é um retrocesso sob o ponto de vista dos direitos e garantias individuais dos adolescentes, como também para o conjunto da sociedade, pois, em vez de diminuir, agravará a violência. “Precisamos construir uma cultura de direitos humanos e de respeito à integridade da pessoa humana, porque, infelizmente, isso ainda não aconteceu.”

Após sobreviver aos quatro tiros que levou na noite da chacina, Wagner dos Santos, irmão de Patrícia de Oliveira, voltou a sofrer atentado em setembro de 1994, com mais quatro tiros. Ele sobreviveu, mas ficou cego de um olho e com várias sequelas. O Ministério Público então o colocou no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. Graças a ele, quatro dos assassinos foram reconhecidos. Hoje o rapaz vive na Suíça.

“Ele foi desqualificado no Tribunal do Júri por ser menino de rua. Foi muito difícil. Hoje em dia melhorou, há Subprocuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público, tem Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, tem vários canais graças à luta do meu irmão e de outros familiares”, disse Patrícia.

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Fundadora e coordenadora do Movimento Moleque – Mães pelos Direitos dos Adolescentes no Sistema Socioeducativo, Mônica Cunha perdeu um dos filhos, Rafael, aos 20 anos, morto por um policial em 2006. \

Para ela, as inúmeras passagens de menores infratores pela polícia devem-se, principalmente, à não implementação das medidas socioeducativas. “O Estado legaliza a morte dessas crianças. Ninguém nasce bandido. Torna-se autor de ato infracional pelas condições de vida, por falta de direitos que o Estado não dá para a família, sem creche, sem casa, sem um trabalho decente”, afirmou Mônica, ao destacar o papel da mídia e da sociedade, que estimulam o consumo para uma maioria empobrecida.

*Colaborou Tâmara Freire, repórter da Rádio Nacional



Festival Latinidades debate a exposição da cultura negra pela internet

Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

Internet não cria o racismo, ela é só um meio de difusão  dos  preconceitos,  diz  a artista plástica Everlane MoraesMarcello Casal Jr/Agência Brasil
A internet como território de diálogo e resistência foi o tema discutido hoje (23) no Festival Latinidades, em Brasília. O Festival Latinidades, criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é o maior festival de mulheres negras da América Latina. O evento começou ontem (22) em Brasília e vai até domingo (26).

Segundo participantes do evento, a internet, muitas vezes usada como um espaço de perpetuação do racismo, vem sendo apropriada como ferramenta de luta e articulação. Na opinião da artista plástica e cineasta independente Everlane Moraes, o grande desafio é se apropriar da tecnologia para produzir conteúdos que ajudem no fortalecimento da autoestima negra. "Temos que trabalhar com a memória, o imaginário e a melancolia do período colonial. Temos que ter consciência da negritude e lutar por espaços na TV e na internet, espaços de reivindicação política", afirmou Everlane.

A atriz carioca Kênia Maria, criadora do canal Tá bom pra você?, do YouTube, comentou a importância da família na luta pela afirmação negra. Ela disse que os vídeos que produz sobre a cultura negra surgiram a partir do desconforto de sua filha mais nova que, aos 13 anos, começou a perceber o racismo e a questionar a atitude das pessoas em relação aos negros. "Ela era a única negra da sala de aula e estava sofrendo quando decidiu parar de alisar os cabelos. Eu estava dando todas as armas para que ela se reconhecesse e resgatasse a autoestima. Dai surgiu a ideia do canal, para debochar do racismo", afirmou.

Militando contra o preconceito desde criança, Mestre TC, músico e fundador da Casa de Cultura Tainã, instituição da Rede Mocambos, disse que trabalha com o desenvolvimento de uma rede, feita a partir de softwares livres e destinada a dar mais visibilidade aos conteúdos que produz. "A internet é um território que temos que ocupar com os quilombos, as favelas, os terreiros… Ter domínio sobre este espaço para se descolonizar e pensar de forma independente", afirmou. A iniciativa, que promove a comunicação entre mais de 200 comunidades quilombolas, visa a dar mais acesso aos usuários, levar conectividade a lugares distantes e colaborar com a produção e difusão de conteúdos feitos por essas populações.

"Não existe história do Brasil sem o negro", afirmou Dom Filó, o criador do Cultne, o maior acervo digital de cultura negra do país. Ele disse que começou a fotografar festas negras no Rio de Janeiro na década de 1970. Na década seguinte, após conseguir uma câmera VHS, começou a produzir material audiovisual. Todo o acervo, mais de 3 mil horas, está sendo digitalizado. Atualmente estão disponíveis na internet 300 horas, com mais de 6 milhões de visualizações. "A história está presente nesse acervo. A história do negro no Brasil é invisível, aprendemos pouco nas escolas. Quando a gente vê, a gente consegue entender um pouco melhor."

Segundo Everlane Moraes, a internet não cria o racismo, ela é só um meio de difusão dos preconceitos. "A gente precisa de formação, saber filmar bem, publicar os conteúdos de forma qualificada, para que não chegue ao receptor com ruídos. Podemos usar usar o audiovisual nas redes para expressar nossas ideias", afirmou.

Além de sessão de curtas e de mesas de debate, a programação do festival conta com diversos shows. Hoje, às 18h30, haverá apresentação da orquestra de berimbaus e, às 21h30, show do Folakemi Quinteto. Todas as atrações do evento são no Cine Brasília.